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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Viva os congelados, ou a vida com um bebê

Este não chega a ser um post, já que não há receitas nem pratos novos - meu fogão não me reconhece mais desde a chegada do bebê(*) - mas apenas uma observação, a meu ver, curiosa. Interessante como justo no momento em que você precisa se alimentar melhor isso parece uma tarefa impossível - afinal, amamentar um recém-nascido é um trabalho de responsa e em tempo integral, e comer bem termina ficando atrás de dormir e tomar banho nos poucos minutos livres com uma frequência assustadora. Outra coisa: amamentar dá uma fome do cão, mas cadê a comida? Cadê a disposição para fazer alguma coisa saudável? A tentação de recorrer a uma comida pronta (industrializada) para repor as energias é grande. Fazer o que?

Descobri que existe uma razão de ser para o marasmo das últimas semanas de gravidez (além, é claro, de poupar energias para o furacãozinho que virá a seguir), quando não se pode mais dirigir, o peso da barriga não permite mais ficar andando por aí e todas as coisas do bebê já estão arrumadas. Cozinhe! Faça muitos pratos saudáveis e ricos em energia que podem ser congelados e torne-se a melhor amiga do seu freezer e microondas, pois eles serão sua salvação nas semanas pós nascimento.

Eu fiz e congelei muita lasanha, sopa de lentilha, sopa de tomate, frango a parmegiana, massa com couve-flor e queijo, feijão. Já estamos chegando ao final do estoque. Gostaria de ter feito uns biscoitos e coisas para lanche, mas não me preparei o suficiente. Ah, além disso, vale também contar com a ajuda de amigos e familiares para fazer as compras, trazer umas quentinhas e preparar um lanche gostoso. Ter sempre um bolinho caseiro e frutas cortadas à mão ajuda a resistir à tentação das comidas prontas.

(*)Para aqueles que pediram notícias, Marcel nasceu no dia 14 de setembro, muito saudável e pequenino como a mãe. Está mamando tanto que daqui a pouco não será mais tão pequeno!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Como assar um pimentão sem churrasqueira


Parece estranho, mas é assim mesmo

Para mim a melhor maneira de se cozinhar um pimentão sempre foi assando-o na churrasqueira até que a pele ficasse esturricada e por fim viesse a se separar facilmente da carne já macia, doce e levemente defumada. Agora que não tenho mais uma churrasqueira, precisei recorrer a métodos menos ortodoxos para assar pimentões.

Já tinha visto chefs assando pimentões e berinjelas diretamente na boca do fogão na TV antes, mas aquilo sempre havia me parecido errado ou perigoso. Mas com a prática aprendi que não é: basta usar uma pinça de cozinha com cuidado e tratar o fogão como se fosse uma churrasqueira.

Coloque o pimentão diretamente sobre a chama alta e deixe-o queimar uniformemente por todos os lados, girando-o de tempos em tempos com o auxílio de uma pinça de cozinha. Esse processo leva uns quinze minutos no máximo, mas não se assuste com cheiros nem cores de queimado. Quanto mais queimada estiver a pele do pimentão, mais facilmente ela sairá depois que ele tiver esfriado um pouco.

Para retirar a pele queimada, use as mãos ou raspe a superfície do pimentão delicadamente com uma faca (mas não se preocupe em tirar cada resquício), e use o seu pimentão assado como quiser. Eu usei o meu para fazer uma sopa de tomate bem quentinha e aproveitar as temperaturas amenas que tem feito ultimamente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

The Inner Life of China

Foto surrupiada do blog de Edu Luz

Há quase um ano fui gentilmente convidada pelo Eduardo Luz para criar um menu chinês para o seu Inter Blogs. Tomei o convite como uma oportunidade para testar e reproduzir as receitas de coisas que comemos quando estivemos na China em 2007.

Fiquei muito emocionada ao ver o resultado online e saber que o menu agradou e as receitas funcionaram. Ele não sabe, mas a perspectiva de preparar este cardápio me ajudou muito nos momentos mais tenebrosos do doutorado!

Por pouco não pude estar presente de carne e osso neste jantar histórico, mas sei que outras oportunidades não faltarão. Xie xie, Eduardo, pelo belíssimo jantar!

domingo, 7 de junho de 2009

Acarajé made in Montreal? Oui!


