segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Panquecas para um domingo preguiçoso


Acordei no domingo com vontade de comer panquecas, daquelas que estamos acostumados a ver nos filmes e desenhos animados americanos. Só de pensar na imagem daquela pilha de panquecas quentinhas e fofinhas eu já podia sentir o gosto - o que me pareceu estranho, muito estranho aliás, já que eu nunca havia feito nem comido as tais panquecas antes. Quem mandou ver tanto filme? Já estou imaginando coisas.


Recorri ao Mark Bittman e seu How to cook everything vegetarian para a receita que segue abaixo. Ele dá ainda dezenas de dicas de como variar as panquecas e torna-las um pouco mais nutritivas, mas eu estava atrás da receita tradicional mesmo. Tenho a impressão de que a nossa farinha é um pouco mais densa que a norte-americana, portanto procurei fazer as panquecas bem finas para que não ficassem muito massudas.

Embora sejam em si um pouco adocicadas, as panquecas precisam ser ajudadas com alguma coisa doce - uns derretem manteiga por cima, outros geléia de fruta, mas o mais tradicional é o xarope de bordo (maple syrup). Eu aproveitei uma lata que ainda tinha do Canadá e achei uma delícia. É um tipo de café da manhã para se fazer nos dias de preguiça e aproveitar com calma, de preferência de pijamas, sem pressa e sem culpa.



Massa de panquecas
(Receita do livro "How to cook everything vegetarian", de Mark Bittman)

- 2 xícaras de farinha de trigo
- 2 col. de chá de fermento químico
- uma pitada de sal
- 1 col. de sopa de açúcar (opcional)
- 2 ovos
- 1 e 1/2 a 2 xícaras de leite
- 2 col. de sopa de manteiga derretida (opcional)

Enquanto faz a massa, esquente uma frigideira em fogo médio (quanto maior for a superfície da frigideira, mais panquecas você fará ao mesmo tempo) e ligue o forno também em temperatura média.

Misture todos os ingredientes secos numa vasilha funda. Em outra vasilha, coloque o leite, a manteiga (se for usar) e quebre os dois ovos. Bata bem até misturar tudo e coloque essa mistura na vasilha com os ingredientes secos.

Misture bem, mas não precisa ser demais - se ficarem ainda alguns carocinhos, não tem problema. A massa deve ficar grossa mas ainda maleável, se ficar grossa demais coloque um pouco mais de leite (*a minha ficou na consistência ideal).

Usando uma concha, coloque um pouco da massa na frigideira quente, fazendo círculos do tamanho que desejar. Se a frigideira for anti-aderente não precisa usar manteiga ou óleo (*eu usei um pouco de manteiga). Quando começarem a aparecer bolhas na superfície da massa, vire-as com a ajuda de uma espátula e deixe dourar do outro lado. Este processo não leva mais de três minutos.

A quantidade de massa é suficiente para quatro pessoas. Se for fazer mais ou demorar um pouco para servir, coloque as panquecas prontas numa assadeira e deixe no forno morno para que não esfriem. Sirva quente com manteiga derretida, geléia ou xarope.

--> Dica do Bittman 1: Se quiser fazer apenas algumas panquecas de cada vez, você pode fazer a massa e deixar na geladeira durante dois ou três dias.

--> Dica do Bittman 2: Você também pode deixar todos os ingredientes secos já pré-misturados na sua despensa, e juntar apenas os ovos, leite e manteiga quando quiser panquecas fresquinhas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A novidade está nos detalhes


Tenho uma dificuldade enorme em testar receitas novas no dia-a-dia. Sempre que o tempo aperta a criatividade cai, e termino recorrendo àqueles seis ou sete pratos que faço de olhos fechados. Minha grande ambição é elaborar um cardápio semanal com pratos novos e ingredientes os mais variados, mas nunca consigo a organização necessária.

Enquanto não chego lá, o jeito é dar uma atualizada nos clássicos, como a tilápia meunière que costuma fazer aparições semanais aqui em casa. A receita já foi publicada aqui. A novidade ficou por conta do purê de mandioquinha, que substituiu a tradicional batata, e da abobrinha refogada.

