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domingo, 7 de junho de 2009

Acarajé made in Montreal? Oui!


Os baianos que se acumulam em Montreal - com dois casais de amigos que chegaram recentemente - ouviram falar de um lugar que supostamente vendia acarajé autêntico. Mas seria mesmo cem por cento verdadeiro? Eu fui uma das que duvidaram, afinal só conseguir os ingredientes já seria complicado. Mas fomos lá para conferir e vimos que eram, de fato, autênticos, feitos por um brasileiro, fritos no azeite de dendê e servidos com vatapá.

Só os camarões secos que ele preferiu evitar, talvez para agradar ao paladar internacional, trocando por frescos. Se quisesse usar os secos era só dar um pulo em Chinatown. Aliás, qualquer tentativa de reproduzir a culinária brasileira por aqui leva você a uma peregrinação multinacional de lojinhas e mercados portugueses, asiáticos e africanos. Assim se vê como a comida é um troço global.

Sobre os acarajés eu não posso emitir opinião, pois não sou nenhuma especialista no assunto e, para ser sincera, nem gosto do "original", ou seja, aquele servido pelas mãos da baiana na beira da praia. Mas os baianos aprovaram, dizendo que o bolinho não era lá muito crocante mas o vatapá estava muito gostoso. De qualquer modo disseram que serviu para matar a saudade.

Os acarajés estão sendo servidos no restaurante Lelê da Cuca, do simpático senhor Ed. Fica na Rua Marie-Anne Est, número 70, em Montreal.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vou de bixi

Foto: CBC

A cidade de Montreal lançou esta semana o Bixi, sistema de bicicletas públicas modelado ao exemplo de Paris e Lyon, onde já fazem o maior sucesso. Funciona mais ou menos assim: bicicletas especiais (*) ficam estacionadas nos milhares de pontos espalhados pela cidade, e o cidadão cadastrado pode ir lá, pegar uma, pedalar para onde quiser e depois devolver em outro ponto qualquer.

Aqui já existia um sistema parecido, só que com carros (Communauto), mas agora Montreal está querendo transformar-se definitivamente numa cidade eco e bike-friendly, mesmo que isso só seja possível sete meses por ano. Por enquanto só existem pontos no centro da cidade, mas de qualquer maneira eu acho a iniciativa ótima, especialmente se isso ajudar a diminuir o roubo de magrelas, que é o crime número um por aqui. Eu já tive duas roubadas, uma delas semana passada - humpf!

*As biciletas foram concebidas especialmente para o projeto. São totalmente reguláveis, inteiramente feitas de alumínio e possuem um GPS que trava tudo caso algum espertalhão tente levá-la para casa.

domingo, 3 de maio de 2009

Smoothie "anticancer"

Eu detesto a idéia de comer alguma coisa estritamente por razões médicas. Acredito que os alimentos que nos fazem bem na maioria das vezes são também deliciosos, e somente por isso devem ser celebrados. Não sou do time que segue fielmente as últimas modas nutricionais.

Tendo dito isto, fiquei curiosa ao saber que a Universidade de Montreal estava promovendo uma série de workshops sobre nutrição com a participação de nutricionistas e chefs, parte de uma série que visa estimular os estudantes e profissionais a levarem uma vida mais saudável. Escolhi um de alimentos contra o cancer e fui conferir - com o pé atrás, mas fui.

Primeiro, adorei a simpática cozinha/oficina da faculdade de nutrição: cada estação é como uma nini cozinha de apartamento pequeno, com armários, fogão e pia. A nutricionista deu a palestra enquanto a chef fazia as demonstrações, e depois cada um dos ouvintes foi para sua estação tentar reproduzir.


Quanto às informações, achei a palestra bem genérica e não ouvi nada que já não tenha lido por aí - que as frutinhas vermelhas são ótimas para a saúde, assim como os cítricos, tomates e legumes da família das couves. A única novidade para mim foi sobre os temperos: a cúrcuma contem antioxidantes e a pimenta do reino ajuda na absorção dos mesmos.

