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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Iogurte "estilo grego" em casa


Não pude deixar de notar que, ultimamente, as gôndolas dos supermercados (e seus respectivos comerciais na televisão) foram invadidas pela "novidade" do iogurte estilo grego, que já é velho conhecido em outras partes do mundo. Trata-se de um iogurte mais concentrado, com maior teor de gordura e menos líquido que o tradicional. Delicioso e ótimo para fazer molhos mais encorpados.

O problema, como sempre, é que os industrializados vêm todos já adoçados e cheios de conservantes e outros aditivos impronunciáveis. Uma besteira, já que é tão fácil fazer o iogurte natural de todo dia virar um rico e cremoso iogurte "estilo grego" em casa.

Basta colocar o iogurte natural num paninho bem fino (eu uso um filtro de café que comprei exclusivamente para isso, mas pode ser uma fralda de pano limpa) e deixar dentro de um outro recipiente para conter o líquido. Deixe na geladeira de um dia para outro.

No dia seguinte, voilà, o líquido terá escorrido para o recipiente e o iogurte estará bem mais cremoso e concentrado. Quanto mais tempo ficar na geladeira, mais concentrado e gostoso ele fica. Você pode usar para fazer molhinhos de salada interessantes, misturar com limão e fazer creme azedo, substituir o cream cheese, ou comer como iogurte mesmo, misturado com frutas e um fiozinho de mel.


O da foto acima eu misturei com uma polpinha de morangos amassados para Marcel (da*****inho uma ova!)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Peixe thai prático


Finalmente realizei um sonho antigo de cozinheira: fazer amizade com um bom peixeiro. Ainda não estamos íntimos, mas grudei com todas as minhas forças no funcionário mais simpático de um dos boxes da Ceasinha do Rio Vermelho, que tem me ajudado muito nesta tarefa complicada de comprar pescados de boa procedência em Salvador. Embora moremos numa cidade litorânea, a maioria dos peixes à venda por aqui é congelada e/ou vem de outras águas e sofrem muito com o transporte.

E eu, que não entendo lhufas dos nomes e espécies de peixes (há pouco tempo eu nem sequer comia peixe), sempre ficava perplexa diante da enorme variedade exposta nas peixarias da Ceasinha e terminava desistindo. Precisava de ajuda profissinal. Pois o senhorzinho simpático me indicou e eu prontamente levei para casa duas belas postas de pescada amarela, embrulhadas no jornal de ontem e fresquinhas como deveriam ser. No caminho vim pensando em mil maneiras de prepara-las.

No entanto, quando cheguei em casa vi que o tempo para preparar o almoço já estava curto e precisaria agir rápido. Nada de pesquisar receita nova. Decidi pegar uma receita de frango thai que costumo fazer e simplificar ao extremo. Fiz o seguinte: coloquei as postas num refratário de louça, temperei com suco de limão, sal, pimenta do reino e salsinha e cebolinha picadas. Numa vasilha, misturei um vidrinho de meio litro leite de coco com duas colheres de sopa de curry amarelo tailandês (uso um da marca Roland, que não tem conservantes nem msg), joguei por cima do peixe e enfeitei com fatias de tomates e castanhas. Trinta minutos de forno e a casa estava cheirando maravilhosamente bem.


Poucas vezes eu vi ou fiz um prato tão simples e de resultado tão impressionante, tanto no visual quanto no sabor - o peixe simplesmente desmanchou no molho que ficou picante, mas não muito, e extremamente saboroso. Comemos com arroz branco e a saladinha de pepino da qual falei aqui. Mal posso esperar por minha próxima visita à peixaria.

sábado, 20 de outubro de 2012

Salada oriental de pepino

Quando morávamos em Montreal, costumávamos frequentar um restaurante japonês que servia de entrada uma saladinha de pepino maravilhosa, à base de gengibre e óleo de gergelim. Tinha um gostinho de conserva bem suave, mas ao mesmo tempo era fresca e refrescante. Era a única ocasião em que via meu marido comer pepino com gosto, já que ele, ao contrário de mim, não é lá muito fã do (pausa para pesquisar se pepino é legume, verdura ou fruta) legume.

