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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Manteiga de ervas


Sabe aquele ramo de salsinha, coentro e/ou cebolinha que já está há alguns dias na geladeira, quase partindo desta para uma melhor? Joga fora não! Tire as folhas mais amareladas e coloque o resto para bater no processador com um punhado de manteiga, temperando com sal e pimenta do reino. Depois espalhe sobre um papel plástico e faça um charutinho. Voilà! Manteiga de ervas.



Coloque no congelador e esqueça, lembrando-se apenas na próxima vez que estiver apressada para fazer o almoço, e solte a imaginação. Serve para temperar frango assado, colocar em cima de um bom filé grelhado, dar uma vida à batatas ou qualquer outro legume cozido no vapor, e até fazer aquele pãozinho de alho do churrasco (contando que para este deve-se acrescentar alho, é lógico!). Taí uma dica muito prática (e com zero de desperdício) da qual tenho abusado ultimamente, especialmente quando tenho menos de uma hora para fazer o almoço com o pequeno agarrado às minhas pernas.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

A vida íntima das papinhas (parte 2)

Pois bem, passado aquele período inicial em que o pequeno se recusou a aceitar o conceito de "comer" (fase bastante compreensível, diga-se de passagem), posso confiar que agora a coisa vai engrenar, certo? Claro que não! Como tudo o mais na maternidade, é preciso estar pronto para dar dois passos à frente, um para trás, ou três, ou quatro, o que for. Como me disse (rindo) uma enfermeira especializada em lactação para quem telefonei insistentemente nas primeiras semanas de vida do meu filho, "a maternidade é  uma coisa dinâmica"... Este deveria ser o lema de todas as mães de primeira viagem!

O segundo mito a ser desconstruído foi, portanto, o da progressão em relação à receptividade (e quantidade) dos alimentos. Ou seja, não é porque num belo dia ele devorou o purê de mandioquinha com cenoura e couve manteiga que no dia seguinte vai acontecer de novo. Não é porque comeu um bocado esta semana que vai comer ainda mais na próxima. Quer previsibilidade? Quer planejar a introdução gradual dos alimentos e montar o cardápio da semana inteira baseado nos nutrientes e cores de cada grupo? Esqueça!
 
É preciso estar preparada para as ocasiões mais imprevisíveis e estapafúrdias. Outro dia mesmo meu filho virou a cara para a papinha, mas demonstrou um interesse fora do comum pelo creme de brócolis que eu havia feito para mim mesma (com azeite, sal, pimenta, temperos, tudo). Não hesitei e deixei o pequeno se empanturrar (e deste dia em diante passei a fazer a comida dele mais parecida com a minha, inclusive com uma pitadinha de sal, que a pediatra dele não me leia...).

Sei que essa imprevisibilidade pode ser bastante frustrante, especialmente quando o bebê recusa veementemente aquela comidinha linda que você fez com tanto carinho e atenção (e tempo!), ou passa dias inteiros sem querer comer nada sólido, só no peito (isso acontece com frequência com meu pequeno). Nessas horas é importante lembrar que ele não faz de propósito (dã!) e que não vai morrer de fome, desde que continue mamando bem*.

Mas também é bom que seja assim! Isso mostra que os bebês são pequenos indivíduos, e não pequenos robôs ou pequenas matérias levemente animadas. Eles têm dias de mais e menos fome, têm seus momentos de indisposição (sobretudo por causa dos dentinhos que costumam nascer neste período), e - o que para mim é mais fascinante - já têm também suas preferências. Marcel tem uma quedinha clara pelas frutas, e dentre elas escolheu AMAR logo a que eu mais detesto (acertou quem disse banana).

Tem prova de amor maior do que limpar essa carinha linda toda besuntada de banana?