Quanto às receitas, apenas uma me chamou a atenção: um smoothie de frutinhas vermelhas com tofu cremoso. Quase todas as receitas de smoothie que eu já vi na vida pedem a soma de uma banana para ajudar na cremosidade da batida, e como eu detesto banana nunca havia encontrado um substituto à altura. Reproduzi em casa e adorei o resultado: o tofu macio é cremoso, não tem gosto de nada e - bonus - faz bem para a saúde!


Smoothie "anticancer"

- 1 pacote de 300g gramas de tofu macio
- 2 xícaras (500 ml) de frutinhas vermelhas da sua preferência (usei uma mistura congelada de morangos, framboesas e mirtilos)
- 1/4 de xícara de leite integral ou iogurte
- 1/2 xícara de mel

É só bater tudo no liquidificador, acrescentando mais leite ou iogurte e preferir um smoothie mais líquido. Se usar frutas frescas, lembre-se de acrescentar gelo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

É tempo de flores também


Quanto mais coloridas melhor!

domingo, 26 de abril de 2009

É tempo

De abrir as portas da varanda e dar boas-vindas à primavera.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cabane à sucre Pied de Cochon

Visitar uma cabane à sucre é uma tradição no Québec, principalmente nesta época, quando a seiva é retirada árvores de bordo para fazer o famoso xarope (maple syrup). As cabanas de madeira são montadas nos arredores da cidade e oferecem pratos rústidos, a maioria contendo o xarope de bordo, como sopa de ervilha amarela, feijão cozido com bacon e carnes de caça. Mas é claro que tem também muitas sobremesas feitas com o doce xarope, inclusive uma espécie de pirulito interativo que consiste na pessoa jogar o xarope na neve e esperar que ele endureça.

Eu já estava programando uma visita à uma dessas cabanas quando soube que ninguém menos que Martin Picard, o chef do famoso Pied de Cochon, havia comprado uma cabane à sucre que iria operar durante apenas um mês. Já haviámos estado no Pied de Cochon não faz muito tempo, mas uma oportunidade dessas a gente não pode perder, então juntamos a mesma turma e fizemos reservas.

O lugar:
O ambiente era rústico mas ao mesmo tempo descontraído, com mesas comunais e música animada.

Na cozinha, fogão à lenha que transforma seiva em xarope.

Coelhos e outras carnes penduradas atrás do bar.

Tanque com lagostas vivas. Aqui pode-se ter uma idéia bem clara da filosofia de Martin: não somente ele adora carne, mas ele tem um baita orgulho em oferecer um produto fresco e de qualidade. Dizem até que ele está criando porcos na propriedade.

Dei sorte e consegui roubar uma foto do Martin na cozinha!

A comida:

A cabane à sucre Pied de Cochon ofereceu uma verdadeira mistura dos pratos tradicionais quebequenses com a personalidade extravagante de Martin Picard: na tradicional sopa de ervilhas, por exemplo, tinha cubinhos de foie gras.

Omelete de peixe e carne defumada (único prato que não comi).

Codorna, coelho e galinha d'Angola com polenta e couve de bruxelas.

Feijões cozidos com xarope de bordo e bacon e pato duas maneiras: peito assado e coxas confit.

Teve até um sushi, nada tradicional, de lagosta e pato.

De sobremesa, o famoso "pirulito de bordo".

Bolo alaska: sorvete coberto com suspiros e ligeiramente assado.

domingo, 5 de abril de 2009

Brunch de domingo no Café Byblos


Há pouco mais de um ano, meu marido e eu começamos a sair ocasionalmente aos domingos para comer um brunch, o que não demorou muito para transformar-se numa tradição sagrada. E quem não adora um brunch? Acordar tarde no domingo, ir para um lugar agradável no qual você possa demorar o tempo que quiser, quem sabe ler um jornal, tomar café com leite (de preferência numa vasilha, como os franceses fazem), conversar e se refestelar comendo uma versão reforçada das comidas de café da manhã que você normalmente não come durante a semana (o que, para mim, inclui ovos, bacon e pão).