Já havia tentado replicar em casa o sabor daquela saladinha algumas vezes, sem sucesso. O gosto do gengibre ralado fresco era sempre forte demais. Até que um dia comprei um vidrinho de gengibre em conserva para comer com sushi, e tive um estalo - vou usar no molho da salada! Deu muito certo, já que o sabor da conserva do gengibre é bastante sutil, e contrastou com o frescor natural do pepino cortado em fatias bem fininhas. Adoro quando consigo reproduzir um prato de memória, ainda que com algumas pequenas diferenças...


Salada oriental de pepino


- Um pepino grande cortado em fatias bem finas (se ele tiver a casca grossa, convém descascar)
- Alguns pedaços de gengibre em conserva (neste caso, não recomendo usar o gengibre fresco)
- Uma colher de chá de óleo vegetal (qualquer um que não tenha gosto)
- Uma colher de chá de açúcar demerara
- Uma colher de chá de óleo de gergelim torrado
- Suco de um limão taiti
- Sal e pimenta à gosto
- Gergelim torrado para enfeitar

Pique as fatias do gengibre até virar uma pasta e joque num pilão com os óleos, o açúcar e o suco de limão. Macere com o socador até que tudo esteja bem incorporado. Misture ao pepino fatiado, tempere com sal e pimenta e deixe por alguns minutos (o pepino soltará líquido e transformará a pasta num molho). Fica bem como entradinha ou acompanhamento para pratos asiáticos/thai, etc.




terça-feira, 3 de maio de 2011

Salada com croutons de queijo grelhado


Sem que eu percebesse, surgiu mais uma postagem na qual estrela um queijo local. Veio parar aqui em casa um pedaço de queijo vindo do interior do Estado, por aqui chamado de requeijão, embora seja consistente como um queijo de Minas e não como o cremoso comprado pronto. Pode ser comido in natura, mas fica excelente grelhado, pois não derrete tão fácil e tem um sabor leve e fresco.

Imediatamente me lembrei de uma salada que leva um queijo grego (halloumi) grelhado. O sabor é bem diferente (o halloumi é feito de leite de cabra e ovelha, bem mais salgado), mas a textura haveria de funcionar. Grelhei os pedacinhos de requeijão na frigideira sem nenhum óleo, até ficarem dourados. Depois foi só misturar com uma saladinha de folhas verdes, tomate, milho e azeitonas picadas. O queijo fez as vezes de proteína e croutons ao mesmo tempo, ficou excelente.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tortinha de tomate com queijo de cabra daqui


Sou a primeira a admitir que às vezes me deixo abater por uma nostalgia muito grande das coisas do Canadá (afinal, foi lá que eu descobri de fato a comida, por isso a ligação afetiva é e sempre será muito forte). Sinto falta dos ingredientes de primeira qualidade, da fazenda orgânica a que tinha acesso, da feirinha 24h do lado de casa, dos restaurantes ótimos e baratos, etc.

Também admito que não é nada legal ficar reclamando e chorando por águas passadas. Assim a gente corre sério risco de não perceber as coisas boas que estão bem debaixo dos nossos narizes. Como um pedaço de queijo de cabra produzido aqui mesmo, na Bahia, que encontrei outro dia na Ceasa do Rio Vermelho. Não é o queijo de cabra que conheci em Montreal, de sabor muito forte e consistência macia. Este parece mais um queijo frescal, tem sabor sutil, embora marcante, e derrete que é uma maravilha.

Usei este queijo para coroar umas tortinhas de tomate que ficam muito bem como entrada ou jantar leve, acompanhadas por uma saladinha verde. Peguei um pedaço de massa folhada congelada, cortei uma rodela que regulasse mais ou menos com o tamanho do meu tomate, e pré-assei por alguns minutinhos (só o suficiente para começar a dourar).

