quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Na cesta orgânica dessa semana



Veio alface, kohlrabi, brócolis, couve-flor, tomate, pepino, beterrabas, couve, cebolinhas, abobrinha disco-voador e mais uma ultra-mega-abobrinha-gigante. Agora tenho que comer tudo isso!

Clique aqui para ler o que eu já escrevi sobre a cesta orgânica.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bistro du Marché, ou o Dia em que comi banana

Se minha vida fosse uma sitcom famosa, este episódio se chamaria "aquele com a banana". Quem me conhece sabe da minha aversão a bananas. Quem não conhece, basta dizer que meu marido é obrigado a escovar os dentes se quiser se aproximar de mim após comer o tal fruto, tão grave é a minha aversão. Pode me chamar de neurótica e dizer que não tive infância, mas só de sentir o cheiro de banana meu estômago se revira todo.

Bem, mas o que isso tem a ver com o simpático, charmoso e escondido Bistro du Marché, onde fui parar um dia, por acaso, quando passeava com minha sobrinha? O leitor provavelmente já adivinhou o final da história, de modo que não preciso mais manter o suspense: eu comi banana, pronto, falei. Eu. Comi. Banana. Mas o importante dessa história não é o que, mas o como. O que me traz de volta à resenha do restaurante.

Estávamos eu e Marília num grande centro comercial da cidade conhecido como Marché Central, numa área não muito favorável a restaurantes, quando, naturalmente, bateu a fome. Nos aproximamos do cinema, eu já antecipando que ia ter que aguentar um sanduíche de uma fast-food qualquer, quando vi uma placa que indicava para o Bistro du Marché. Achei estranho, pois apesar de ter uma área destinada para uma feira livre, o local estava vazio.

Continuamos seguindo a placa, que nos mandava atravessar o que me pareceu ser apenas um estacionamento, quando entramos no prédio e vimos que ali dentro, bem escondidinho, tinha um restaurante charmosérrimo. Típico bistrô, com mesas de madeira rústicas, flores secas na decoração, menu escrito à giz num quadro negro, pôsteres com motivos franceses. Já estava achando o máximo quando comecei a reparar nos preços, convidativos, e nos detalhes escritos no menu: "nossos ovos são 100% orgânicos"; "hamburgueres com carne orgânica"; "nossas sobremesas são todas feitas diariamente no próprio restaurante". Adorei.



Motivada pela história dos ovos orgânicos, pedi o especial que trazia uma omelete com legumes do mercado (será que o mercado é de manhã apenas?) e batatas cortadas à mão e fritas na hora. Marília pediu um filé de peixe com molho de salsinha e legumes. De entrada tomamos uma sopa cremosa de mandioquinha. Tudo muito fresco e gostoso.



A sobremesa era um bolo com cobertura de chocolate.

Dou a primeira mordida no bolo e comento: "Nossa, que bolo macio e molhadinho!"

Marília: "Tia Lud, eu acho que tem banana nesse bolo..."

Eu, cheirando cada pedaço do bolo: "Imagina! Se tivesse banana eu teria sentido o gosto ou o cheiro".

Marília: "Eu tenho certeza que tem banana neste bolo".

Eu, cheirando cada pedaço de bolo, coração palpitando: "Você está maluca".

Para acabar com a dúvida, perguntei ao garçom se tinha banana no bolo. "Sim, é bolo de banana e chocolate". Foi como se o chão tivesse sumido de baixo dos meus pés. De repente, tudo o que eu sabia ou achava que sabia sobre bananas, sobre minha relação com as bananas, mudou. Marília tirou logo uma foto da minha cara e ficou dando pulinhos de alegria ao sair do restaurante.

O resumo da ópera é que sim, eu confesso que adorei o bolo e não, não senti nenhum gosto de banana nele. E jamais teria comido um pedaço sequer se eu soubesse de antemão que tinha banana, de maneira que foi melhor para mim ter ficado na ignorância. De qualquer maneira, eu não estou pronta para dizer que sou uma pessoa evoluída que venci meu nojo de bananas - pelo menos não ainda. Ei, pelo menos eu descobri um restaurante ótimo ao qual voltarei muitas vezes. Se bem que vou perguntar sempre de que é o bolo antes de pedir...

