
Quem lê este blog com frequência (alguém? mãe?) deve ter percebido que, após um período frenético-obsessivo fazendo sorvetes, nunca mais eu apareci com uma receita nova por aqui. Não, não foi enjôo de tanto sorvete, se é que isso existe. Também não foi o final do verão que me desencorajou, porque ainda está calor suficiente para se tomar um sorvetinho depois do almoço.
A verdade é que depois que minha sobrinha voltou para o Brasil, perdi não só minha ajudante-mor na tarefa de fazer sorvetes mas também a minha provadora e crítica número um, modelo fotográfica e compositora de jingles promocionais dos gelados. É, foi saudade mesmo, porque agora toda vez que faço sorvete me lembro dela e de como nos divertimos juntas.
Por isso mesmo, decidi fazer um sorvete que ela jamais aprovaria caso estivesse aqui: sorvete de chá verde. Estava querendo fazer este sabor há um tempão, não só pela cor e pelo exotismo, mas porque eu adoro chá verde (e adoro sorvete de café, então eu só podia gostar de sorvete de chá verde). Catei a receita do David Lebovitz, que é bem simples, e desencavei a sorveteira do congelador.
Para fazer sorvete - ou qualquer produto culinário - de chá verde é preciso usar um ingrediente chamado
matcha, que é um pó de chá verde japonês super fino e super-ultra-mega concentrado. Infelizmente não é tão fácil encontrar o matcha fora dos mercadinhos especializados em produtos asiáticos. Eu comprei o meu em Chinatown.
Sorvete de chá verde(Receita do livro The Perfect Scoop, de David Lebovitz)- 1 xícara de leite integral
- 3/4 de xícara de açúcar
- 2 xícaras de creme de leite fresco
- 4 colheres de chá de matcha (pó de chá verde)
- 6 gemas de ovo
- pitada de sal
Numa vasilha, coloque o creme de leite e misture com o pó de chá verde - não se preocupe em dissover o pó por completo neste momento. Reserve. Numa panela, coloque o leite, açúcar e pitada de sal para esquentar. Numa outra vasilha bata levemente as gemas.
Quando o leite estiver morno, vá despejando aos poucos sobre as gemas, batendo vigorosamente para evitar que elas cozinhem. Quando o líquido tiver sido todo incorporado, volte para a panela e volte ao fogo brando e mexa com uma espátula até o creme engrossar (não deixe ferver!).
Depois passe esse creme por uma peneira sobre o creme de leite com o matcha. Misture vigorosamente para que o matcha dissova por completo. O líquido vai ficar com uma coloração verde clara. Refrigere na geladeira por algumas horas e depois coloque na sorveteira seguindo as particularidades do seu modelo.
O veredito: Eu optei por fazer meia receita e dei graças depois, porque aparentemente ninguém aprovou este sorvete. Apesar da cor ter ficado meio fraquinha (nada como o verde neon da ilustração do livro), o gosto ficou super forte e nem um pouco doce, mesmo com todo o açúcar que pede a receita. Recomendável apenas para os amantes incondicionais de chá verde bem amargo, ou a título de curiosidade para finalizar um jantar com tema asiático, quem sabe misturado a outro sabor de sorvete mais doce, para contrastar.