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terça-feira, 16 de março de 2010

Sorvete de côco com abacaxi grelhado

Está amarelo assim mas é côco, acreditem

Eu raramente cozinho coisas as quais não como. Minha cozinha nunca viu a cara de um camarão e acho que deve continuar assim. Acho que é uma coisa comum para quem cozinha para si e os mais próximos, diferentemente dos profissionais que precisam atender pedidos. Não sei como seria se eu trabalhasse num restaurante e tivesse que fazer - e provar - alguma coisa que eu detesto, porque isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

Mesmo assim, fiz este sorvete de côco para servir com um abacaxi grelhado no final de um jantarzinho thai para amigos chegadíssimos aqui em casa. Não gosto de côco, mas esta era a única sobremesa relativamente autêntica thai fácil de fazer no tempo que eu tinha e apropriada para o calor do verão baiano. Era isso ou banana frita e, vocês sabem, eu tenho nojo de banana. Essa aí eu não faço nem por dinheiro.

Segui a receita passo a passo, mas não teve aquela parte gostosa de provar todas as etapas. Eu provei, fazendo careta, só para constatar que estava com gosto de côco e segui adiante. Foi meio sem graça, confesso. Servi, os convidados amaram de paixão (elogiaram principalmente a combinação do côco com o abacaxi) e eu acredito neles. Mas não comi.

Sorvete de côco com abacaxi grelhado
(Receita adaptada do livro The Food of Thailand)

Para o sorvete:

400 ml (ou 1 xícara e 2/3) de leite de côco
250 ml (1 xícara) de creme de leite fresco
2 ovos
4 gemas (* os ovos caipiras que uso deixam tudo amarelo)
160 g (2/3 de xícara) de açúcar de confeiteiro
uma pitada de sal

Coloque o leite de côco e o creme de leite numa panela para esquentar. Antes de levantar fervura, desligue o fogo e tampe a panela. Reserve. Coloque os ovos, gemas, açúcar e sal numa vasilha e bata por três minutos até a mistura ficar grossa.

Coloque essa mistura para esquentar gentilmente em banho-maria, e aos poucos vá acrescentando a mistura de creme e leite de côco. Quando a mistura estiver grossa o suficiente para encobrir a colher de pau, desligue o fogo. Deixe esfriar por algumas horas e coloque na sorveteira.

Para o abacaxi, basta cortar em rodelas e grelhar pouco antes de servir. Eu gosto de marinar as fatias previamente com rum ou cachaça e um pouco de açúcar mascavo, que ajuda na caramelização.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sorbet de kiwi


Estou adorando a possibilidade de fazer sorbets das frutas disponíveis na feira. A facilidade de transformar um punhado de frutas numa sobremesa simples, leve e refrescante é algo realmente desejável no verão que estamos enfrentando.


Esse sorbet de kiwi é exatamente isso: como se estivesse dando uma bela mordida num pedaço de fruta congelado. Até porque ele só leva mesmo kiwis e um pouquinho de açúcar, nem precisa de água. Tudo o que fiz foi descascar e cortar as frutas em pedaços, depois bater com uma colher de sopa de açúcar mascavo (o que fez o sorbet ficar um pouco mais escuro, mas deliciosamente azedinho), esperar esfriar na geladeira e colocar na sorveteira.


Eu adoro a aparência inesperada do kiwi. É besteira, mas eu fico imaginando a surpresa dos povos que primeiro descobriram essa fruta. Quem diria por baixo daquele casaquinho de pele marrom haveriam de encontrar um recheio de cores tão vivas e linhas tão simétricas? Deve ter sido uma agradável surpresa mesmo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sorbet de caju


Eu havia me esquecido - eu nem poderia estar dizendo isso, porque na verdade eu nunca havia prestado a devida atenção a essas coisas - de como os vendedores de frutas são uma presença constante pelas ruas da cidade, com suas barracas improvisadas cheias de frutas da época colorindo e perfumando tudo ao redor. Caju, umbu, pitanga, jabuticaba, só de ver tantas cores vibrantes já faz qualquer um querer se aproximar.