Na minha opinião, o brunch é a refeição perfeita para se comer fora de casa - afinal, alguém tem que virar as panquecas e cozinhar os ovos, e se o plano é relaxar depois de uma dura semana de trabalho, não sou eu que vou acordar às seis da manhã do domingo para assar muffins. A comida do brunch pode ser simples e facilmente repdoduzível em casa, mas eu pago de muito bom grado para que alguém a faça para mim. Afinal, a graça do brunch está em ser paparicada, não é mesmo?

Um dos nossos lugares favoritos para brunch é o café Byblos, um restaurante persa que oferece um café da manhã exótico - e concorrido: para garantir uma mesa no amplo salão iluminado e muito bem decorado tem que chegar cedo e batalhar na fila com as outras famílias e carrinhos de bebê. Mas vale a pena esperar, pois tudo ali é fresco, feito na hora e com um toque de capricho e exotismo: pão doce com sementes de papoula, suco de frutas com água de rosas, geléias mis (a minha preferida é a de cenoura e flor de laranjeira) e um omelete persa de ovo batido com queijo feta e bastante endro. Essa é minha idéia de um bom domingo!





Petit Café Byblos
1499, Laurier Est, Montréal (Québec)
Tél.: (514) 523-9396

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Kitchen Galerie


O Kitchen Galerie é um restaurante diferente: nele não trabalham garçons, mâitre d', faxineiros, bartenders, enfim, não há nenhum funcionário além dos dois chefs/donos Mathieu Cloutier e Jean-Philippe St-Denis (e três sous-chefs). Quando você chega lá, são eles que te recebem e te levam até sua mesa. São eles que explicam o menu, que muda todos os dias de acordo com os produtos disponíveis no mercado Jean Talon (aliás, não é raro encontrá-los zanzando pelo mercado, que fica pertinho dali). São eles que abrem o vinho, trazem a água e a comida. São eles que tiram a mesa e trazem a conta, e sim, são eles que passam o cartão de crédito na maquininha.

Esse conceito traz, na minha opinião, duas coisas novas na experiência de quem vai ao restaurante: primeiro, acaba com a imagem do chef como alguém distante e inatingível. Já fomos lá três vezes (duas delas com a Fabrícia e o Mohamed) e os chefs, muito simpáticos, nos tratam como amigos íntimos. Segundo, o fato de você estar sendo servido por alguém que não só entende daquilo mas que teve um papel direto na concepção e no preparo do que você está comendo faz você se sentir realmente especial. É como comer na casa de alguém que cozinha muito, mas muito bem.

Aliás, caseira é a palavra perfeita para definir a atmosfera do restaurante. Pequeno, com não mais do que doze mesas e a cozinha, que fica bem no meio, é aberta para todos verem. Também só se prepara um serviço por noite, o que significa que você não tem que sair para ceder sua mesa aos próximos clientes (nós, de fato, quase saímos com os chefs fechando as portas...). A decoração é simples e minimalista, com mesas de madeira sem toalha, cadeiras confortáveis, fotos em preto e branco e algumas panelas de cobre penduradas nas paredes. E a comida é simplesmente deliciosa.

Amouse-bouche: salada de batata com dill e gravlax de salmão.

Filé de cervo com batatas gratinadas e vagens francesas.

Carneiro cozido lentamente com fregola (uma massa pequenina).

O prato-assinatura do restaurante é este filézão da família Flintstones para dois com purê de batatas, legumes e molho de alecrim. Tudo servido no maior prato de louça que eu já vi.