Os baianos que se acumulam em Montreal - com dois casais de amigos que chegaram recentemente - ouviram falar de um lugar que supostamente vendia acarajé autêntico. Mas seria mesmo cem por cento verdadeiro? Eu fui uma das que duvidaram, afinal só conseguir os ingredientes já seria complicado. Mas fomos lá para conferir e vimos que eram, de fato, autênticos, feitos por um brasileiro, fritos no azeite de dendê e servidos com vatapá.

Só os camarões secos que ele preferiu evitar, talvez para agradar ao paladar internacional, trocando por frescos. Se quisesse usar os secos era só dar um pulo em Chinatown. Aliás, qualquer tentativa de reproduzir a culinária brasileira por aqui leva você a uma peregrinação multinacional de lojinhas e mercados portugueses, asiáticos e africanos. Assim se vê como a comida é um troço global.

Sobre os acarajés eu não posso emitir opinião, pois não sou nenhuma especialista no assunto e, para ser sincera, nem gosto do "original", ou seja, aquele servido pelas mãos da baiana na beira da praia. Mas os baianos aprovaram, dizendo que o bolinho não era lá muito crocante mas o vatapá estava muito gostoso. De qualquer modo disseram que serviu para matar a saudade.

Os acarajés estão sendo servidos no restaurante Lelê da Cuca, do simpático senhor Ed. Fica na Rua Marie-Anne Est, número 70, em Montreal.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vou de bixi

Foto: CBC

A cidade de Montreal lançou esta semana o Bixi, sistema de bicicletas públicas modelado ao exemplo de Paris e Lyon, onde já fazem o maior sucesso. Funciona mais ou menos assim: bicicletas especiais (*) ficam estacionadas nos milhares de pontos espalhados pela cidade, e o cidadão cadastrado pode ir lá, pegar uma, pedalar para onde quiser e depois devolver em outro ponto qualquer.

Aqui já existia um sistema parecido, só que com carros (Communauto), mas agora Montreal está querendo transformar-se definitivamente numa cidade eco e bike-friendly, mesmo que isso só seja possível sete meses por ano. Por enquanto só existem pontos no centro da cidade, mas de qualquer maneira eu acho a iniciativa ótima, especialmente se isso ajudar a diminuir o roubo de magrelas, que é o crime número um por aqui. Eu já tive duas roubadas, uma delas semana passada - humpf!

*As biciletas foram concebidas especialmente para o projeto. São totalmente reguláveis, inteiramente feitas de alumínio e possuem um GPS que trava tudo caso algum espertalhão tente levá-la para casa.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva 2008

Ah, Ano Novo... fase de muita reflexão sobre o passado e antecipações sobre o futuro, especialmente para quem tem mania de organização como esta que vos escreve. Combinando as duas coisas, estava revendo algumas fotos e posts antigos quando me dei conta de que muita coisa aconteceu neste blog em 2008, inclusive o aniversário de um ano que passou batido por sua irresponsável dona. Remoendo o fato de não ter feito sequer um post comemorativo do primeiro e crucial ano de vida do The Inner Life of Food, decidi então fazer uma retrospectiva com os melhores momentos, presentes e receitas de 2008. Perdoem-me este momento de auto-indulgência (até foto-montagem eu fiz) e tenham todos uma feliz passagem de ano.


Certamente o acontecimento mais importante do ano no meu blog foi a descoberta dos orgânicos e minha aderência ao programa CSA (community supported agriculture), o que considero um passo fundamental na direção de uma alimentação saudável e em harmonia com a natureza. Receber as cestas orgânicas (1) diretamente das mãos dos fazendeiros teve seus contras, é verdade, especialmente num ano em que a chuva prejudicou muito a produção local, mas no final os prós terminaram me convencendo.

Mas nem só de frutas e verduras vive uma pessoa feliz, e entre os destaques do ano estiveram também alguns doces como os brownies de dulce de leche (6), sucesso de crítica e público, e os profiteroles (9) que realizaram um sonho de infância. E por falar em sonho e infância, a máquina de sorvete também não ficou atrás e brilhou neste verão, especialmente nas semanas em que minha adorável sobrinha esteve comigo. Fizemos sorbets de frutas, sorvete de chá verde, sorvete de café (2) e até sorvete de chocolate com avelâ. Mal posso esperar pelo próximo verão e a possibilidade de desencavar a máquina das profundezas do freezer...

