sexta-feira, 30 de maio de 2008

Festival de cervejas do mundo







Montreal é a cidade dos festivais: de comédia a jazz, passando por tulipas e balões, acho que tem um festival para cada dia do ano por aqui. Só que Montreal é também conhecida por ser uma destinação gourmet, onde as pessoas vivem nos farmer's markets e apreciam sem preconceito as cozinhas dos lugares mais longínquos. Juntando essas duas qualidades você tem os festivais de comida e bebidas, que estão entre os meus favoritos.

Estas fotos são do festival de cervejas do mundo, que trouxe algumas das mais famosas, mais conceituadas e mais esdrúxulas bebidas do planeta. Eu particularmente não entendo muito de cerveja, mas achei a experiência de provar várias diferentes numa mesma noite muito (hic!)enriquecedora. Dessa maneira dá para perceber que, para um verdadeiro expert no assunto, o mundo das cervejas é tão rico e complexo quanto o dos vinhos.

Enquanto os países com tradição - Bélgica, Alemanha e Inglaterra - providenciaram as cervejas de melhor qualidade, as cervejarias locais e de outras destinações menos conhecidas também marcaram presença. Da Bélgica, eu provei uma cerveja chamada "delirium tremens" que, com um teor alcoólico de quase 10%, não tem esse nome à toa. Já da França eu provei uma cerveja verde que era muito bonitinha, mas tinha gosto de pastilha para garganta.

Do Quebec provei uma cerveja escura com um aroma de nozes maravilhoso. E tinha também dos Estados Unidos, Irlanda, Letônia, cerveja com frutas, cerveja de trigo, cerveja orgânica, enfim, muita coisa para uma noite só de degustações. Eu particularmente não sou nenhuma pinguça, mas todo mundo que gosta de comida há de concordar que algumas bebidas alcoólicas, especialmente vinho e cerveja, fazem parte da experiência gastronômica E fazem bem ao espírito - desde que apreciadas com moderação, claro.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Torta de ricotta e vegetais


Não foi exatamente uma torta do que tinha na geladeira, mas quase. Fui colocando os ingredientes que tinha à mão, pensando no que ficaria bom, no que combinava melhor, nas cores, e no final ficou bem gostoso mesmo. Coloquei uma camada fina de tapenade no fundo da massa, e por cima uma generosa camada de ricotta fresca, ligeiramente temperada com pimenta e sal (só um pouco, porque a tapenade é salgada), e finalmente alguns vegetais: dois tomates, um pimentão laranja e corações de alcachofra cortados em pedaços uniformes. Cobri tudo com um pouco de mozarela ralada, mas achei dispensável, porque a ricotta cremosa já estava de bom tamanho. Assei por 20-30 minutos e servi quente com uma saladinha verde, mas fica gostoso também em temperatura ambiente.

Para a massa, ao invés da tradicional receita de pâte brisée com a qual estava acostumada, resolvi experimentar a variação com um ovo no lugar da água, e confesso que achei a massa muito mais fácil de trabalhar, macia e saborosa. Adotarei essa prática de agora em diante. Também segui uma idéia que tinha visto no blog do Daniel e incrementei a massa com um punhado de ervas frescas picadinhas, no meu caso salsinha e alecrim que já estavam bons de colher no pé. As quantidades da receita do Daniel dão para uma torta fechada ou duas tortas abertas, então eu dividi a massa em duas partes e congelei uma.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Encontro de blogueiras

Encontro de blogueiras é assim: uma cozinha, outra tira fotos dos pratos, enquanto os maridos esperam o fim da sessão fotográfica para poder comer.

Semana passada a Fabrícia e o Mohamed foram jantar lá em casa, e adivinha que assunto predominou? (se bem que futebol ficou num respeitável segundo lugar, já que os maridos descobriram em pouco tempo que tinham mais este fanatismo em comum...). Que felicidade é poder confessar as suas piores obsessões por comida para alguém que te entende, e não vai te olhar com cara de medo!

Para o jantar eu fiz receitas já clássicas na minha cozinha: lombo de porco assado, vagens e risotto de açafrão com abóbora. A sobremesa ficou por conta da Fabrícia, que trouxe uma torta de morangos linda e deliciosa, pena que dela ninguém tirou fotos.

Foi uma noite muito agradável, e que só fez confirmar minha imensa alegria em poder participar desta comunidade de blogueiros e blogueiras de comida porque, cá pra nós, não existe um grupo de pessoas mais simpáticas, talentosas e carinhosas em todo o ciberespaço!

Repetecos


Nunca mais tive uma receita nova para postar aqui porque, justamente, eu tenho feito somente as mesmas coisas over and over. Agora que a tese entrou num ritmo meio frenético, não há tempo para invencionices nem para pôr em prática a pilha de receitas e recortes de revistas que se acumula na to do list. Não senhores: estes são tempos que pedem receitas já testadas e aprovadas, aquelas que você faz com os olhos fechados e uma mão nas costas, como esta batata rosti que eu fiz para acompanhar o salmão da sexta-feira. A receita, inclusive, já havia até sido postada antes, de maneira que sua re-aparição neste blog é pura enrolação de quem não tem novidades a contar.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Tulipas de Ottawa