* No próximo post falarei sobre o livro do Dr. Carlos Gonzalez (Mi niño no me come), que tem me instruído bastante sobre quanto os bebês realmente devem comer. 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Preparando a retomada

Com cinco meses, Marcel já brinca sozinho por tempo suficiente para que eu possa adiantar o jantar, preparar brownies para o lanche e pensar no almoço de amanhã. Nada de invencionices, só as receitas conhecidas e o rango simples do dia a dia, mas já consigo sentir que estou retomando as rédeas da alimentação aqui em casa. Bem agora que já começo a pesquisar e ler sobre a introdução de líquidos e sólidos na alimentação do pequeno, que não conhece nada além do leite materno. Mas já? Aquele bebezito pequeno que veio ao mundo há tão pouco tempo já está craque em brincar e interagir com as coisas e pessoas à sua volta. Já sabe virar, desvirar e pular aonde seus pezinhos encontram resistência. Já tem uma personalidade e tanta - inquieto, destemido, sorridente. O tempo passa rápido demais, minha gente...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Saudades da cozinha

Minha cozinha real está quase tão abandonada quanto esta aqui - quase porque sim, há uma pessoa cozinhando nela, mas não sou eu. Como Marcel é chegado num colinho e eu quero dar todo o colo e atenção do mundo a ele, fui obrigada a contratar uma ajudante para cuidar da casa e da comida, o que tem me colocado na difícil situação de ver alguém mexendo nas minhas panelas, executando minhas receitas e eu, morrendo de ciúmes por dentro... (enlouquecendo, eu? imagina)

De maneira que temos comido bem, obrigada, mas sem novidades dignas de blog - o que tem me dado outro sentimento estranho, o de saudades daqui, de escrever, fotografar e planejar os pratos, de comprar ingredientes, enfim... muita saudade (a maternidade mexe mesmo com a pessoa). Mas gostaria de assegurar aos eventuais e fiéis leitores que o blog não foi abandonado, e que pretendo voltar com força total assim que o pequeno crescer um pouco mais. Papinhas gourmet, me aguardem!

Se não dá para cozinhar com o rebento no colo, pelo menos dá para comer (e viva o sling!)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Viva os congelados, ou a vida com um bebê

Este não chega a ser um post, já que não há receitas nem pratos novos - meu fogão não me reconhece mais desde a chegada do bebê(*) - mas apenas uma observação, a meu ver, curiosa. Interessante como justo no momento em que você precisa se alimentar melhor isso parece uma tarefa impossível - afinal, amamentar um recém-nascido é um trabalho de responsa e em tempo integral, e comer bem termina ficando atrás de dormir e tomar banho nos poucos minutos livres com uma frequência assustadora. Outra coisa: amamentar dá uma fome do cão, mas cadê a comida? Cadê a disposição para fazer alguma coisa saudável? A tentação de recorrer a uma comida pronta (industrializada) para repor as energias é grande. Fazer o que?

Descobri que existe uma razão de ser para o marasmo das últimas semanas de gravidez (além, é claro, de poupar energias para o furacãozinho que virá a seguir), quando não se pode mais dirigir, o peso da barriga não permite mais ficar andando por aí e todas as coisas do bebê já estão arrumadas. Cozinhe! Faça muitos pratos saudáveis e ricos em energia que podem ser congelados e torne-se a melhor amiga do seu freezer e microondas, pois eles serão sua salvação nas semanas pós nascimento.

Eu fiz e congelei muita lasanha, sopa de lentilha, sopa de tomate, frango a parmegiana, massa com couve-flor e queijo, feijão. Já estamos chegando ao final do estoque. Gostaria de ter feito uns biscoitos e coisas para lanche, mas não me preparei o suficiente. Ah, além disso, vale também contar com a ajuda de amigos e familiares para fazer as compras, trazer umas quentinhas e preparar um lanche gostoso. Ter sempre um bolinho caseiro e frutas cortadas à mão ajuda a resistir à tentação das comidas prontas.

(*)Para aqueles que pediram notícias, Marcel nasceu no dia 14 de setembro, muito saudável e pequenino como a mãe. Está mamando tanto que daqui a pouco não será mais tão pequeno!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quando tudo der errado, não peça desculpas

Histórias de fracasso na cozinha não costumam render bons posts com fotos lindas, mas nem por isso devem ser privadas de existência. Afinal, os fracassos costumam nos ensinar muitas coisas, na cozinha e fora dela. Aconteceu comigo numa receita que vinha maquinando há dias, de um prato indiano de frango cozido com especiarias e um molho cremoso à base de tomate e manteiga clarificada (butter chicken), muito popular nos restaurantes indianos do ocidente.

Não temos restaurantes de comida indiana em Salvador, portanto me surpreendi com o fato de ter achado todos os ingredientes no mercado, até especiarias como o garam masala e sementes de cardamomo (caríssimas, por sinal). Interpretei isso como um sinal a meu favor. A única coisa relativamente complicada foi o iogurte grosso pedido pela receita, mas dei um jeito. Comprei um coador de café e coloquei um pote de iogurte natural dentro. Coloquei então o coador suspenso sobre um copo dentro da geladeira. No dia seguinte, o líquido estava todo no copo e o iogurte dentro do coador estava na textura certa. Mais um bom sinal.