Outros produtos fizeram história no blog em 2008. Quem diria que em um mesmo ano eu ganharia uma batedeira Kitchenaid (5) e um conjunto de panelas Le Creuset (11)? Minha cozinha, que um dia já fora dominada por artigos da loja de um dólar hoje em dia anda mais fancy que catálogo de revista - mas a satisfação trazida por produtos de qualidade justifica qualquer consumismo (e assim nasce o mantra dos consumistas). Agora só resta arquitetar um plano infalível para levar tudo isto de volta ao Brasil, mas isso já é assunto para o ano que vem.

Entre as coisas novas que adquiri em 2008 posso incluir algumas técnicas e receitas clássicas: aprendi de uma vez por todas a fazer risotto (e o meu favorito foi o risotto de couve-flor do Jamie Oliver) (3), aprendi a fazer macarrão (4), aprendi a fazer pizza caseira (8), dominei o segredo do perfeito carbonara (10) e descobri uma técnica infalível para cozinhar salmão (7). Todas estas receitas foram testadas pela primeira vez este ano e já figuram no repertório básico aqui de casa - e tenho certeza que continuarão assim por muitos e muitos anos.

Finalmente, o ano culinário não estaria bem representado sem as aventuras, viagens e inesquecíveis refeições que fizemos em restaurantes. Aqui em Montréal conhecemos as delícias da comida tailandesa, tibetana, paquistanesa, tunisiana, descobrimos o verdadeiro tempero mexicano e o requinte da culinária francesa. Comi pela primeira vez cogumelos, jerusalem artichokes (topinambours) e carne de cervo, entre outros. Na Califórnia tivemos a oportunidade de comer bem tanto em lugares simples de beira de estrada quanto em restaurantes requintados e famosos como o Chez Panisse (12). Nada mal para um ano, não?

domingo, 21 de dezembro de 2008

Pimenta de Szechuan


Conforme prometi no post sobre o Parallel 33, apresento-lhes a pimenta de Szechuan, uma especiaria tradicional chinesa. O nome vem da província de Szechuan, na China, conhecida por sua culinária apimentada e de sabores fortes. Curiosamente, lá ela é conhecida apenas como "pimenta", "pimenta rosa" ou "pimenta flor", devido ao seu aroma particular, o que torna a tarefa de encontrar essa pimenta em qualquer mercado asiático particularmente difícil, especialmente se a sua pronúncia é rasteira e leitura dos caracteres idem.

Mas eis que finalmente consegui botar as mãos num pacotinho dessa pimenta, que na verdade não é parente da pimenta do reino nem da pimenta branca mas está mais próxima de especiarias como o cravo e o anis estrelado. Como já falei, é o aroma floral e levemente cítrico que primeiro chama a atenção, seguido pela cor rosa-avermelhada e pelo fato de que não se usa o caroço da pimenta, mas apenas a casca seca, que deve ser moída de preferência instantes antes de ser adicionada ao prato.

Um outro dado curiosíssimo sobre a pimenta de Szechuan é que ela não é exatamente picante, mas possui um elemento químico que provoca uma leve dormência na língua. Por conta disso usa-se tradicionalmente uma combinação desta pimenta com um chili potentíssimo, já que a primeira "adormece" a língua para a chegada da segunda. Mas isso já é para quem tem muita experiência no manuseio destes temperos; como marinheira de primeira viagem usei apenas a pimenta de Szechuan para temperar um filé de porco grelhado.

Peguei um punhado das pimentas e moí até virar pó no plião, misturei com sal e enrolei um filé de porco nessa mistura seca. Untei a carne com um fio de azeite de oliva e levei à grelha bem quente, momento no qual o aroma da pimenta tornou-se ainda mais forte. Servi com arroz branco e legumes. Começamos a comer e não sentimos nenhuma ardência além de um leve tom cítrico, até que de repente notamos que nossas línguas estavam dormentes! Bem pouquinho, é verdade, mas o suficiente para perceber e dar algumas risadas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Conhecendo uma musa


Que sorte maior para uma auto-proclamada "foodie" do que passar, sem querer e numa cidade desconhecida, numa das lojas mais chiques, antigas e lindas de coisas para cozinha? Só se esta mesma loja estiver oferecendo, naquele mesmo dia, uma tarde de autógrafos do mais novo livro de uma de suas musas culinárias!