Kitchen Galerie
60 rue Jean-Talon Est
Montréal, QC H2R 1S5, Canada
(514) 315-8994
Website: http://www.kitchengalerie.com/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Braising, ou o melhor e o pior do inverno


Uma das - poucas - coisas boas do inverno rigoroso que temos aqui é a oportunidade de comer cozidos, ensopados e qualquer outro tipo de comida cozida lentamente por horas até que todos os sabores tenham se amalgamado como mágica e a casa esteja cheirando a conforto. Recentemente descobri a técnica do braise, que em português seria algo entre um guisado e um ensopado, ou seja, a técnica de cozinhar um pedaço de carne (ou um legume, porque não?) em pouco líquido até que ela fique desmanchando de tão macia e suculenta.

Tecnicamente, o que diferencia um braise de um ensopado é a carne - o ensopado usa carne cortada em cubinhos, enquanto o braise usa peças maiores e com osso - e o líquido - no braise usa-se líquido apenas até cobrir a carne pela metade, quando no ensopado o líquido cobre a carne por inteiro, fazendo um caldo mais líquido. Mas em ambos a carne deve ser dourada antes de receber o líquido, beneficiando-se tanto do calor seco (quando douramos algo na panela com um fio de óleo) quanto do calor úmido (quando cozinhamos algo submerso em líquido).

Receitas de braise há muitas, umas com carne de vaca, outras com porco, frango ou cordeiro, umas com temperos italianos, outras puxando para o Marrocos ou mesmo para a Ásia, mas eu julgo que o mais importante é dominar a técnica básica e ir mudando os detalhes à gosto. Além das etapas já mencionadas (escolher o corte da carne e dourá-la antes de adicionar o líquido), o resto é apenas uma questão de escolher o líquido (caldo, vinho, cerveja, tomates batidos ou uma combinação de tudo) e os aromáticos (cebola, alho, cenoura, tomates, cogumelos, batatas) e temperos (folhas de louro, alecrim, cravo, anis estrelado se estiver sentindo-se aventureira, e por aí vai).


Darei o exemplo do braise que eu fiz com quatro pernas de carneiro - não as pernonas inteiras, mas as canelas (lamb shanks), onde há uma proporção quase mágica de músculo, carne, gordura e osso. Numa panela bem funda coloquei azeite suficiente para cobrir o fundo. Temperei a carne com sal e pimenta e passei num pouco de farinha (isso ajuda a dourar e a engrossar o molho depois, mas não é obrigatório). Quando o óleo estava bem quente deixei a carne dourar bem (nessas horas ouço a voz do Gordon Ramsay na tevê dizendo "remember: color is flavor").

Enquanto isso, cortei uma cebola, quatro dentes de alho e um talo de aipo em pedacinhos. Quando a carne estava dourada, retirei da panela e coloquei os aromáticos. Quando estes estavam amolecidos, coloquei uma xícara de caldo de galinha e uma xícara de vinho tinto. Lembre-se que o segredo aqui é colocar líquido suficiente para cobrir a carne até a metade, a quantidade exata vai depender da carne e do tamanho da panela. Depois disso eu raspei os queimadinhos do fundo da panela com uma colher de pau e temperei tudo com umas duas folhas de louro, sal, pimenta e alecrim seco. Voltei a carne à panela, tampei e coloquei no forno médio por uma hora.

Depois de uma hora, retirei do forno e acrescentei três cenouras e quatro batatas cortadas em cubos médios e deixei cozinhar por mais uma hora (dessa vez deixei no fogão mesmo, mas pode ser no forno também). Quanto tempo leva para ficar pronto depende, novamente, do tipo de carne e dos legumes. O carneiro levou umas duas horas e meia, enquanto um frango levaria cerca de cinquenta minutos; o único jeito de saber é provando. Quando um garfo inserido no meio da carne conseguir separá-la do osso facilmente, está bom. Se o caldo estiver ainda muito líquido, vale a pena deixar cozinhando por mais alguns minutos sem a tampa para ele reduzir um pouquinho. Eu servi o meu carneiro com couscous (semolina) simplesmente hidratado com água fervente e temperado com sal e pimenta.