No dia programado, segui o passo a passo da receita ao pé da letra, com uma obediência exemplar. Comecei então a perceber que a receita não era muito precisa, especialmente no momento do cozimento. A minha grande dificuldade com culinárias exóticas (para mim) está no fato de eu não poder confiar nos meus instintos, não poder corrigir a receita ali, na hora. Logo vi que não ia dar certo, mas não sabia o que fazer. O molho não estava numa consistência boa e em nada lembrava a linda foto do livro, muito menos o sabor da minha memória.

Continuei, resignada, a esta altura já certa do fracasso. Comemos - ou melhor, o marido o fez com muita educação, porque eu não consegui. Mas também não fiquei triste. Uma das muitas coisas que aprendi com os livros e vídeos de Julia Child é que, na cozinha, não se deve pedir desculpas jamais. Errar é muito normal, até os melhores chefs erram eventualmente. Mas pedir desculpas só chama atenção para o erro, e isso não ajuda em nada. O importante é seguir adiante, jogar tudo fora e começar de novo.

Em tempo: a receita veio de um livro sobre comida indiana com fotografias belíssimas, mas agora desconfio seriamente se não se trata de um daqueles livros mais válidos pelo aspecto decorativo do que pelas receitas. Não tenho mais interesse em testar outra receita dele, mas certamente procurarei em outras fontes.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Comida afetiva

Desde que comecei a cozinhar com frequência (desde o nascimento deste blog, na verdade), a comida tem se tornado um elemento cada vez mais presente e importante na minha vida. Sim, é bom ver o resultado de uma receita nova, é ótimo receber elogios por um prato bem executado e melhor ainda comer aquilo que se produz e o que se tem vontade sem depender de ninguém. Mas o que tem me dado cada vez mais satisfação é o lado afetivo (e menos egocentrado) da cozinha. Nada se compara ao ato de agregar pessoas em volta da mesa, oferecer carinho em forma de comida a quem se ama.

A comida serve tanto para agregar como também para comunicar coisas que talvez a gente nem soubesse dizer em palavras. Pensava nisso enquanto preparava o cardápio de um jantar familiar muito importante. Que prato fazer para contar à família que em breve teremos mais um integrante? Não existe receita para essas situações, claro. De repente, percebi que não se tratava mais de impressionar os convidados, nem de ter certeza de que sairia tudo certinho como o planejado. Na verdade importava muito pouco o que eu fizesse, pois o sentimento estaria ali, posto à mesa, de qualquer maneira.

Talvez eu esteja apenas ficando mais velha. Talvez sejam os famosos hormônios. Mas talvez essa mudança de percepção tenha me feito perceber que agora me sinto finalmente preparada para encarar uma fase de imensa doação, mas sem sacrifícios, de coração aberto. A comida me fez perceber isso. Não é à toa que a expressão popular diz que estamos com uma coisinha no forno, não é? É a mais pura verdade.


Ah, ficou curioso para saber o menu do famoso jantar? Fui de comfort food italiana: conchigliones recheados com ricota temperada, molho de tomate e bechamel, incrementados com uma ricota defumada maravilhosa que trouxe de São Paulo. Receitinha antiga mas que sempre agrada. Clique aqui para ver.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A novidade está nos detalhes


Tenho uma dificuldade enorme em testar receitas novas no dia-a-dia. Sempre que o tempo aperta a criatividade cai, e termino recorrendo àqueles seis ou sete pratos que faço de olhos fechados. Minha grande ambição é elaborar um cardápio semanal com pratos novos e ingredientes os mais variados, mas nunca consigo a organização necessária.

Enquanto não chego lá, o jeito é dar uma atualizada nos clássicos, como a tilápia meunière que costuma fazer aparições semanais aqui em casa. A receita já foi publicada aqui. A novidade ficou por conta do purê de mandioquinha, que substituiu a tradicional batata, e da abobrinha refogada.