Depois pincelei a massa com um tantinho de nada de mostarda Dijon, coloquei a fatia de tomate (temperado com sal e pimenta do reino) e o pedaço de queijo de cabra por cima. De volta ao forno por mais alguns minutinhos para terminar de assar, amolecer o tomate e derreter o queijo. Servi com um fio de vinagre balsâmico reduzido (receita aqui).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pão com abacate (orgânicos)


Demorou, mas finalmente achei uma boa fonte de produtos orgânicos aqui em Salvador. A pequena barraca (que tem o singelo nome de "Sítio da Vovó") fica em plena Ceasa do Rio Vermelho e, se é verdade que ela não consegue fazer concorrência com os produtos importados e cuidadosamente dispostos das barracas com maior infra-estrutura, ganha fácil fácil em matéria de simpatia e disponibilidade por parte dos donos, uma dupla de pai e filho que traz diariamente os produtos da fazenda que fica nos arredores de Salvador.

Como se trata de um negócio pequeno, familiar mesmo, nem sempre ele tem uma variedade enorme de coisas, mas eu já estava acostumada com isso quando participei da cesta orgânica lá em Montreal - faz parte do negócio, e se me perguntarem digo que é um preço pequeno a se pagar pelas coisas boas que você consegue. Esta semana, por exemplo, enchi minha sacola com tomates-cereja recém colhidos e dois abacates lindos de morrer.

Já faz tempo que estava com vontade de comer alguma coisa com abacate, então foi só esperar alguns dias para que eles estivessem maduros e fazer essa saladinha simples para comer com pão. Grelhei os abacates e os cortei em pedaços, juntei os tomatinhos partidos ao meio, meia cebola roxa fatiada no mandoline, muitas folhas de manjericão (também da fazenda) e umas colheres de milho. Temperei com suco de limão, sal, pimenta e muito azeite. Depois foi só equilibrar tudo em cima de fatias de pão torrado e nhac!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sopa fria de tomates



Sou novata em matéria de sopas frias - confesso que ainda acho a ideia um pouco estranha, e não ajuda em nada o fato de ter tentado uma ou outra receita que fracassaram miseravelmente. Entretanto, com o calor que tem feito por aqui ultimamente, qualquer coisa soa melhor do que a possibilidade de derreter em suor mexendo um panelão de sopa quente e, pior ainda, suar mais um pouco tomando a bendita. Diante destas circunstâncias, sopa fria é o que vai ser.

Pesquisando algumas receitas, descobri que existem basicamente duas técnicas de sopas frias: as que são cozidas e depois resfriadas (aliás, muitas sopas, principalmente os cremes de legumes, podem ser servidas quentes ou frias), e as que não são cozidas, mas apenas batidas e refrigeradas. É o caso do famoso gazpacho espanhol, que sempre me faz lembrar de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e o gazpacho que a personagem de Carmen Maura faz "temperado" com um vidro de tranquilizantes.

As sopas frias não-cozidas, por razões mais do que evidentes, são as mais fáceis e práticas de preparar nos dias de calor. Terminei optando por uma sopa fria de tomates que se parece bastante com o gazpacho, com a diferença de levar vinagre balsâmico e não levar pepinos nem pimentão. Servi como entrada, mas considero perfeitamente apropriada para um lanche leve, principalmente se for acompanhada por um belo pão rústico torrado.

Sopa fria de tomates
Receita adaptada do livro Soup Bible, da editora Penguin


- 1 quilo de tomates maduros
- 2 dentes de alho
- 1/4 de xícara de vinagre balsâmico
- 1 colher de chá de sal
- 2/3 de xícara de azeite de oliva extra-virgem
- 2 a 3 fios de açafrão (*opcional)

Modo de preparo: corte os tomates em pedaços (não é preciso tirar as peles nem as sementes). Coloque-os no liquidificador com o alho, o vinagre, o açafrão e o sal. Bata bem por alguns minutos. Vá acrescentando o azeite aos poucos pelo buraco na tampa do liquidificador, até que tudo esteja bem incorporado e emulsificado. Deixe esfriar por algumas horas antes de servir.

A sopa fica ainda mais encorpada depois de refrigerada, por isso eu bati novamente com um pouco de água para ficar na cremosidade ideal. Se você quiser seguir à risca o tema espanhol, o livro sugere servir a sopa com lascas de presunto parma e pedaços de ovo cozido. Eu fui de fatias de amêndoas torradas e folhas de mangericão fresco.