Ah, o pior do inverno? Já ia me esquecendo. O pior do inverno, pelo menos no que concerne este blog, é que os dias andam tão curtos que às quatro da tarde já não há luz natural suficiente na cozinha para fotografar nenhum prato. Especialmente um cheio de tons escuros e coisas molhadas e misturadas como este, de maneira que as foto, mesmo tiradas com tripé, encenadas e fotoshopadas, não fazem jus à comida. Paciência.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Au Pied de Cochon

Há quase um ano eu vinha tentando uma reserva no restaurante Au Pied de Cochon, um dos mais celebrados de Montréal, mas sempre alguma coisa dava errado na última hora. O que fazia a minha expectativa em relação ao local crescer no mesmo ritmo em que crescia a reputação do chef Martin Picard. Até que finalmente todas as estrelas se alinharam e conseguimos uma mesa para seis em janeiro, quando os três casais de amigos tinham algo para comemorar: o aniversário do Mohammed, marido da Fabrícia, aniversário da Nadja, esposa do Chris, e meu aniversário de casamento com o Luiz.

Então fomos, em pleno janeiro congelante, para o lugar mais caloroso do hemisfério norte - sim, porque o Au Pied de Cochon é um lugar onde as pessoas se divertem, falam alto, bebem e conversam despreocupadamente até altas horas. Nada de clima romântico ou mesas com toalhas de linho branco. Nada também mais condizente com a persona do chef Martin Picard, conhecido por suas loucuras experimentais na cozinha, por seu amor pelo foie gras e carnes de caça, e por não ligar a mínima para o que diz o manual de como chefs premiados devem se comportar (ele se recusa a usar o avental branco, por exemplo).



Para quem nunca ouviu falar, o Au Pied de Cochon (que em francês significa "no pé do porco") é conhecido por oferecer um vasto menu contendo foie gras - dizem até que o restaurante é o maior consumidor do produto no mundo, o que irrita muitos ambientalistas. Mas aqui o foie gras não é servido do jeito que você está acostumado a ver nos restaurantes franceses, e sim incorporado a pratos populares como cachorro-quente, hamburguer e até a poutine, que é o prato típico quebecois feito de batatas-fritas e queijo fresco cobertos com gravy.

A popular poutine, cuja combinação calórica promete aquecer do frio e curar qualquer ressaca, recebe uma dose generosa de foie gras. Essa mistura de requinte e ironia é a marca registrada do chef Martin Picard.

O menu é uma verdadeira celebração das carnes de caça típicas do Canadá, como pato, bisão, cervo e, claro, porco, todas as partes dele. O pé do porco que dá nome ao restaurante é servido recheado com foie gras. Os pratos são pesados, gordurosos e extravagantes, é verdade, mas o chef não pede desculpas nem faz concessões. Afinal, este não é um restaurante comum, mas sim um lugar onde se vai para, bem, chutar o pau da barraca. Mas isso não quer dizer que não haja requinte, por exemplo, na apresentação dos pratos ou na combinação inusitada de ingredientes.

A Fabrícia pediu um carpaccio de pato servido delicadamente num prato com azeite, cebolinhas e uma gema de ovo.

A costeleta de porco feliz (este é o nome do prato) vem com um molho de cebolas caramelizadas, bacon e outras delícias.

O Champvallon é uma caçarola de cervo, bisão e outras carnes cobertas com fatias finíssimas de batatas e servidas numa panela de barro.



Os churros e bolinhos de bachalhau (sobremesa e entrada, respectivamente) são servidos no melhor estilo botequim, em cones de papel com o logotipo do restaurante.

Um dos pratos mais divertidos é, sem dúvida, o canard em conserve, ou pato na lata. Meio peito de pato, 100g de foie gras, repolho e outros ingredientes são enlatados e cozidos na lata.

Vinte minutos depois o garçom vem com um prato contendo uma torrada e purê de nabo.


Ele então abre a lata na sua frente e...


Despeja o precioso conteúdo sobre o purê e a torrada.