Para fazer o purê, cozinhei cinco mandioquinhas em água até que estivessem macias, depois bati com um pouco de leite morno e temperei com sal e pimenta do reino. Já a abobrinha foi cortada em meias-luas e depois refogada com uma cebola fatiada bem fininha até caramelizar. Arrumar o prato de maneira diferente também ajuda na hora de sair da rotina.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cafezinho



Mais uma relíquia garimpada entre as coisas guardadas na casa da minha mãe - delicadas xícaras de cafezinho japonesas que pertenceram aos meus avós maternos. Difícil precisar a idade, mas certamente tem mais de oitenta anos. Perfeitas para as ocasiões mais especiais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Guarda-papaia



Confesso que nunca tinha visto muita utilidade para estes potes de plástico em formato de legumes - tem de cebola, alho, pimentão, uva, até berinjela - até ver este em forma de meio mamão papaia, com direito à representação das sementinhas e tudo. O tamanho é perfeito para os papaias menores, e você não precisa mais usar papel filme para guardar aquela metade que sobrou na geladeira (pode ser usado também para transportar para o trabalho em perfeita segurança e estilo). Comprei por R$1,99 na Le Biscuit de Salvador.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Flor + livros

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Retrospectiva 2009

Tudo bem que 2010 já começou, mas só agora estou tendo tempo para refletir sobre o ano que acabou de acabar. 2009 foi um ano daqueles, afinal foram muitas mudanças e recomeços com o término do doutorado, a volta para o Brasil e tantas perspectivas abertas para o futuro. É nesse espírito que faço um pequeno top 10 das coisas que aconteceram por aqui neste ano:

1. Melhor novidade: cozinhei e comi meu primeiro peixe branco. Mais uma vez, a literatura gastronômica me ajudou a vencer limitações pessoais e, inspirada pela primeira refeição da Julia Child na França, preparei uma tilápia meunière que ficou simplesmente divina. Hoje em dia figura nas receitas que faço sempre.

2. Melhor doce: bolo de mirtilos. Em 2008 a sorveteira foi campeã absoluta das sobremesas, mas em 2009 eu não estive muito inspirada e cheguei até a estragar algumas receitas (como a do sorvete de pera com caramelo queimado). Mas este bolo de mirtilos deu muito certo, e o uso do leite de manteiga (buttermilk) na receita foi uma verdadeira revelação.

3. Melhor acompanhamento: risotto de vinho tinto com beterraba. Confesso que em 2009 não testei muitas receitas novas de risotto, confiando sempre nas versões mais básicas e velhas conhecidas, mas a que testei rendeu um dos melhores risottos que já comi. Sem falar no visual de arrancar "ahs" e "ohs" dos convidados.

4. Melhor aprendizado: frango assado. Em 2009 pude dizer que dominei de uma vez por todas os mistérios do frango assado perfeito. Das técnicas que testei, duas se destacaram: a de colocar o frango inteiro submerso numa salmoura (dois quartos de xícara de sal, um de açúcar e dois litros de água) por no mímino uma hora, o que garante uma carne macia, suculenta e temperada à perfeição; e a de besuntar o frango todo (por cima e por baixo da pele) com uma manteiga temperada com alho, manjericão, orégano, sal e pimenta, o que garante uma pele dourada e perfumada. Além disso, não deixo de assar junto com a galinha legumes cortados em pedaços grandes, que já fazem um acompanhamento ótimo.

5. Melhores restaurantes: empate técnico entre Au Pied de Cochon, Kitchen Galerie, Paraíso Tropical e Carlota. Os dois primeiros conheci quando ainda sobrevivia ao rigoroso inverno de Montreal (parece que foi numa outra vida), e estão certamente entre os melhores restaurantes que já fui. Os outros dois já fazem parte da minha vida pós-Canadá, e foram ótimas surpresas para um paladar desconcertado depois de tantas mudanças.

6. Melhor viagem gastronômica: Nova Iorque. Decidida a aproveitar cada segundo desta viagem, fiz uma extensa pesquisa antes de partir para a Big Apple em julho. O resultado: almocei no restaurante chiquérrimo do Daniel Boulud, jantei a pizza do Mario Batali, devorei o melhor hamburguer da cidade, lambi os dedos depois de comer a comida cajun do Acme, matei as saudades do ravioli do Corner Shop Cafe, tudo em uma semaninha. PS: este ano também valeu uma menção honrosa à Vermont, por onde passei muito rapidamente mas onde comi muito, mas muito bem.