A loja em questão é a Williams & Sonoma, que além de vender acessórios para cozinha e ingredientes de altíssima qualidade ainda é editora de livros de culinária. E a musa em questão é Ina Garten, mais conhecida por seu programa na Food Network chamado The Barefoot Contessa.


Fiquei surpresa ao ver que a fila para pegar um autógrafo do livro mais novo de Ina, chamado Back to Basics, estava dobrando a fila no quarteirão comercial e ultra-movimentado de San Francisco. Na fila havia muitas madames trocando receitas para o thanksgiving, e eu fiquei de orelhas atentas pois provavelmente vou cozinhar o meu primeiro peru de Ação de Graças este ano.


Só não fiquei surpresa ao ver que os funcionários da loja estavam passando com bandejas prateadas servindo biscoitos, bebidas e água para o pessoal da fila. Tudo muito fino. Lá dentro, a fila ainda subia escadas que levavam ao terceiro andar, onde, depois de uma hora e meia de espera, finalmente ficávamos frente a frente com a "contessa".


Ela simplesmente assinou seu nome e disse "aproveite o livro!". Só isso. Pensei que ela fosse perguntar meu nome (já estava até ensaiando como soletrá-lo) e fazer uma dedicatória engraçadinha, mas não. Mas quem sou eu para reclamar? Não esperava nada e saí dali com um livro autografado de uma das poucas celebrity-chefs para quem eu enfrentaria uma fila dessas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Top 10 utensílios de cozinha sem os quais não vivo

Há algumas semanas a Simone me perguntou umas dicas de utensílios de cozinha para ela comprar aqui no Canadá. Achei a pergunta ótima e oportuna para a realização de um post, que ficou enrolando, enrolando até que finalmente decidiu sair. Confesso que foi difícil elaborar um Top 10 dos utensílios sem os quais não existo na cozinha... Para chegar a um número fechado tive que elaborar alguns critérios: eliminei os utensílios básicos, tipo panelas, pratos e talheres, e me concentrei somente naqueles que eu tenho e uso diariamente ou quase. Não estabeleci preço nem ordem de importância: tem de bugiganga até eletrodoméstico carésimo. Eis o meu Top 10:

1. Faca
Eu sei que disse que não ia falar dos utensílios mais básicos, mas acho que sempre é bom reiterar a importância de se ter uma boa faca na cozinha. Uma faca adequada para o serviço e bem afiada poupa tempo, stress e energia de quem cozinha, e para quem tem que cortar, picar e fatiar um montão de coisa isso é muito importante. Uma faca boa e pesada não precisa ser cara, e você também não precisa comprar um jogo inteiro: basta uma faca do chef para toda hora e uma faca pequena e delicada para descascar frutas e fazer pequenos cortes.

2. Mini processador
Eu sou fã do bom e velho pilão e socador, mas o mini processador também tem seu lugar na cozinha. Bom especialmente para triturar cebola e alho bem trituradinhos, fazer pequenos purês e marinados. Dá um certo trabalho para lavar, é verdade, mas compensa. Eu não tenho um processador grande, daqueles com lâminas que fatiam, ralam e trituram, então compenso com o mini-processador e o mandoline.

3. Mandoline
Indispensável para fatiar legumes bem fininhos e sempre do mesmo tamanho. Se a sua habilidade com a faca for profissional acho que dá para passar sem ele, mas para nós, simples mortais, essa bugiganga é um achado. Como muitos outros utensílios de cozinha, você encontra mandolines de todos os tamanhos e preços: desde os de inox com lâminas reguláveis até os de plástico baratinho (e que funcionam muito bem, obrigado).