Durante um dos invernos que passei em Montreal fiz uma promessa para mim mesma de que quando voltasse iria provar e comer tantas frutas quantas aparecessem na minha frente, sem pré-julgamentos (e eu fazia muitos desses quando o assunto era comida, mas o tempo realmente transforma uma pessoa). Desde então venho tomando sucos e fazendo sorvetes de frutas as quais eu nem sequer sabia manusear.

Uma delas foi o caju, que comprei de um rapaz que instala sua barraquinha estrategicamente em frente à academia de pilates. Com um quilo em mãos, me propus a fazer um sorbet, porque não há nada mais apropriado para fazer neste calor. Como não achei nenhuma receita por perto, resolvi seguir a mesma do sorbet de manga do David Lebovitz, apenas diminuindo a quantidade de açúcar pela metade e substituíndo o rum por cachaça (a qual também dobrei a quantidade).


Bati os cajus cortados em pedaços (menos a castanha, é claro), misturei a água, o açúcar (usei o demerara), o suco de meio limão e a cachaça, bati mais um pouco e passei tudo por uma peneira para separar a polpa e a casca. Joguei o líquido restante na sorveteira e em pouco tempo tinha um sorbet que, embora não tivesse ficado cremoso como o de manga, estava muito saboroso e refrescante.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sorvete de pera e caramelo (queimado)


Este sorvete teria ficado uma delícia se eu não tivesse deixado o caramelo queimar - shame on me! -, pois o doce levemente acidulado das peras combina muito bem com o caramelo (desde que este não esteja queimado, é bom que se diga).

A receita veio da minha referência única para sorvetes, o livro Perfect Scoop do David Lebovitz. Você vai precisar de 3 a 4 peras médias e bem maduras (ele sugere Bartlett, mas eu usei Bosc), 180g de açúcar, 2 xícaras de creme de leite fresco, uma pitada de sal e um pouquinho de suco de limão.

Comece descascando e cortando as peras em pedaços mais ou menos uniformes. Numa panela de fundo grosso, espalhe o açúcar e ligue o fogo em temperatura média. Ele vai começar a derreter primeiro nas beiradas da panela, use uma espátula para ajudar a derreter o açúcar do meio. Nem precisa dizer que é preciso ficar vigiando a panela, pois qualquer distração pode acabar com o caramelo queimado.

Quando o açúcar estiver derretido e dourado, jogue os pedaços de pera dentro. Não se preocupe caso o caramelo endureça em algumas partes, pois o líquido das frutas vai amolecê-lo. Deixe cozinhar, mexendo ocasionalmente, por mais dez minutos, até as pêras cozinharem bem. Retire do fogo e acrescente o creme de leite, mexendo bem. Coloque uma pitada de sal e algumas gotinhas de limão.

Deixe a mistura esfriar um pouco, depois bata tudo no processador ou liquidificador, passe numa peneira e coloque numa vasilha. Leve à geladeira por algumas horas, de preferência de um dia para outro, e depois coloque na sua sorveteira seguindo as instruções do fabricante.

PS: Só depois de escrever o post me dei conta de que a palavra pêra perdeu o seu charmoso acento depois da reforma ortográfica. Então decidi escrever da nova maneira, mas continuo achando muito estranho.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sorvete de maple syrup

Atualmente estamos nos afogando em maple syrup, o xarope feito da árvore de bordo símbolo do Canadá. Dizem que a safra deste ano foi a melhor dos últimos tempos, então resolvi aproveitar para desencavar a máquina de sorvete das profundezas do congelador com um sorvete de maple.

O Canadá produz sozinho mais de 80% do maple syrup consumido no mundo, mas imagino que no Brasil seja mais difícil de encontrar. Eu achei que este sorvete fica perfeito se servido como acompanhamento para alguma coisa, como uma torta de maçã ou fatias de abacaxi grelhadas.


Sorvete de maple syrup

- 3/4 de xícara de maple syrup pura (quanto mais escura melhor)
- 1 xícara de leite integral
- 2 xícaras de crème de leite fresco
- uma pitada de sal
- 4 gemas de ovo

1. Numa panela média, coloque o maple syrup e deixe esquentar em fogo alto até ferver. Abaixe o fogo e coloque o leite, o creme de leite e uma pitada de sal. Cozinhe até começar a ferver, aproximadamente cinco minutos. Retire do fogo.