Para quem torcia o nariz para sopas frias, eu adorei o resultado. A sopa é realmente facílima de fazer - aliás, o quão difícil é bater um punhado de tomates com alguns temperos no liquidificador? Muito mais fácil do que esquentar uma comida congelada no microondas, disso eu tenho certeza - e o sabor dos tomates fica ainda mais intenso do que numa sopa quente. A dica está em escolher tomates bem maduros e usar o melhor azeite extra virgem que você tiver em casa. Afinal, como estes ingredientes não serão cozidos, é bom que eles tenham o melhor sabor já de cara.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A vida íntima da quiche



Fiquei tão traumatizada com minhas tentativas frustradas de fazer pâte brisée no calor do verão baiano que terminei riscando quiches do meu cardápio - um tanto precipitadamente, confesso.

Um dia desses me dei conta, como se fosse assim uma grande revelação, que "hum, até que não está mais fazendo tanto calor... na verdade, está fazendo até um friozinho. Ei, agora posso fazer uma quiche sem derreter a manteiga e destruir a massa!". Dã, como não pensei nisso antes?

Quiche é o que teremos para o lanche então.


A pâte brisée começa com uma xícara e 1/4 de farinha de trigo e umas 120 gramas de manteiga bem fria cortada em pedaços.


Junte uma pitada de sal e bote a batedeira para trabalhar até que os pedacinhos de manteiga estejam do tamanho de ervilhas. Isso pode ser feito na mão também, a menos que você more num lugar quente, muito quente. Mãos suadas e manteiga gelada não combinam.


No meio de tudo, um ovo. É ele quem dá a liga, sempre.


Quando a massa estiver misturada, faça uma bola, cubra com papel filme e deixe na geladeira por meia hora. Depois é só abrir a massa com a ajuda de um rolo e cobrir uma forma de fundo falso. O fato de não estar fazendo um calor miserável ajuda e muito nesta hora.

É importante também fazer furinhos no fundo e pré-assar a massa (coberta com um papel alumínio) por uns dez minutos antes de colocar o recheio, senão ela encolhe e faz bolhas. E não queremos isso, não é?


Para o recheio desta quiche, coloquei pedaços de tomate, queijo mozzarela ralado, azeitonas, orégano e manjericão. Três vivas para os restos de pizza que estavam na geladeira!

O creme é feito misturando meia xícara de creme de leite fresco, meia xícara de leite integral e três ovos. Depois é só levar de volta ao forno por uns 35-40 minutos, até o recheio ficar firme e dourado em cima.

Infelizmente não tenho fotos destas últimas etapas, pois fiz tudo isso enquanto falava ao telefone com minha mãe. Ninguém é perfeito, afinal. Mas essa quiche até que chegou bem pertinho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Uma galinha por semana


Tenho falado para meus amigos que estão morando sozinhos e/ou começando a cozinhar que uma das maneiras mais simples e baratas de garantir refeições para a semana inteira começa com uma galinha. Toda semana eu cozinho uma galinha (inteira, ou só o peito com osso) em dois litros de água com cebola, alho, cenoura, salsão, uma folha de louro e uns grãos de pimenta.

Depois de uma hora eu retiro o frango e descarto os aromáticos. Com o caldo, posso fazer risotos, sopas, molhos. Com a carne, posso desfiar e deixar na geladeira para fazer sanduíches, colocar na salada, no molho de macarrão, fazer um salpicão, quiche, torta, enfim, são inúmeras as possibilidades. O melhor é que tudo está a meio caminho andado, assim não tem preguiça.

Eu posso ainda, simplesmente, juntar os dois - caldo e carne - e fazer uma bela canja. Para essa da foto, que foi bem simplezinha, eu cozinhei a galinha como sempre e depois, em outra panela, dourei novamente cebola, alho e cenoura. Temperei com sal, pimenta e orégano, depois juntei a carne de frango já desfiada, coloquei uma xícara de vinho branco, deixei evaporar, juntei o caldo que havia acabado de cozinhar e deixei ferver. Depois juntei sobras de um arroz pronto e servi com pão tostado.