4. Mini mixer
Este foi um achado mesmo: achei por menos de cinco dólares escondido numa barraquinha de livros (?). Tem o motorzinho movido a pilha e quatro tipos de batedores diferentes: um para fazer espuma de leite para capuccinos, um para bater vinagretes, um ótimo para fazer maioneses e hollandaises sem falha, e um para misturar drinks. Pode parecer super supérfluo, mas eu uso praticamente todos os dias (principalmente para fazer vinagretes e capuccinos).

5. Steamer
Eu acredito que ter um steamer na cozinha é indispensável, já que todo mundo está cansando de saber dos benefícios do cozimento a vapor sobre o cozimento tradicional: além de não usar gordura, é rápido e conserva mais nutrientes nos vegetais. Além disso, você pode fazer refeições inteiras usando um steamer de bambu de dois andares, facilmente adquirido em qualquer lojinha de produtos asiáticos. Hoje em dia muitas panelas já vêm com uma bandeja de cozimento a vapor que também é ótima.

6. Microplane/zester
Quem costuma assistir aos programas de culinária na TV já deve ter percebido que os celebrity-chefs não vivem sem um zester para tirar raspas de cítricos ou ralar gengibre, alho e queijo bem rapidinho. Pode parecer um luxo dispensável, mas a verdade é que ter um zester ao alcance das mãos faz com que você use mais e melhor os temperos disponíveis, portanto trata-se de um elemento importante na cozinha. É bem verdade que o microplane que os chefs usam custa o olho da cara, mas existem versões menos poderosas por uma fração do preço.

7. Máquina de arroz
Olha, não é só porque eu estudo cinema chinês que virei devota das máquinas de arroz. Hoje em dia eu não consigo imaginar a minha vida sem uma dessas. Se é prática? Pense assim: numa refeição completa, é menos uma coisa para se preocupar. Sim, porque a máquina faz tudo: você só coloca o arroz e a água, joga uns temperinhos se quiser, e liga na tomada. Até as mais vagabundas têm um mecanismo que desliga sozinho quando o arroz fica pronto, então nada de ficar de olho na panela, bye-bye para arroz queimado ou empapado. Você pode controlar a consistência do arroz de acordo com a quantidade de água acrescentada (lembrando que os asiáticos preferem arroz coladinho), só não dá para fazer arroz temperado, risotto, pilaf ou paella porque aí também já é querer demais.

8. Secador de salada
Para mim este ítem entraria na lista de coisas básicas, mas a verdade é que muita gente não tem um secador de saladas em casa. Mas é tão mais fácil do que lavar a alface na pia e secar com pano de prato, sem falar que faz um trabalho muito mais competente, especialmente para quem compra alface na feira que vem cheia de terra! E não serve só para alface, dá para lavar e enxugar todo tipo de folha e erva que se desejar. Para quem usa muito, vale a pena investir num modelo mais resistente e com manivelas ergonômicas (meu sonho é um desses que você bombeia ou puxa a cordinha).

9. Blender de imersão
Se você adora sopa cremosa mas tem medo de colocar coisas muito quentes para bater no liquidificador (ou simplesmente não tem um liquidificador), prepare-se para ver sua vida mudar com um blender de imersão. Ele transforma qualquer coisa em purê muito facilmente, com mais segurança e sem sujar mais louça! Hoje em dia existem até versões sem fio e com vários acessórios que transformam o blender de imersão num micro-processador (hello! dois apetrechos fundamentais em um!!).

10. Batedeira
Eu costumo medir o grau de comprometimento das pessoas com a batedeira da seguinte forma: quem não tem uma ou não gosta de cozinhar ou adora mas não se liga muito em doces. Quem tem uma daquelas portáteis gosta de bater um bolinho eventualmente, mas não sempre. Uma daquelas grandes é sinal de que a coisa é mais séria. Agora uma dessas é sinal de que a pessoa é uma serious baker (ou uma daquelas madames que usa os apetrechos de última moda como objetos decorativos). Sim, é um investimento caro - o mais caro que eu já fiz na minha cozinha -, mas para quem usa muito vale a pena.