Olha minha cara de quem comeu banana...

Como passar manteiga no milho

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Torta de abobrinha e batata

Nas últimas duas semanas começaram a aparecer verduras mais típicas do verão na cesta orgânica: cenouras, brócolis, pepinos e muitas, muitas abobrinhas. Mais abobrinhas do que eu sei o que fazer com elas. Felizmente, abobrinha é o tipo da coisa que eu comeria todos os dias da semana sem reclamar - mas mesmo assim, preciso encontrar receitas diferentes para aproveitas estas belezucas.


Essas abobrinhas amarelas em formato de disco voador (em francês: pâtisson, em inglês: summer crookneck squash) são tão lindas que dá até pena de comer. Pesquisando pelos blogs de comida mundo afora, me deparei com esta receita que pareceu ótima: uma torte de abobrinhas e batatas.

Curiosamente, muitas das coisas que deram errado na receita original também deram errado comigo: demorou demais para cozinhar, a parte de cima não ficou dourada como deveria, e a torta despedaçou-se inteira quando tentei cortar os pedaços - tanto que nem tive coragem de tirar uma foto (até porque já passava das 22h e estávamos morrendo de fome). Mas nada disso importa, porque o sabor ficou absolutamente divino. Para mim, o grande truque está na mistura de farinha e queijo parmesão, que absorve a umidade das batatas sem precisar de nenhum molho cremoso. Genial.

Torta de abobrinha e batata
(Receita adaptada do site Smitten Kitchen)

- 4 batatas médias
- 4 abobrinhas amarelas ou verdes
- um punhado de cebolinhas
- 1/2 xícara de parmesão ralado
- 2 colheres de sopa de farinha
- 1 colher de sopa de tomilho fresco
- sal, pimenta e azeite a gosto

Pré-aqueça o forno em temperatura média. Unte uma assadeira redonda funda com azeite. Numa vasilha, misture a cebolinha, o tomilho, o parmesão, a farinha e sal e pimenta com as mãos. Reserve. Fatie as batatas e as abobrinhas em fatias bem finas (importante que fiquem do mesmo tamanho para que cozinhem no mesmo tempo). Espalhe uma camada das batatas no fundo da assadeira, depois uma camada das abobrinhas.

Espalhe um pouco da mistura de farinha e parmesão por cima. Continue repetindo esse processo até terminar os ingredientes. Na última camada, espalhe o restante da mistura de farinha e pressione um pouco com as mãos para compactar tudo. Espalhe um pouco de azeite por cima e leve ao forno por uns 40 minutos, ou até que as batatas estejam cozidas e douradas por cima. Sirva como acompanhamento ou como prato principal com uma saladinha verde.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Salada grega de orzo


Enquanto algumas saladas pedem um prato bonito e cuidadosamente preparado, outras pedem mesmo é para serem jogadas numa vasilha bem funda e chacoalhadas até que todos os ingredientes estejam bem misturados. Essas saladas, naturalmente, não costumam ser tão fotogênicas, embora sejam as mais deliciosas.

Fiz uma adaptação livre da clássica salada grega, com tomatinhos cereja partidos ao meio, azeitonas kalamata picadas, pepino fatiado, um kohlrabi que entrou de furão na festa cortado em quadradinhos, muitas cebolinhas e manjericão fresco. Para dar mais corpo à salada misturei uma xícara de massa orzo, aquela que parece um arroz, cozida até ficar al dente. Temperei tudo com sal, pimenta, um pouco de suco de limão e bastante azeite e chamei de almoço.

Sorvete de café estilo vietnamita


Vietnamese coffee, ou café vietnamita, é como é conhecida a deliciosa mistura de café espresso e leite condensado. Tenho certeza que muita gente no Brasil (e na América Latina em geral, por onde o leite condensado é bem popular) costuma tomar café desse jeito, mas eu confesso que nunca tinha visto até ir num restaurante oriental pelas bandas de cá. Depois, na China, reparei que toda mesa de café da manhã tinha uma latinha de leite condensado do lado do bule de café. Como eu não pensei nisso antes? Simplesmente delicioso.

