terça-feira, 18 de março de 2008

St. Patrick's Day

Mais fotos aqui

No dia 17 de março comemora-se o dia de Saint Patrick, o santo padroeiro dos irlandeses. Em Montreal a data é celebrada com uma grande parada pública no centro da cidade, com direito a música e dança típicas e gente vestida de verde da cabeça aos pés. A população irlandesa é grande por aqui, e neste dia especialmente parece que todo mundo puxa lá do fundo do baú uma ascendência celta para poder participar da festa. Ajuda também que com a chegada da primavera tudo é motivo para celebrar.

Eu adoro muitas coisas relacionadas à Irlanda e tenhos ótimas lembranças de lá. Já faz algum tempo passeamos por Dublin e lembro que fomos à universidade onde Joyce e outros figurões estudaram. Mas o que gostamos mais mesmo foi de ir à fábrica da Guinness, onde vimos todo o processo de fabricação da famosa (e deliciosa) cerveja e uma exposição com aqueles pôsteres antigos dizendo que um copo de Guinness por dia é a receita para uma boa saúde. Acho que terminamos seguindo este conselho durante nossa estadia.

Lembro que na saída do passeio à fábrica ganhava-se um pint de degustação, e tinha ali um menino de uns seis anos de idade querendo dar um golinho. Os pais deixaram, mas quando viram o guri já tinha virado mais da metade do copo. Esse era irlandês mesmo. No dia de St. Patrick os pubs ficam lotados e, além da Guinness, eles bebem litros e litros de uma cerveja verde que não sei como é feita. Mas é uma festança, e neste dia todo mundo se sente um pouco irlandês.

Sopa de beringela assada com lentilhas

(Receita adaptada da revista Food and Wine de fevereiro/2008)

Corte uma beringela grande no sentido do comprimento em quatro pedaços (ao meio e depois cada metade ao meio) e coloque numa assadeira com a casca para baixo. Tempere com sal, pimenta e azeite e asse por 40 minutos em fogo alto. Enquanto isso, coloque uma xícara de lentilhas verdes para cozinhar em bastante água fervente com uma folha de louro até ficarem macias (uns 20 minutos). Escorra as lentilhas e reserve. Quando a beringela estiver bem macia, retire a carne com uma colher e coloque no liquidificador com uma xícara de caldo de legumes. Bata até virar um purê homogêneo. Agora coloque as lentilhas no liquidificador e bata com uma xícara de caldo. Junte os dois purês numa panela, adicione uma xícara de leite e um pouco de suco de limão. Tempere com sal e pimenta a gosto. A revista sugeria servir com folhas de sálvia fritas na manteiga, mas eu não tinha e servi com um fio de azeite de oliva.

Essa foi a segunda vez que tentei fazer esta receita, prova de que ela realmente me interessava muito. Na primeira, descobri em cima da hora que a beringela estava ruim e deixei a lentilha queimar. Dessa vez segui o script direitinho e deu tudo certo, mas o resultado final ainda ficou abaixo do esperado. Comível, mas faltou alguma coisa, e algo me diz que não vou ter saco para tentar descobrir o que foi.

domingo, 16 de março de 2008

Ludmila e Convidado

Ina Garten já dizia, sabiamente, que o melhor jeito de ser convidada às festas era oferecendo-se para levar a sobremesa. Pois esta já é a segunda ou terceira vez que um convite feito a mim se estende automaticamente ao agora famoso cheesecake. E eu adoro isso. Bem que tento empurrar uma receita nova, de preferência uma das várias que eu estava esperando uma oportunidade para testar, mas o povo quer mesmo é o cheesecake, não tem jeito.

A receita é a mesma de sempre, mas eu sempre tento dar um jeitinho de inovar. Desta vez, ao invés do coulis de morango, eu cobri o bolo com doce de leite. Desde a primeira vez que eu fiz doce de leite algo me disse que a combinação com o azedinho do cream cheese seria divina. E foi mesmo, sucesso total de público.