*Menção especial para o apetrecho que eu uso mas tenho vergonha de admitir: medidor de macarrão. Sim, porque eu sempre, SEMPRE erro a medida do macarrão. No começo eu errava para menos, mas na tentativa de corrigir o erro passei a errar para mais - eu sei, tem algo errado comigo. Felizmente eu não preciso procurar ajuda profissional já que inventaram esse troço para medir macarrão. É só passar o espaguete pelos buracos indicadores (para uma, duas ou quatro pessoas) e pronto! Só que com o tempo aprendi que essa medida é ideal apenas para pessoas de apetite moderado, ou seja, tenho que usar a medida para três pessoas quando é meu marido quem vai comer.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Hollywood cocktails

Confesso que comprei o livro mais por causa das fotos - takes lindíssimos dos filmes dos anos 50 que eu adoro - do que dos drinks. Mas, por outro lado, o que seriam dos clássicos do cinema norte-americano sem a famosa hora do cocktail? Pense bem: quase todo filme daquela época tem pelo menos uma cena em que alguém beberica, prepara ou fala sobre alguma bebida, com mais naturalidade e menos frescura do que hoje em dia.

O livro "Hollywood Cocktails", de Tobias Steed, é recheado de fotos em preto e branco de filmes inesquecíveis e receitas para drinks igualmente classudos - dry martini, rusty nail, brandy alexander, shirley temple, bloody mary. Cada cocktail vem com a receita e uma explicação: ou eles foram usados no filme, em alguma cena específica, ou foram inspirados por ele ou eram as bebibas preferidas das estrelas da época. Tudo o que você precisa saber para servir um drink ao estilo Hollywoodiano.





sábado, 6 de setembro de 2008

O co-autor da minha tese



Gaston parece que adivinha os momentos em que meu corpo, seguido de perto pela mente, não aguentam mais trabalhar nessa bendita tese. Todos os dias, meu fiel e paciente companheiro de estudos, movido, talvez, por ciúme dos livros aos quais me dedico por horas a fio, sai do seu lugar cativo na janela e senta-se bem em cima do que quer que eu esteja lendo. Deleuze, Ricoeur e Genette já devem estar espirrando de tanto pêlo solto entre suas páginas. Sem a menor cerimônia, ele me olha com essa cara de "chega de estudar, agora é hora de cuidar de mim!". E quem é que resiste? Eu tomo isso como um sinal bemvindo de que é mesmo hora de dar uma pausa.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fleurs d'ail


Com flores de verdade!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Inseparáveis

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Como passar manteiga no milho

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ovos poché (a versão preguiçosa)

Me diverti muito lendo o manual da Ana Elisa para fazer ovos poché, porque eu também sofria deste mal de amar ovos desse jeito mas não ser craque em fazê-los. Só que ao invés de dominar a técnica correta, como ela fez, eu terminei comprando essas simpáticas forminhas de silicone que prometiam ovos poché perfeitos toda vez. Eu não sou a maior adepta de bugigangas desnecessárias na cozinha, mas não resisti ao olhar pidão meio vesgo do pintinho (nem à promessa de ovos perfeitos toda vez). Daí que comprei dois poachies e esperei um dia de fim de semana para testá-los.




A melhor coisa do poachie é que ele termina com a insegurança de ter que quebrar os ovos diretamente sobre a água fervente. Não sei vocês, mas toda vez que eu ia fazer ovos poché do modo tradicional eu ficava alguns segundos parada com o ovo na mão, olhando para a panela de água fervente e me perguntando "é assim mesmo?". Toda vez. Com o poachie você quebra o ovo dentro do recipiente de silicone e o coloca para flutuar na água fervente, depois tampa a panela. O ovo então cozinha no vapor, e não diretamente na água como no modo tradicional.

Parece muito simples, mas vou logo dizendo que foram precisas três tentativas para eu conseguir um ovo perfeito (funciona toda vez uma ova...). Da primeira vez eu deixei o poachie virar e o ovo ficou metade na água, metade na forma de silicone. Com mais cuidado e ajuda de uma escumadeira, fui para o ovo número dois, que cozinhou exatos sete minutos. Eu podia jurar que a clara ainda estava mole demais, mas quando retirei o poachie da água vi que não só a clara, mas a gema também estava dura e isso para mim é um dealbreaker quando se trata de ovo poché.