É claro que essa técnica da galinha vale também para um frango assado, seja em casa ou comprado pronto. Neste caso, faço o contrário: desfio o que sobrou da carne para guardar e faço o caldo com a carcaça da galinha assada. A ideia é, além de facilitar a vida, aproveitar ao máximo o que a galinha pode nos dar (a morte não pode ser em vão, como diz Neide Rigo).

terça-feira, 30 de março de 2010

Maionese caseira (e um salpicão de quebra)


Tenho algo a confessar: há muitos anos eu não ficava tão ocupada a ponto de não ter tempo para cozinhar - ih, esquece cozinhar, estou sem tempo até para comer... Nem no auge do doutorado isso aconteceu, mas agora que estou ensinando a situação ficou periclitante. Todos dizem que é falta de prática, e quando pegar o ritmo da preparação de aulas e avaliações minha rotina vai voltar ao normal. Eu espero que seja isso mesmo, porque a verdade é que tenho me sentido culpada toda vez que tenho que apelar para um sanduíche feito às pressas ou comida pronta de restaurante.

Deve ter sido por isso que no primeiro dia em que eu tive um tempinho de sobra me deu vontade de fazer alguma coisa que eu nunca tinha feito antes, e que é geralmente considerada difícil e trabalhosa: maionese caseira. Descobri que só é trabalhosa para quem faz à mão (e quem faz é meu herói), porque com o mixer de imersão ou processador a coisa vai bem mais fácil. De qualquer modo dá um trabalhinho sim, e eu recomendo apenas para aquela receita onde a maionese fará toda a diferença, como numa salada de batatas ou neste salpicão de frango.


Maionese caseira (receita do Mark Bittman, How to Cook Everything Vegetarian):

- uma gema de ovo
- uma xícara de óleo vegetal (o mais neutro possível, azeite fica muito forte)
- duas colheres de chá de mostarda Dijon
- uma colher de sopa de suco de limão ou vinagre
- sal e pimenta à gosto

Coloque a gema e a mostarda no fundo de uma vasilha e bata bem até começar a ficar aerado. Vá incorporando o óleo BEM aos pouquinhos (usar um dosador é uma boa pedida), batendo sempre até que tudo esteja bem incorporado. É importantíssimo incorporar o óleo aos poucos, especialmente no início, porque é isso que impede que a maionese separe. Quando ela começar a ficar bem grossa e consistente pode aumentar o fluxo de óleo. Quando estiver tudo incorporado e sem perigo de separar, coloque o suco de limão ou vinagre e tempere com sal e pimenta à gosto. O Bittman diz que ela se conserva em geladeira por até uma semana.

Salpicão de frango:

Para o salpicão, fui apenas juntando ingredientes disponíveis: um peito de frango cozido e cortado em cubinhos, uma cenoura ralada, uma maçã e um pimentão vermelho cortados em cubinhos, meia lata de milho verde. Fiz um molho misturando meia xícara da maionese caseira com meia xícara de creme de leite, misturei bem e deixei na geladeira por uma hora antes de servir. Servi bem frio com batata palha (essa sim comprada pronta, que eu não sou de ferro). Ficou uma delícia.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Omelete + salada = almoço


Se você tem ovos na geladeira, você pode ter um almoço pronto em menos tempo ("jantar em meio minuto", já dizia Julia Child) do que leva para fazer um miojo, e muito mais saudável. Muita gente associa ovos apenas ao café da manhã, mas a verdade é que uma omelete pode perfeitamente servir como um almoço ou jantar, principalmente se for complementada por uma saladinha verde.

Sempre que estou com preguiça de cozinhar, com a geladeira vazia ou sem idéias eu recorro a esta combinação de omelete com salada, e acho que não existe no mundo uma refeição mais rápida e fácil do que esta. Se a fome for muita, a omelete pode ser recheada com queijo e presunto, restos de legumes cozidos, tomates, cogumelos, o que tiver à disposição. A técnica é aquela mesma da Julia Child que eu já falei por aqui, e funciona sempre.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Só para variar...

...coloquei macarrão de letrinha na tradicional sopa de lentilhas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Legumes com hummus caseiro

Tudo começou com a idéia de fazer uma bela salada niçoise, aquela cujos ingredientes vem separadinhos no prato para que cada um faça a composição que quiser. Foi só ao abrir a geladeira que me dei conta de que não tinha à mão os ingredientes típicos de Nice - havia ovos e vagens, mas não tomates ou azeitonas, muito menos batatas e atum.