Folheando o livro do David Lebovitz à procura de um sorvete de café, me deparei com essa receita de vietnamese coffee ice cream estupidamente simples: misturar uma lata de leite condensado (equivalente a 1 1/4 de xícaras) com a mesma quantidade de café expresso ou do café mais forte que você conseguir produzir. Diluir com 1/4 de xícara de leite, se precisar, e colocar para gelar antes de colocar na sorveteira. Pronto. É só isso.

O leite condensado funciona como agente duplo: ao mesmo tempo em que adoça o café fortíssimo, engrossa o líquido garantindo um sorvete de textura extremamente cremosa. O resultado é um sorvete com gosto pronunciado de café, doce na medida certa e com um tom de caramelo ali no fundo. Entretanto, assim como acontece com o sorvete facílimo de Nutella, este se derrete em questão de segundos depois de sair do congelador, e nunca ficará com a consistência de um sorvete tradicional. Mas tudo bem, eu já sabia que uma receita simples e deliciosa desse jeito tinha que ter o seu porém - que, convenhamos, nem é tão mal assim. Eu adoro sorvete derretido...

Eu comi a primeira leva desse sorvete praticamente sozinha, e já estou maquinando drinks e smoothies que eu possa fazer com ele para o verão. O sujeito que primeiro teve a idéia de misturar café com gelo é um gênio, viu(*). Tem alguma coisa de estranhamente prazeiroso, de imprevisível para os sentidos, em se tomar uma coisa gelada com o gosto de uma coisa quente - ou que pelo menos estamos acostumados a associar com a sensação de "quente". Sem falar que o sabor do café intensifica-se, torna-se mais doce quando submetido a experiências geladas. Uia, esse post já virou conversa de viciada...

*Pesquisas rápidas (portanto nada confiáveis) pela internet revelaram que o café gelado provavelmente já existia desde o início do século XIX, no Japão e na Austrália. Eu digo que o inventor dessa delícia deve ter sido um canadense, porque o povo daqui não sabe o que fazer com as mãos se não estiverem ocupadas com um copão de café: no inverno um café quentão para esquentar o corpo, e no verão um frapuccino geladíssimo para refrescar.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Salada de vagens com prosciutto e ovo poché



Quem adivinhou que após a aquisição do poachie seguiriam-se inúmeras receitas com ovos poché neste blog ganhou um prêmio. Eu sou assim mesmo, quando adquiro alguma técnica nova ou descubro um ingrediente do momento fico meio obstinada.

Desta vez, no entanto, foi quase uma coincidência - coincidência que eu estava querendo fazer uma salada para usar as vagens verde e amarelas que vieram na cesta orgânica da semana, e ao folhear a revista Gourmet de agosto encontro justamente uma receita de salada de vagens com um ovo poché em cima.

Da receita original eu só segui mesmo a idéia, pois ela sugeria uma vinagrete de estragão e eu prefiro as minhas vagens só com sal, pimenta e azeite honesto. Além disso, resolvi acrescentar alguns ingredientes a mais, como o prosciutto e as nozes, para transformar a saladinha simples numa refeição completa.

Então vamos lá: fervi as vagens em água com sal por cinco minutos, depois escorri e coloquei numa vasilha com água gelada para esfriar e parar o cozimento. Temperei com sal, pimenta e azeite e arrumei no centro do prato. Salpiquei lascas de prosciutto por cima e nozes levemente tostadas (salada boa tem que tem algo crocante). Por fim, fiz um ovo poché e coloquei por cima de tudo.

Este é o tipo de salada que pede para ser arrumada elegantemente, cada ingrediente harmonicamente ocupando seu lugar no prato. Perfeita, portanto, para uma festa ou jantar com amigos. Além do que, o ovo poché naturalmente traz um certo glamour, uma expectativa do momento "ta-da" quando o garfo perfura a gema mole e esta se espalha por todo o prato, provocando "ohs" e "ahs" dos convidados.