Em 1945, a princesa da Holanda presenteou Ottawa com cem mil bulbos de tulipa em agradecimento à hospitalidade da capital canadense, que abrigou muitos exilados da família real durante a Segunda Guerra. Assim nasceu o festival das tulipas, que todo ano acontece na cidade. As tulipas são plantadas antes do inverno e passam meses congeladas, até brotarem sempre nesta época. Por conta disso a tulipa é uma planta relativamente comum por aqui, mas estas de Ottawa eram especialmente lindas, de todas as cores e formatos imagináveis.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dulce de Leche Brownies

Antes de mais nada, uma confissão: eu estava fazendo tudo errado. Até então, todas as vezes que fiz doce de leite em casa eu usei a técnica do banho-maria, porque tinha medo de usar a técnica da lata submersa e causar uma explosão. Quem mandou ser covarde? Ontem eu finalmente usei esta técnica, e devo dizer que o resultado ficou BEM melhor. É mais fácil, demora menos (especialmente se você tiver uma panela de pressão) e o doce de leite fica com uma cor e textura muito melhores. A partir de agora sou uma pessoa destemida e recomendo esta técnica a todos, desde que observemos algumas normas de segurança importantes:

Para fazer o doce de leite, primeiro retire o rótulo de papel da lata de leite condensado (que deve ser da variedade doce). Coloque a lata fechada numa panela funda e cubra com água. É fundamental que a lata fique inteiramente submersa na água, pois caso contrário existe sim um perigo de explosão. Coloque a panela no fogo alto até a água ferver, abaixe para fogo baixo e deixe cozinhando por duas horas e meia (menos de uma hora se usando a panela de pressão). É importante também checar o nível da água de meia em meia hora para garantir que a lata continua submersa. Depois deste período, deixe a lata esfriar completamente antes de abrir, senão você corre o risco de levar um banho de caramelo. Depois de aberta, mexa bem até o doce de leite ficar macio e homogêneo e coloque num pote bem fechado. Se não for usá-lo em seguida, o doce de leite pode ser conservado em geladeira por um bom tempo.

Eu usei o meu para fazer estes brownies que ficaram perfeitamente deliciosos. O doce de leite adiciona não só um novo sabor ao tradicional brownie, como também textura - é como um bolo macio recheado com um caramelo grudento - e cor - o redemoinho do marrom escuro com o caramelo claro possui um efeito quase hipnótico de tão apetitoso. Além disso, é uma receita extremamente fácil e prática que só suja uma panela, e todo mundo sabe que isso é um grande incentivo!

Dulce de Leche Brownies
(Receita adaptada do blog de David Lebovitz)

Um tablete (115 g) de manteiga sem sal
170 g de chocolate meio amargo cortado em pedaços
1/4 de xícara (25 g) de cacau em pó
3 ovos
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 xícara de farinha
1 xícara de doce de leite

Pré-aqueça o forno em temperatura média (350F). Cubra uma forma quadrada com papel alumínio e unte com manteiga. Pegue uma panela média e derreta a manteiga em fogo baixo, quando estiver derretida acrescente o chocolate picado e deixe derreter. Retire do fogo e junte o cacau em pó, mexendo bem até ficar homogêneo. Acrescente os ovos um de cada vez, depois a baunilha, o açúcar e por fim a farinha. A massa fica bem densa, quase uma massa de biscoito.

Coloque metade da massa na forma e depois coloque colheradas do doce de leite por cima. Com uma faca, faça leves redemoinhos com a massa e o doce de leite, mas não mexa demais a ponto de misturar os dois. Coloque o restante da massa e o restante do doce de leite e repita o processo dos redemoinhos. Asse por 40 minutos ou até a massa ficar resistente. Deixe esfriar completamente e corte em quadradinhos.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Fake Tandoori Chicken

Tandoor é o nome de um forno de argila onde são preparados muitos pratos tradicionais da cozinha indiana, especialmente o pão Naan e o frango tandoori, um dos meus preferidos. O frango é marinado em iogurte e temperos e depois assado neste forno especial, uma verdadeira delícia. Na semana passada o New York Times publicou uma receita de frango tandoori adaptada para o forno convencional - eu adorei a receita, mas tive que ser chata e chamá-la de fake tandoori, porque na minha opinião sem o forno especial não pode levar o nome tandoori e pronto. Dito isto, o fake tandoori ficou bem gostoso.

Fake Frango Tandoori
(Receita adaptada do New York Times)

Dois peitos de frango cortados em quatro filés
1 xícara de iogurte natural (sem sabor)
1 colher de chá de gengibre fresco ralado
1 colher de chá de alho picado ou ralado
1 colher de chá de paprica
1 colher de chá de semente de coentro em pó (ground coriander)
Suco de meio limão
Sal e pimenta à gosto

Faça um marinado misturando todos os ingredientes. Eu troquei a pimenta do reino por um pouquinho da harissa (pasta de pimenta) caseira que a Fabrícia me deu de presente. Coloque o marinado sobre os peitos de frango, cobrindo bem todos os lados, e deixe marinar por no mínimo dez minutos e no máximo uma hora na geladeira. O iogurte age como amaciante natural, mas como estamos usando peito de frango não precisa deixar muito tempo marinando, só para dar mais sabor mesmo. Depois coloque os peitos de frango numa assadeira forrada com papel alumínio e asse por cerca de vinte minutos, virando a carne na metade do processo. Se seu forno tem a função broiler imagino que o frango deva pegar ainda mais cor desta maneira, ou então na churrasqueira também deve ficar muito bom. Eu servi com espetinhos de vegetais grelhados e arroz basmati. As sobras do frango também fazem um belo sanduíche.