Eu, no entanto, estava decidida a continuar com a idéia da salada, mesmo que fosse apenas isso, uma idéia. Peguei couve-flor e cozinhei no vapor junto com as vagens até que ficassem al dente. Cortei um pedaço de pimentão vermelho em tirinhas. Cozinhei um ovo por exatos oito minutos (o número mágico do Jaques Pepin para cozinhar ovos sem que eles fiquem moles demais ou duros demais, com aquela camada cinza ao redor da gema). Depois arrumei tudo num prato.


E, já que estava saindo do tema francês, porque não pegar um desvio para o oriente médio e preparar um molho árabe para comer com os legumes? Foi assim que decidi finalmente abrir a latinha de tahine que estava há meses na despensa e preparar um hummus básico - que, por sinal, é tão fácil e gostoso que me fez arrepender-me de todas as vezes em que comprei este molho pronto.


Para fazer o hummus, eu usei uma lata de grão de bico (esta é uma das poucas vezes em que o produto enlatado é melhor do que o fresco, já que ele perdeu mesmo a textura e o que queremos é uma pasta macia), um dente de alho, suco de um limão, 1/3 de xícara de tahine (pasta de semente de gergelim tostada), sal, pimenta do reino e azeite de oliva à gosto. Bati tudo no processador até virar uma pasta homogênea e fui acrescentando água até ficar na consistência desejada. Rendeu umas duas xícaras.


Eu comi o meu hummus junto com os legumes, mas ele fica ótimo também com pão pita, claro, e outras comidinhas do oriente médio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tortinha de tomate para dias de muito calor


Com o calor que tem feito por aqui, é praticamente impossível ficar à beira do fogão na hora do almoço. Por isso instituí uma rotina de só comer saladas, pratos crus ou sobras do jantar anterior ao meio-dia, e deixar os pratos mais calientes para a noite.

Quebrei um pouco as regras com essa tortinha de tomate, que precisou do forno para ser assada. Mas o processo todo foi tão rápido e fácil que não provocou uma gota sequer de suor, e isso é o que importa nessas horas. Tudo o que fiz foi pegar um quadradinho de massa folheada descongelada de véspera, espalhar um pouco de mostarda em grãos por cima e alternar fatias de tomate maduro e queijo minas.

Depois temperei tudo com pimenta do reino, sal marinho e sal defumado, orégano, manjericão e um fio de azeite. Em quinze minutos no forno médio (nem precisa ficar na cozinha nessa hora) e estava pronta. Comi com uma saladinha verde temperada na hora.

sábado, 24 de outubro de 2009

Salada de sábado


Acordamos tarde, sem apetite nem energias para um almoço de verdade, então fui preparar uma saladinha leve. Mas tinha que ser daquelas que você não planeja muito, vai tirando o que tem na geladeira e combinando, sabe? Então peguei folhas de alface que sempre estão lavadas e guardadas na geladeira e completei com tomates maduros, um pedaço de queijo minas que ia estragar se não usasse logo, e uma manga surrupiada das quatro que havia comprado para fazer um sorvete.

Cortei tudo em tirinhas mais ou menos do mesmo tamanho. O alface foi temperado com um molho vinagrete básico que também sempre deixo pronto na geladeira; o tomate e o queijo foram temperados isoladamente com azeite, sal, pimenta e orégano; a manga foi pura e doce mesmo. Depois juntei tudo e finalizei com castanhas de caju torradas e um pouco de sal defumado. Ficou leve, gostosa, colorida e não precisei nem chegar perto do fogão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Salada caprese


Comemos uma salada caprese tão boa em Vermont que eu voltei com vontade de repetir todos os dias. Todo mundo sabe que não há nada de complicado na salada caprese. Muito pelo contrário, os ingredientes são bem simples, apenas tomates maduros, mozzarela fresca e manjericão.