7. Melhor salada: caprese. Em 2009 acho que comi mais caprese do que qualquer outra salada, e nas mais diversas variações: com tomate e queijo assados, com pedacinhos de bacon torrado por cima, temperada com sal defumado, com vinagre de vinho do porto, servida como aperitivo com molho pesto... todas deliciosas.

8. Melhor prato complicado: fettucine com ragu de pato. Acho que este foi o prato mais sofisticado de 2009, não exatamente por ser difícil mas por ter etapas bastante demoradas: primeiro tive que dourar as coxas de pato, separando a gordura excedente, depois cozinha-las num molho à base de tomate e aromáticos, depois retirar a carte, separa-la dos ossos e retornar ao molho, que somente então é finalizado. Dá trabalho, mas vale a pena.

9. Melhor prato simples: arroz frito. Antigamente eu costumava recorrer ao macarrão ou omelete quando precisava preparar um almoço do início ao fim em meia hora, mas hoje em dia sou escrava do arroz frito. É uma maravilha para transformar aquele resto de arroz branco esquecido na geladeira num prato simples, nutritivo e gostoso. Também é quase impossível errar: já misturei todo tipo de legumes, sempre com sucesso.

10. Melhores acontecimentos gastronômicos: Deixei por último para falar daquilo que é a verdadeira - não a real, mas a que se faz verdadeira - razão de ser da comida, que são os encontros com pessoas queridas. Sem elas, uma mesa de jantar é apenas uma mesa com pratos e talheres. Com elas, no entanto, o todo é sempre muito maior do que a soma das partes.

Neste ano Luiz e eu tivemos a imensa sorte de compartilhar refeições inesquecíveis com amigos, tanto os que fizemos em Montreal quanto os que estavam no Brasil (e os que vieram de lá para cá); com parentes, dos quais estávamos com muitas saudades; e a sós, porque também não somos de ferro. Me emocionei com cada um dos jantares, almoços, pique-niques, churrascos, ceias, cafés, até naqueles em que não estive presente em carne e osso. Que 2010 traga muito mais!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Louça da vovó




Minha mãe me presenteou recentemente com alguns pratos que foram do enxoval de minha avó materna, vovó Cotinha como era carinhosamente chamada. São pratos simples, mas com detalhes lindos, e de uma louça inglesa de excelente qualidade que já durou muitas décadas e eu espero que durem muitas mais sob os meus cuidados.

Infelizmente não tive a oportunidade de conviver muito tempo com meus avós, pois morávamos longe e eles já eram bem idosos quando nasci, mas sei que a vovó Cotinha adorava coisas de cozinha e deve ter servido muitas iguarias gostosas nesses pratinhos de sobremesa.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A maldição da troca de hemisférios

Eu bem que tentei ignorar, achando que era só uma fase de adaptação e esperando quietinha ela passar, mas a maldição da troca de hemisférios parece que veio mesmo para ficar. Desde que cheguei de Montreal quase tudo o que tentei cozinhar deu errado: já tentei fazer duas receitas de pizza que falharam (aqui não tem o tal do fermento seco não-instantâneo, que era o que eu usava), fiz um pão de queijo tão mole que virou panqueca no forno, ontem fizemos um hamburguer que também não ficou bom (e a lista continua).

Não é só a mudança de ambiente e disponibilidade de ingredientes; parece que eu perdi a mão para algumas coisas que eu costumava fazer de olhos fechados. E o pior é que os parentes e amigos, incrédulos e sedentos, continuam a clamar para provar todas as comidas que nós alegávamos fazer no Canadá. Tenho certeza de que alguns já estão achando que era tudo mentira, mas como explicar que estamos numa urucubaca danada? Enquanto isso, vou aqui colocando os toques finais na reforma da cozinha para ver se espanto essa má fase...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Temperos

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mudanças, muitas mudanças

Nunca fiquei tanto tempo sem postar neste blog, e isto vinha me deixando cada dia mais nervosa. Não, eu não abandonei este espaço, não perdi a inspiração nem fui misteriosamente tragada pelo ciberespaço. Eu estava mesmo era esperando um momento de paz para refletir sobre as - grandes - mudanças das últimas semanas mas, como diz o ditado, não há melhor momento que o presente.

No último mês, concluí o doutorado que foi o motivo da minha ida a Montreal e, como estava previsto, também concluí meus quatro anos de vida por lá e retornei ao Brasil. Neste momento estou escrevendo da minha cozinha em Salvador que, apesar de velha conhecida, está com um ar de nova e diferente. É que quando eu saí dela mal sabia cozinhar um arroz, e agora tudo mudou. Eu mesma já sou outra pessoa.