Entre "hums" e "ahs" ouvi gente perguntando a receita, dizendo que era o melhor cheesecake que já tinham provado, e que eu devia abrir uma confeitaria. O ego agradece, mas quem cozinha sabe que a felicidade do cozinheiro reside nos "hums" e "ahs". Agora, da próxima vez vou ter que levar uma coisa diferente, senão vou terminar conhecida como a cheesecake lady...

sexta-feira, 14 de março de 2008

A is for dining Alone*

Nos dias de semana, quando almoço sozinha em casa, prefiro fazer refeições de um prato só, de preferência que sejam leves, rápidas e que não precisem nem de faca para servir. Quando estou sozinha, não me sento à mesa. Michael Pollan que me perdoe, mas comer na mesa é um ato social demais para se fazer solitariamente. Prefiro pegar o meu prato e comer no sofá em frente à TV.

Mas nem por isso abro mão da qualidade. Geralmente eu vario entre uma salada de frango, ou salada de abacate com cenoura, um prato de macarrão nos dias de mais fome, um resto de sopa de ontem nos dias de preguiça ou falta de tempo, ou este couscous da foto, ao qual misturei uma abobrinha, um pimentão laranja e meia lata de milho levemente dourados no azeite. Temperei com sal, pimenta, orégano seco e um pouco de suco de limão, e terminei com azeite de oliva e lascas de amêndoas.

*A is for dining Alone é a primeira entrada de An Alphabet for Gourmets, história de M.F.K. Fisher publicada originalmente em 1949 e que consta na maravilhosa coletânea The Art of Eating. Nela Fisher fala sobre o ato de comer socialmente, e porque ela prefere comer sozinha a dividir a mesa com certas pessoas ("There are few people alive with whom I care to pray, sleep, dance, sing, or share my bread and wine").

quinta-feira, 13 de março de 2008

A China de Kylie Kwong







Foi amor à primeira vista. Quando eu bati os olhos no livro "My China", de Kylie Kwong, sabia que ele seria meu. Folheando, ainda na livraria, me encantei com as fotos maravilhosas dos mesmos lugares por onde passei na China, retratos do mercado de rua de Yangshuo, do famoso pato em Pequim, dos dumplings que fazem fila em Shanghai, do chá verde à beira do rio de Hangzhou, das cores, dos contrastes, dos sabores dessa viagem que, apesar de recente, já está me dando saudades.

Em casa, lendo com mais calma, me dou conta de que este é um livro mais de histórias do que de receitas. Sim, as receitas estão lá, mas são menos de cem para um livro de quase 600 páginas. O principal é o relato da viagem de Kwong, uma chef e autora famosa que vive na Austrália mas cuja família ancestral é chinesa. Kylie é a 29a geração de uma das famílias mais tradicionais da província de Guandong, e nesta "volta para casa" ela aprende muito sobre a origem do seu povo, o que, segundo ela, mudou sua vida.

Mas "My China" também é um relato de viagem pela China, pois Kwong, que não fala Mandarim ou Cantonês, visitou também o Lhasa, Beijing, a lindíssima província de Guangzhou, Shanghai e Hong Kong, comeu, cozinhou, se perdeu, conheceu gente e riu muito. Eu também passei por muitos destes lugares e, apesar de ainda não ter lido ainda todas as histórias, já me identifiquei com muito da estranheza e estupefação que ela diz ter experimentado. A China não é um outro país, ela é um outro planeta!

domingo, 9 de março de 2008

Pot pie (quase) vegetariana

Pot pies são tradicionalmente feitas com frango e vegetais, mas você pode colocar praticamente tudo o que preferir ou tiver à disposição. Eu fiz uma versão vegetariana para o lanche com cogumelos crimini, cenoura, ervilha e milho.