Aliás, quando se lida com ingredientes assim tão mínimos, vale apostar na riqueza dos detalhes: usei os tomates do Quebec mais bonitos que encontrei, manjericão da minha varanda, mozzarela de búfala, e temperei tudo com uma mistura de flor de sal e sal defumado, bastante pimenta do reino, azeite de oliva honesto e um fiozinho de vinagre de vinho do porto. E voilà! Uma perfeição de salada.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

101 saladas

Foto: New York Times

O minimalista Mark Bittman, autor e colunista do New York Times, está sempre produzindo ótimas listas de receitas. No verão do ano passado ele sugeriu 101 idéias para pique niques, e este ano ele vem com 101 saladas. O mais legal das idéias do Bittman é que elas são isso mesmo: idéias simples que você pode mudar e adaptar de acordo com o que tiver à disposição ou suas preferências. Neste dias calorentos em que simplesmente ligar o forno parece impensável, essa listinha veio mesmo a calhar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Meu primeiro peixe (Tilápia meunière)

Pois bem. Quem acompanha este blog sabe que eu venho tentando vencer meus principais preconceitos gastronômicos, pelo menos aqueles mais superficiais (continuo sem comer crustáceos e banana, meus dois piores pavores culinários). Com ajuda do bom senso e inspiração de alguns livros, venho tendo sucesso. Michael Pollan e seu "Dilema do Onívoro", por exemplo, me fizeram gostar de cogumelos.

Agora foi a vez de Julia Child, que virou minha musa depois que eu li "My Life in France", que narra os anos que ela passou na França e durante os quais ela se apaixonou pela arte culinária. O mesmo aconteceu com a Julie Powell, cujo blog-que-virou-livro-que-virou-filme está para se transformar em fenômeno de audiência em algumas semanas. Apesar de não ter lido o livro da Julie (preferi ir direto na fonte), não me admira o fato dela ter encontrado em Julia uma grande fonte de inspiração.

Lendo a descrição da primeira refeição de Julia na França, é impossível não se deixar levar pelas sensações e sentimentos tão bem narrados no livro. Ao aportar em Rouen, capital da Normandia, Paul e Julia sentaram num restaurante simples e comeram uma refeição de ostras frescas, sole meunière, salada verde e queijos franceses. Anos depois, Julia ainda se referia a esta refeição como uma espécie de revelação culinária.

Foi essa descrição, junto com o poder de persuasão do meu marido, que me fizeram tentar reproduzir o sole meunière. Até então, o único peixe que eu encarava sem medo era o salmão, porque não tem aquele gosto de mar que me aterroriza tanto. No entanto, eu fiz algumas alterações na receita original, começando pelo peixe. Troquei o sole (não sei o nome em português, me desculpem) pela tilápia, que estava fresca no mercado, e troquei a salsinha pelo manjericão porque sim.


Para fazer o peixe meunière, você precisa de leite e farinha de trigo para empanar, quatro colheres de sopa de manteiga (esta é uma receita de Julia Child, afinal), sal e pimenta, suco de meio limão amarelo, duas colheres de sopa de alcaparras picadas grosseiramente e um punhado de salsinha ou manjericão picados.

Passe os filés de peixe no leite e depois na farinha, que deve ter sido previamente bem temperada com sal e pimenta do reino. Sacuda para tirar o excesso de farinha e coloque os filés para dourar numa frigideira com uma colher de manteiga e um fio de azeite, por não mais que três minutos de cada lado. Reserva o peixe quando estiver dourado dos dois lados e coloque o restante da manteiga, as alcaparras picadas, o suco de limão e as ervas. Quando a manteiga estiver derretida e dourada, verta sobre os filés de peixe e sirva em seguida.

Devo admitir que qualquer coisa envolta nesse molho de manteiga e alcaparras estaria deliciosa, mas o peixe tinha uma textura especialmente agradável, macio e suculento por dentro e crocante e dourado por fora. Comemos com salada verde, arroz e batatas assadas no forno. "Our first lunch together in France had been absolute perfection. It was the most exciting meal of my life", diz o livro. Agora eu sei porque, Julia.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Torta de aspargos


Tirando a temperatura, três coisas acontecem nesta época do ano que, para mim, simbolizam a chegada da primavera: a primeira é a neve acumulada nas ruas que começa a derreter, revelando uma verdadeira montanha de lixo e pontas de cigarro (sim, é muito feio); a segunda é o som dos passarinhos que voltam de suas férias caribenhas fazendo o maior estardalhaço; e a terceira são os aspargos que começam a aparecer nos mercados cada vez mais verdes, em maior abundância, e mais baratos. Depois de ter vivido aqui, aspargos sempre serão sinônimo de primavera para mim.