2. Numa vasilha, bata as gemas com um fouet até o amarelo começar a ficar mais pálido. Lentamente, coloque um pouco da mistura quente de leite na vasilha com as gemas, batendo vigorosamente. Adicione a mistura quente aos poucos, mexendo sempre, e depois volte tudo à panela.

3. Cozinhe a mistura em fogo baixo até começar a engrossar. O ponto sugerido é quando a mistura cobrir a colher de pau sem pingar (isso acontece quando o creme atinge uma temperatura de 170°F). Tenha cuidado para não ferver.

4. Passe por uma peneira (para evitar algum caroço) e coloque numa vasilha. Leve à geladeira por algumas horas ou de um dia para outro. Coloque na máquina de sorvete seguindo as instruções do fabricante.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sorvete de nutella

Atenção chocólatras possuidores de máquina de sorvete: essa receita é para vocês!



Eu e minhas irmãs sempre fomos as maiores chocólatras do universo: quando éramos crianças/adolescentes e a preocupação com alimentação sequer existia, inventávamos mil e uma maneiras de saciar nosso vício. Mal havia saído das fraldas (exagero literário, viu gente!?!), eu já dominava a técnica de fazer brigadeiro na panela e no microondas, com destaque para o último porque era ainda mais rápido. Havia dias, porém, quando míseros dez minutos pareciam uma eternidade e o jeito era comer a mistura de brigadeiro crua mesmo, ou seja, leite condensado misturado com Nescau. E era uma delícia para tardes vendo sessão da tarde na TV ou fofocando com uma amiga.

Pois foi xeretando no blog Chocolate & Zucchini que encontrei essa receita de sorvete de nutella que muito me lembrou dessas épocas de começão de chocolate desesperada, típica receita de chocólatra necessitada de um quick fix. Trata-se, afinal de contas, de uma mera desculpa para comer nutella, apenas um passo acima de comê-lo de colher direto do pote. Para quem tem uma máquina de sorvete e anda passando uns dias de calor tropical, é uma boa pedida.

A receita, meus caros, é como aquela do brigadeiro cru, coisa de dois ingredientes: quantidades iguais de nutella e de leite evaporado, que é a versão não-doce do leite condensado (não recomendo usar o leite condensado porque o nutella já é doce demais e a mistura pode ficar intragável). Depois de misturar bem os dois ingredientes (o que pode ser feito na mão com um fouet ou no liquidificador), coloque a mistura na geladeira por algumas horas e depois na máquina de sorvete seguindo as instruções do fabricante.

Depois de algumas horas no congelador o seu "sorvete" deverá estar pronto. Entre aspas mesmo porque ele não fica com uma textura muito própria de sorvete (mas também, o que você queria? isso é apenas nutella com leite evaporado, portanto não reclame), fica parecendo mais uma mousse bem densa e gelada, e derrete com uma rapidez dez vezes maior do que sua máquina fotográfica é capaz de registrar (de novo, não reclame), mas o gosto é tudo aquilo que um chocólatra precisa em forma de sorvete.

domingo, 1 de junho de 2008

Sorvete de baunilha

Por mais que eu me empolgasse com idéias mirabolantes de sorvetes e gelatos usando mil e um ingredientes, quando comprei a sorveteira eu já sabia que o primeiro sorvete a sair dali teria que ser também o mais divinamente simples: sorvete de baunilha. Porque acredito que o sorvete de baunilha talvez seja o mais injustiçado pelos processos de fabricação industriais, que usam tudo menos baunilha de verdade. E porque, como eu nunca havia tido um tête-à-tête com uma fava de baunilha de verdade antes, julguei que essa seria a oportunidade perfeita. E assim foi.

Baunilha, Ludmila. Ludmila, essa é a baunilha.

É engraçado como alguns ingredientes possuem toda uma aura mística em torno deles. Uma cebola eu conheço intimamente, sei que posso pegar de qualquer jeito, descasco e corto de olhos fechados, mas uma fava de baunilha, um punhado de açafrão, um pote de fleur de sel, não, esses são ingredientes... delicados. Por serem raros e na maioria das vezes caros, a gente faz toda uma cerimônia em torno deles, fica sem graça, não sabe direito onde põe as mãos, usa assim quase pedindo licença, sabe?