Nos quatro anos que passei em Montreal eu não só aprendi a cozinhar (alguns diriam que desenvolvi uma leve obsessão) como também descobri inúmeros ingredientes e culinárias mundiais, as quais trouxe comigo junto com dez caixas de livros, louças e apetrechos que - até hoje não sei como - dei um jeito de arrumar no diminuto espaço do meu apartamento.

Ainda não cozinhei nada por aqui, mas aos poucos as coisas vão se arrumando para o recomeço: fogão, geladeira, lava-louças que era o sonho do marido... Vou continuar com o blog, mas certamente terei que pensar em algumas mudanças que reflitam esta nova fase da minha vida. Ou seja, aguardem as novidades!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

É preciso pés para cozinhar

Como coisas esquisitas e coincidências estranhas acontecem o tempo todo, no último dia antes de vender nossa lambretinha tivemos o primeiro acidente em três anos e eu fiquei com o pé esquerdo torcido. Não poderei andar pelas próximas semanas, o que significa que não posso fazer muita coisa além de ficar sentada com o pé para cima para diminuir a dor - ordens médicas são ordens médicas.

O pior é que agora que eu estou com tempo de sobra para escrever e navegar na internet, não tenho nada a blogar. Sim, eu ainda posso cortar ingredientes sentada e prestar assessoria ao marido que assumiu os fogões temporariamente, mas não dá para andar de lá para cá como eu normalmente faço quando estou cozinhando. Inventar receitas novas e blogáveis, então, impossível. Sinceramente, eu nunca havia percebido como dois pés bons são importantes na cozinha - tanto quanto as mãos. É preciso pés para cozinhar, minha gente.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

É tempo

De abrir as portas da varanda e dar boas-vindas à primavera.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O desafio das 100 milhas

Estreou no FoodTV daqui uma nova série chamada "O desafio das 100 milhas", na qual seis famílias de uma cidade canadense vão consumir apenas produtos produzidos localmente - num raio de 160 kilômetros - durante cem dias. A princípio eu achei a idéia genial, uma forma de conscientizar as pessoas a comer mais produtos locais, aprender de onde vem a comida e construir uma relação mais próxima com ela, mas depois de ver o primeiro episódio eu já fiquei preocupada com algumas coisas. A principal delas é o radicalismo.

As famílias que entraram no desafio eram bastante diversas: algumas sabiam cozinhar e apreciavam um bom vinho francês, e outras achavam que carne vinha do supermercado e nunca haviam ido à feira. Mas todas sofreram com o choque de ter que cortar seus alimentos favoritos, e eu não sei se choque é uma ferramenta válida para educação. Mas como é reality TV, tinha que ter o sensacionalismo dos caras jogando caixas e caixas de comida fora, com close nos rostos das crianças chorando desesperadas com a falta dos doces. Tenho medo que, ao invés de conscientizar, desafios como este afugentem mais as pessoas e terminem tendo um efeito contrário.

Eu sou partidária do movimento "locavore" e de seus benefícios, que incluem: consumir melhores produtos (principalmente frutas e verduras), mais maduros e que não sofreram com transporte nem poluíram o meio ambiente, alimentar e valorizar a economia local e obedecer ao ritmo natural das estações, mesmo que isso signifique não comer tomates da Costa Rica em pleno inverno. Sou a favor de iniciativas como o CSA (community supported agriculture) e ferramentas como esta que ajudem as pessoas a trocar o supermercado pela feira livre sempre que possível.

Mas não vejo como isso pode ajudar no que diz respeito a produtos que foram desenvolvidos, ao longo de muitos anos de industrialização, justamente para serem transportados e vendidos para todos os cantos do planeta. Não estou falando apenas de alimentos processados, mas de grãos, sementes, azeites, produtos secos, conservas, temperos, fungos etc. Afinal, no mundo globalizado de hoje em dia, a idéia de cortar relações com o resto do planeta e só consumir produtos locais - o que implica em abrir mão de coisas essenciais como pimenta, sal e café - me parece retrógrada, além de pouco prática em grandes escalas.

Eu acredito em moderação. Não desejo nem para o meu pior inimigo uma vida sem chocolate e azeite de oliva de boa qualidade.