Para a tentativa número três, deixei o ovo cozinhar em menos água por menos tempo (exatos quatro minutos). O ovo ficou com uma consistência ideal: gema mole coberta por uma camada de clara cozida, mas não dura. Tá, mas como é que eu tiro o ovo da forma? Fiz como se estivesse desenformando uma panna cotta, passando a lâmina de uma faquinha pelos lados até o fundo se desgrudar de uma só vez. Et voilà! Saiu uma rodelinha perfeita de ovo poché diretamente em cima da torrada.

Tudo bem que aquele círculo geometricamente perfeito não parecia lá com alguma coisa que tenha saído de uma galinha, mas o que importa é que ficou bom. Deu trabalho no início, mas considero isso natural quando se está lidando com um equipamento novo. Uma vez dominadas as suas particularidades, cheguei à equação (panela grande com 1/3 de água fervente + escumadeira para ajudar + quatro minutos cravados + faquinha para desenformar) que me garante, sim, um ovo poché perfeito toda vez. Se tudo isso valeu a pena ainda não sei, mas continuo achando o pintinho vesgo uma graça.

domingo, 29 de junho de 2008

More news from the porch

Meu pé de coentro cresceu tanto que já criou seu próprio ecosistema :-)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tudo orgânico

A blusa era uma gracinha e estava na promoção, mas o que me convenceu mesmo foi a etiqueta. "O algodão usado para fabricar esta roupa foi criado através de métodos certificados orgânicos. Comprar uma peça de roupa orgânica ajuda a proteger o meio ambiente, uma boa forma de combinar moda e consciência ecológica". Essa era a desculpa que eu precisava para comprar sem culpa (tisc)!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Comendo em Paris


O filme não era nada de maravilhoso - Ingrid Bergman presa num triângulo amoroso com um francês galinha (quase um pleonasmo, pelo menos no cinema) e um moço mais jovem (vivido por Anthony Perkins, que depois de Psicose sempre terá um ar disturbing pra mim). Mas, como o filme se passava em Paris, claro que comida tinha um papel importantíssimo. Sim, porque mesmo os corações despedaçados têm um apetite... Então entre uma discussão e outra, "Vamos sair para jantar? Sim, aonde? Que tal o Escargot? Será que conseguimos uma mesa sem reserva?". Impressionou-me o tempo gasto com detalhes aparentemente dispensáveis deste tipo, e fiquei me perguntando se os nomes dos restaurantes não seriam mesmo verídicos. É capaz de serem. E eles sentam no restaurante, olham cardápio, pedem caviar e blinis, chamam o sommelier e assim por diante. Quando o Tony Perkins finalmente seduz a Ingrid Bergman, não tem cena de sexo, mas tem ele fazendo um sanduíche depois e perguntando "cadê a manteiga"...nada mais francês.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Gangsta gourmet

Depois de ver as coisas sérias que o Michael Pollan diz no youtube, você pode se divertir com este outro programa sensacional. Um rapper chamado Coolio criou uma série de programas que imita os celebrity chefs da televisão, só que com seu próprio estilo gangsta. Para explicar melhor como isso funciona, basta dizer que o sal e a pimenta vêm em pacotinhos pra lá de suspeitos. Cortando os tomates para a salada caprese, ele diz com certo orgulho que sabe manejar facas e pistolas. Isso sem falar nos jargões que já pegaram aqui em casa: "I'm gonna teach your ass how to cook!", ou "You can crush your own tomatoes, but I ain't got time for that shit"! É claro que é tudo brincadeira, e as receitas nem parecem boas, mas achei engraçadíssimo. E ele ainda promete dar um pimentão autografado para o fã que enviar o melhor vídeo para o programa.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Batatas-dedinho

Não pude resistir quando bati os olhos e tive que trazer para casa um saco dessas fingerling potatoes, assim chamadas porque, adivinhem, têm o tamanho e formato de dedinhos: uns mais finos e compridos, outros pequenos e gordinhos, uns tão perfeitinhos que dão até pena de comer, outros mais curvados e esquisitos...

Estas aí estão temperadas com azeite, sal, pimenta e alecrim e esperando para serem não-fritas no forno. As batatas-dedinho, além de bonitinhas, são candidatas ideais para serem assadas, pois basta cortá-las pela metade e temperar, não precisa descascar nem se preocupar em cortar em tamanhos iguais, e também por serem menores ficam prontas bem rapidinho.