Mas não precisa ficar intimidado. Todo ingrediente tem um jeito certo de ser tratado, e para quebrar o gelo basta aprender que jeito é esse e coloca-lo em prática. Com a baunilha foi assim: eu fiquei uns bons minutos olhando para aquela vagem escura, grudenta e extremamente aromática. Se eu não tivesse lido de antemão como é que se usa, eu jamais adivinharia por mim mesma. Basta deitar a fava numa tábua, pegar uma faca bem afiada e de ponta fina e fazer uma incisão quase cirúrgica no meio, abrindo a fava em duas. Com a ponta da faca você raspa o interior da fava, coletando as semetinhas grudentas.


Et voilà: essa quantidade ínfima de sementinhas é tudo o que você precisa para fazer um sorvete com sabor de baunilha de verdade. A fava pode ser usada ainda para fazer uma infusão no líquido do sorvete enquanto ele esfria, pois ainda há muito sabor ali. Ou então pode ser colocada dentro de um pote de açúcar para fazer um açúcar aromatizado.


A receita do sorvete foi copiada do David Lebovitz e seguida passo a passo sem grandes dificuldades. A Fabrícia estava me dizendo que algumas sorveteiras se dão melhor com a receita do manual do que com receitas de livros ou inventadas, mas a minha comportou-se brilhantemente na sua primeira rodada, funcionando como estava previsto e no tempo indicado no manual de instruções. Depois de ficar sorvetando na máquina por meia hora, o sorvete foi colocado num pote e levado ao freezer para endurecer mais um pouco. Algumas horas depois ele estava com uma textura perfeita e uma cor linda, com aqueles pontinhos pretos que indicam que a coisa foi feita com baunilha de verdade. O sorvete poderia ter sido devorado assim mesmo, mas eu ainda tinha mais uma idéia mirabolante para servi-lo.


Como estávamos fazendo churrasco, resolvi grelhar uns pêssegos e ameixas comprados na feira. As frutas estavam um pouco maduras demais e desmantelaram-se mais do que eu gostaria no calor da churrasqueira, mas ficaram deliciosas. Sobre as frutas ainda fumegantes e com atraentes marquinhas de grelha, eu coloquei uma bola do sorvete de baunilha e a combinação não poderia ter sido melhor.

Adoro quando um plano dá certo...

Está aberta a temporada de sorvete!

Como quase toda blogueira de comida dessa blogosfera, eu também fui mordida pelo bichinho do sorvete caseiro. Tudo começou quando eu descobri que existia um acessório da Kitchen Aid que transformava a batedeira numa máquina de sorvete, mas pesquisas pela internet revelaram que o preço andava bastante salgado aqui por terras canadenses, enquanto que nos EUA era muito mais barato. Vasculhei toda a Amazon em busca de um produto que entregasse acima da fronteira, mas nada. Já estava me conformando a pagar mais caro quando, numa inocente visita ao supermercado, encontro uma máquina de sorvete com um preço bem convidativo. A máquina é igual à da Ana Elisa do La Cucinetta, e julgando pelas maravilhas que ela já fez, só podia ser boa. Mandei a kitchen aid às favas (pelo menos por enquanto) e comprei essa mesmo, trouxe a belezinha pra casa e já coloquei no freezer com um sorvete em mente.

Tudo o que se lê nos food blogs sobre as delícias do sorvete caseiro não poderia ser mais verdadeiro. Primeiro, tem-se uma opção de sobremesa deliciosa, fácil de fazer e com variações de sabores praticamente inesgotáveis. Segundo, é uma mão na roda para dias de calor insuportáveis como os que temos por aqui no nosso breve, porém intenso, verão. Terceiro, e talvez o mais legal, é aquela deliciosa sensação de liberdade dos produtos artificiais e industrializados que em nada competem com sua versão artesanal ou caseira (sensação que senti pela primeira vez ao fazer biscoito, e depois ao fazer pizza, e depois ao fazer hamburguer, e assim por diante). E, finalmente, tem-se a possibilidade de aproveitar frutas da época, experimentar novos sabores e esvaziar a geladeira nos momentos de aperto. E declaro aberta a temporada de sorvete!