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domingo, 11 de abril de 2010

Ovos benedict, ou o brunch da resistência


Uma das coisas do Canadá das quais mais sinto falta é o brunch. Durante nossos quatro anos lá, eu e Luiz estabelecemos um ritual dominical sagrado que consistia em levantar bem tarde e revezar entre nossos restaurantes de brunch preferidos. Não há nada como começar um domingo preguiçoso com um xícara infinita de café com leite, lendo o jornal ou jogando conversa fora e comendo alguma variação das seguintes comidas: frutas, ovos, pão, geléia, queijo, bacon ou presunto, às vezes batatas, panquecas com maple syrup, rabanada etc.

Na minha opinião o prato que guarda a essência do brunch são ovos benedict: pão torrado (a tradição pede um english muffin, mas pode ser pão de forma, brioche ou croissant) com presunto ou lombo canadense (por lá conhecido como "bacon canadense"), um ovo poché por cima coberto com molho hollandaise. Não é obrigatório, mas para dar mais substância (estamos falando de uma refeição que vale pelo café e pelo almoço, afinal) pode ser acompanhado por batatas assadas no forno até ficarem bem crocantes.

Não sei porque (mas desconfio que seja pela tradição muito forte do almoço em família), o conceito de brunch dominical não existe aqui em Salvador. Os poucos restaurantes que servem comidas de café da manhã o fazem muito cedo, o que arruina todo o conceito do brunch - às 11 da manhã, quando deveríamos estar ainda acordando num domingo preguiçoso, o café da manhã já acabou na maioria dos lugares. Além disso, as comidas são bem mais regionais do que internacionais, naturalmente. Não tenho nada contra as frutas e bolos tropicais, muito pelo contrário, mas não há argumentos racionais quando o assunto é desejo.

Já percebi então que se eu quizesse comer meu brunch, teria que fazê-lo eu mesma. E foi o que fiz no último domingo, um pequeno brunch da resistência. Minha primeira versão caseira dos ovos benedict deu incrivelmente certo: os ovos ficaram tão bonitos quanto os do restaurante, e o hollandaise mostrou-se mais fácil do que eu pensava. Aliás, quando você está munida das instruções certas, até os processos mais intimidantes se revelam incrivelmente simples.


Primeiro passo: fazer os ovos poché. Muita gente tem dificuldade para fazer ovos poché, inclusive eu. Já cheguei até a comprar uma buginganga para me dar mais segurança, mas depois percebi que nada melhor do que a prática para acabar com esses medos irracionais.

Percebi também que algumas coisas são importantes para garantir que tudo vai dar certo. Primeiro, não encha demais a panela com água (não é como fazer macarrão), mas apenas o suficiente para submergir o ovo com controle. Quando a água estiver começando a ferver, soltanto as primeiras bolhas, baixe o fogo para médio e coloque uma colher de vinagre branco e uma pitada de sal na água. Não sei porque, mas o vinagre realmente ajuda a clara a se condensar ao redor do ovo, então não deixe de usar.

Depois disso, dê uma mexida na água com uma colher para criar um redemoinho, isso também ajuda a manter a clara e a gema juntas. Outra coisa que ajuda é quebrar o ovo num recipiente antes de levá-lo à água. Assim você consegue aproximar o recipiente o máximo possível da água com controle, sem quebrá-lo diretamente na água. Depois de colocar o ovo na água, deixe por alguns minutos (dois a três minutos para uma gema perfeitamente mole e uma clara durinha) e retire com uma colher.

Você pode fazer os ovos poché com antecedência (até na noite anterior) e armazená-los na geladeira com água fria para interromper o cozimento. Na hora de servir, é só colocá-los de volta na água quente para esquentar. Se as dúvidas persistirem, vale a pena ver o tutorial da Ana Elisa e este vídeo bastante didático.

Segundo passo: fazer o molho hollandaise. O hollandaise é como uma maionese feita com manteiga ao invés de óleo. Segui uma receita da Julia Child para fazer no liquidificador e o resultado, além de rápido e prático, ficou muito gostoso.

No liquidificador, coloque três gemas, uma pitada de sal, pimenta do reino e suco de meio limão. Derreta cerca de 120g de manteiga no fogão ou no microondas e vá alimentando a manteiga derretida aos poucos pelo buraco do liquidificador enquanto bate, como se estivesse fazendo uma maionese mesmo. Pronto! Depois que toda a manteiga tiver sido incorporada, o molho deverá estar cremoso e homogêneo.

Terceiro passo: montar o prato. Faça torradas com o pão de forma, coloque fatias de presunto, bacon cozido ou lombo canadense, o ovo poché por cima e cubra com um pouco do hollandaise. Desta vez não fiz as batatas para acompanhar, mas da próxima farei. Aliás, pretendo fazer várias versões do brunch da resistência de agora em diante.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ovos cozidos no molho de tomate

Há algum tempo estava vendo o programa da Martha Stewart (provavelmente um bem antigo) quando ela chamou em cena uma de suas produtoras para dar uma receita de ovos cozidos no molho de tomate. Ela disse que era um prato super fácil, prático, barato e rápido de fazer para sua grande família - se não me engano a moça tinha um monte de filhos e comprava dezenas de quilos de carne por semana. Além disso, pode ser servido como café da manhã, almoço ou jantar.

Sabe quando você vê alguma comida sendo feita na televisão e tem um desejo incontrolável de comer aquilo imediatamente? Foi o que aconteceu comigo quando eu vi esta receita. Bem, na verdade foi mais ou menos o que aconteceu comigo, porque o desejo incontrolável sumiu por algum motivo entre o momento em que eu estava vendo TV e o momento em que fui fazer o jantar.

Só recentemente, quando eu pensava pela enésima vez no que fazer para o jantar - eu queria alguma coisa quente mas que não fosse sopa, substancial mas que não fosse massa ou sanduíche - esse prato voltou à minha cabeça. Pelo que eu me lembrava a receita era tão simples que nem me dei o trabalho de procurá-la no site da Martinha, e fiz de cabeça. É 1-2-3:


1 - Faça um molho de tomate ou, se a preguiça for muita e/ou o tempo apertado, abra uma lata do seu molho de tomate pronto favorito numa panela para esquentar. Eu fiz este bem simples com cebola e alho dourados no azeite e uma lata de tomates pelados batidos. Deixei cozinhar uns quinze minutos e juntei um pouco de extrato de tomate para ficar mais grossinho. Temperei com sal, pimenta, orégano seco e pimenta calabresa.



2 - Quebre alguns ovos sobre o molho de tomate quente (quebrei dois por pessoa porque estávamos com muita fome) e tampe a panela. Você pode também dispor o molho de tomate em ramequins individuais, quebrar os ovos e levar ao forno. Enquanto os ovos cozinham, esquente fatias de baguette ou de qualquer pão da sua preferência.


3 - Depois de aproximadamente seis minutos, os ovos deverão estar cozidos e com a gema mole - por causa de um desequilíbrio no meu fogão alguns ovos cozinharam mais rápido que outros, o que me fez arrepender-me de não ter feito em ramequins individuais. Retire os ovos com uma colher e coloque sobre o pão tostado, colocando mais ou menos molho conforme a sua preferência. Termine com queijo parmesão ralado por cima. Pode comer assim mesmo ou com uma saladinha verde acompanhando.