Pato na lata! Uma interpretação deliciosa, audaciosa e criativa da "comida enlatada".

Mas o melhor da noite ainda estava por vir. Quando estávamos no meio do jantar Martin Picard em pessoa aparece no restaurante e começa a ir de mesa em mesa cumprimentando as pessoas. Eu não esperava vê-lo por lá, sabendo que ele é muito ocupado e viaja constantemente, mas a Fá teve um pressentimento e foi preparada, levando consigo uma garrafa da cachaça especialíssima feita artesanalmente por seu pai.


Que melhor jeito para atrair um chef conhecido por ser bon-vivant? Em pouco tempo Martin estava na nossa mesa tomando cachaça e conversando animadamente. Quando ele soube que estávamos comemorando tantas coisas, mandou vir doses de rum e vodka e bebeu conosco.


Se não fossem as calorias e carboidratos ingeridos durante o jantar, acho que não teríamos conseguido voltar para casa!!


Eu não sou uma carnívora aventureira como Martin (não sei se comeria o pé do porco ou um dos pratos com miúdos, por exemplo), nem me sinto confortável comendo foie gras com frequência, mas não há como não admirar a paixão e o envolvimento que existem em seu restaurante. Este é um chef que respeita os animais que serve (sua última "mania" é caçar pessoalmente ou pelo menos supervisionar o mais próximo possível as carnes servidas no restaurante), que não acredita em meio-termo quando se trata de qualidade e que, sobretudo, ama a vida, coisa que se torna palpável em seu restaurante.

Crédito das fotos: Fabrícia Rocha e Luiz Teles.

Mais sobre Martin Picard:
Site do Au Pied de Cochon
Receita da poutine com foie gras
Veja Anthony Bourdain no Au Pied de Cochon

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bouchées Gourmandes


A primeira refeição do ano pode ser complicada. Você quer começar 2009 em grande estilo, mas ao mesmo tempo em que acorda com aquela preguiça mortal de cozinhar, todos os restaurantes da cidade encontram-se fechados e a neve não encoraja ninguém a botar o pé para fora de casa. A não ser, é claro, que você encontre uma dica muito promissora na internet sobre um lugarzinho especial. Foi assim que encontramos o Bouchées Gourmandes, verdadeira jóia escondida entre as montanhas de neve de Outremont.



O Bouchées Gourmandes é um lugarzinho aconchegante comandado por um casal simpático que oferece doces, pães e geléias caseiras, além de um brunch inacreditável. O restaurante costumava funcionar na região histórica da cidade, e quando o boca-a-boca já estava dominando a comunidade foodie montrealense, os donos decidiram fechar e mudar para um local ainda menor no centro da cidade. O prédio ainda não tem nem nome, mas os fogões já estão a todo vapor fabricando gostosuras para a nossa felicidade.


O brunch especial de 1 de janeiro foi um verdadeiro banquete para dois: frutas frescas com queijo cottage, croissant com uma geléia de caramelo e chocolate (tão deliciosa que eu cogitei levar um pote para casa, mas fiquei com medo de comer tudo de uma vez só), café fresco, um trio de saladas (beterraba, repolho e cenoura), salmão defumado (provavelmente caseiro), um prato de frutos do mar à moda provençal, omelette souflée de queijo e cebolinha e, para o grand finale, mini-profiteroles com molho de chocolate.




Ufa! Foi comida suficiente para passar algumas horas no restaurante, mas não só por isso: o ambiente agradável e o serviço atencioso também convidam a perder a noção do tempo. Tem gente que não curte esse tipo de atendimento ultra-pessoal, mas eu adorei ser servida pela figura materna da proprietária-garçonete-chef, e estava quase respondendo "oui, maman" toda vez que a senhora perguntava se eu queria mais café. Acho que passar alguns anos longe da família faz isso com a pessoa...

Les Bouchées Gourmandes
1226 avenue Bernard, Outremont, Montréal
Fone - (514) 845-3663‎