Cortei um pacote de cogumelos e duas cenouras em pedaços pequenos e dourei em quatro colheres de sopa de manteiga por uns dez minutos. Depois coloquei três colheres de sopa de farinha e uma xícara e meia de caldo de galinha. Temperei com sal e pimenta e deixei cozinhar até o molho engrossar. Coloquei uma xícara de ervilha (congelada) e uma de milho (da lata) por último, que estes não precisam cozinhar. Coloquei a mistura nos ramequins individuais e cobri com uma folha de massa folhada. Comprei essa massa folhada pronta que já vem em quadradinhos, então nem o trabalho de cortar a massa do tamanho do ramequim eu tive. Fiz furinhos na massa para o vapor sair e pincelei um ovo batido por cima para ajudar a dourar. Assei no forno por uns 20-30 minutos, até a massa ficar dourada e inchada, e o recheio borbulhando de quente.

Praticamente dá para ouvir o barulho do garfo quebrando as camadas de massa amanteigada e liberando o vapor perfumado do caldo quentinho escondido ali embaixo. Não é à toa que pot pies são consideradas o máximo da comfort food...

Update: uma leitora chamou a atenção para o fato de que, usando caldo de galinha, minha pot pie não foi 100% vegetariana. Da próxima vez prestarei mais atenção e usarei caldo de legumes!

Biscoitos de triplo chocolate

Entre pilhas de receitas que se acumulam na minha to do list, encontrei esses biscoitos de triplo chocolate que me interessaram 1) porque levam farinha integral e açúcar mascavo, o que te justifica a dizer que eles são quase saudáveis, 2) porque são très franceses, da aparência de trufa até o tamanho mignon, e 3) porque levam três tipos de chocolate e isso, na realidade, deveria ser o motivo número 1.


Triple chocolate cookies
(Adaptada de Chocolate & Zucchini, de Clotilde Dusoulier)

- 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 1/2 xícara de farinha de trigo branca (all-purpose)
- 1/4 de xícara (25g) de cacau em pó
- 1/2 colher de chá de bicarbonato
- 140g de chocolate meio amargo, picado em pedaços do tamanho de chips
- 1/4 de xícara (30g) de chocolate branco, também picado
- 125g (1 tablete) de manteiga sem sal em temperatura ambiente
- 1/2 xícara (100g) de açúcar mascavo
- 1 colher de chá de extrato de baunilha

Pré-aqueça o forno em temperatura média (350F/180C) e forre uma assadeira com papel manteiga.

1. Numa vasilha, peneire as farinhas, o cacau em pó e o bicarbonato juntos.
2. Derreta metade do chocolate meio amargo em banho-maria. A outra metade do chocolate você mistura com o chocolate branco e reserva.
3. Bata a manteiga e o açúcar com uma batedeira até obter um creme fofo. Acrescente o extrato de baunilha e uma pitada de sal.
4. Com uma espátula, misture o chocolate derretido à mistura de manteiga. Depois acrescente a mistura de farinhas pouco a pouco. Vai chegar uma hora em que será preciso meter as mãos na massa, que a esta altura já parece boa o suficiente para comer (e como esta receita não tem ovos, você até pode comer a massa crua... mas tente não comer tudo antes de ir ao forno).

5. Finalmente, acrescente os pedaços de chocolate meio amargo e chocolate branco à massa. Faça bolinhas da massa usando uma colher de chá e coloque-as na assadeira. É importante (além de ser mais elegante) que os biscoitos sejam pequeninos, pois já que a massa não leva ovos, ela se quebraria toda caso eles fossem do tamanho de chocolate chip cookies, por exemplo. Além disso, os biscoitos mantém a forma ao assar, então você pode colocá-los mais apertadinhos na assadeira do que faria com um cookie tradicional.

6. Asse os biscoitos por 10-12 minutos. Eles parecerão bem molengas ainda, mas ficam firmes à medida que esfriam.

7. Pare de lamber os dedos e vá limpar a bagunça que ficou a cozinha.