Para comemorar a nova estação, comprei uma bandejinha deles e fiz uma adaptação de uma torta que o Ricardo fez na televisão: no programa original ele fez uma torta grande com aspargos verdes e brancos arrumados numa estampa que lembrava uma colcha de retalhos. Ficou lindo. Mas como eu ia comer sozinha, fiz uma versão rasteira só com alguns aspargos verdes.

Primeiro, cortei as bases de uns doze aspargos e coloquei-os em água fervente por dois minutos, depois escorri e reservei. Peguei uma folha de massa folhada e abri com o rolo até ficar retangular. Dobrei as beiradas e fiz furinhos no centro com um garfo. Espalhei cream cheese (a receita original pede sour cream, mas eu não tinha) na base, arrumei os aspargos por cima e levei ao forno alto (400F) por vinte minutos.

Depois quebrei um ovo em cima e levei de volta ao forno por mais dez minutos, só o tempo da clara cozinhar e a gema ficar ainda mole. Temperei com flor de sal, pimenta do reino e comi muito satisfeita com os dez graus que fazem lá fora.

domingo, 8 de março de 2009

Sopa de batata com couve


Esta sopa de batata com couve é um encontro internacional da potage parmentier francesa com o caldo verde português. Deliciosa, e com o bônus de ter vindo da seção "receitas para a saúde" do New York Times.

Todo mundo sabe que a couve, como todas as folhas verde-escuras da família brassica, é muito saudável, rica em fibras, vitaminas e minerais. Mas a verdade é que dá um trabalhão danado separar, lavar e tratar todas essas folhas de uma só vez, e isso termina afugentando muita gente. Durante o verão eu recebia semanalmente um maço pequeno de couve na minha cesta orgânica, de maneira que sempre tinha um pouco dela fresca à mão.

Agora no inverno, tenho achado mais prático fazer assim: compro um mação gigante no mercado a cada quinze dias, lavo folha por folha, cozinho por alguns minutos em água fervente, depois dou aquele choque de água fria, seco bem na centrífuga de salada, separo em dois (ou mais) saquinhos ziploc e coloco no congelador.

Assim tenho couve semi-pronta para usar sempre que quiser (lembrando que, depois de cozida, a couve não serve mais para saladas). Nesta sopa, por exemplo, eu pulei a etapa número 2 pois tirei a minha couve direto do congelador para a panela.

Sopa de batata com couve
(Receita adaptada do caderno Recipes for Health do New York Times)

- 2 colheres de azeite de oliva extra-virgem
- 1 talo grande de alho poró (pode ser substituído por meia cebola grande e dois dentes de alho), bem lavado e picado
- 450g de batatas sem casca cortadas em cubinhos
- 1 folha de louro
- 1 ramo de tomilho
- meio maço de couve (usei kale)
- sal e pimenta à gosto

1. Aqueça o azeite numa panela funda e coloque o alho poró (ou a cebola e o alho) para dourar até ele começar a ficar macio. Coloque as batatas cortadas em cubinhos, o louro e o tomilho, cubra com um litro de água e deixe ferver. Quando ferver, coloque sal e pimenta à gosto, abaixe a temperatura do fogo, cubra a panela e cozinhe por 30-40 minutos, ou até que as batatas estejam despedaçando-se.

2. Enquanto a batata cozinha, retire as folhas da couve dos talos, lave bem e corte as folhas em pedacinhos. O método mais prático consiste em empillhar as folhas, enrolar como um charuto e cortar fatias da grossura desejada.

3. Quando as batatas estiverem cozidas, bata a sopa no liquidificador, food mill ou blender de imersão até ficar um creme. Volte ao fogo, coloque as folhas da couve e deixe cozinhar por mais uns 15 minutos, até a couve ficar macia. Prove e acerte o sal se achar necessário. Sirva quente.