Para fazer o purê, cozinhei cinco mandioquinhas em água até que estivessem macias, depois bati com um pouco de leite morno e temperei com sal e pimenta do reino. Já a abobrinha foi cortada em meias-luas e depois refogada com uma cebola fatiada bem fininha até caramelizar. Arrumar o prato de maneira diferente também ajuda na hora de sair da rotina.

domingo, 12 de setembro de 2010

Comida chinesa em Salvador


Passei muito tempo afastada do blog, mas não das panelas e muito menos das palavras. Estive cozinhando diversas novidades - algumas ainda estão em fase de testes, outras precisando de um tempero final -, mas uma delas é que fui chamada para realizar matérias gastronômicas para a revista Muito, publicada aos domingos pelo jornal A Tarde.

A primeira delas foi sobre comida chinesa em Salvador. Tive a oportunidade de conversar com donos de restaurantes sobre a autenticidade da comida étnica disponível na cidade, os pratos mais populares, e as adaptações que precisaram fazer ao paladar local.

A matéria está disponível para quem quiser ler aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Como assar um pimentão sem churrasqueira


Parece estranho, mas é assim mesmo

Para mim a melhor maneira de se cozinhar um pimentão sempre foi assando-o na churrasqueira até que a pele ficasse esturricada e por fim viesse a se separar facilmente da carne já macia, doce e levemente defumada. Agora que não tenho mais uma churrasqueira, precisei recorrer a métodos menos ortodoxos para assar pimentões.

Já tinha visto chefs assando pimentões e berinjelas diretamente na boca do fogão na TV antes, mas aquilo sempre havia me parecido errado ou perigoso. Mas com a prática aprendi que não é: basta usar uma pinça de cozinha com cuidado e tratar o fogão como se fosse uma churrasqueira.

Coloque o pimentão diretamente sobre a chama alta e deixe-o queimar uniformemente por todos os lados, girando-o de tempos em tempos com o auxílio de uma pinça de cozinha. Esse processo leva uns quinze minutos no máximo, mas não se assuste com cheiros nem cores de queimado. Quanto mais queimada estiver a pele do pimentão, mais facilmente ela sairá depois que ele tiver esfriado um pouco.

Para retirar a pele queimada, use as mãos ou raspe a superfície do pimentão delicadamente com uma faca (mas não se preocupe em tirar cada resquício), e use o seu pimentão assado como quiser. Eu usei o meu para fazer uma sopa de tomate bem quentinha e aproveitar as temperaturas amenas que tem feito ultimamente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Comi em Brasília

É incrível como a terra natal tem uma importância nas nossas vidas. Acho que o local onde você nasce, e sobretudo onde você passa sua infância deixa marcas na memória que nenhum outro lugar é capaz de reproduzir. É por isso que sempre irei me considerar brasiliense, por mais que agora já esteja me encaminhando para mais anos vividos aqui em Salvador do que lá.


Recentemente estive na minha terra natal para rever algumas pessoas muito queridas. Entre uma visita à casa onde nasci e uma passadinha na feira do Paraguai - pois programa mais brasiliense não há -, comi muita comida caseira: desde aquela preparada carinhosamente por tios e tias "de consideração" (já que a geração dos meus pais foi para Brasília sem conhecer ninguém e por lá sedimentou amizades muito mais fortes do que laços sanguíneos), até jantares espontâneos com amigos e amigas que se casaram e agora estão arrasando na cozinha (né Karina?), passando por um encontro dos mais requintados com membros dessa minha segunda família, a do meu marido (pois eu sou uma pessoa de muita sorte, e não ganhei apenas um companheiro mas toda uma família).

Por conta disso, não tive a oportunidade de conhecer bem a cena de restaurantes, embora tenha reparado que existe, sim, uma cena bem forte. Fui levada a apenas um restaurante, o Dona Lenha (tem várias locações pela cidade, fui no da Asa Norte), que me deixou com ótimas impressões.


De entrada comi uma das melhores brusquettas que já comi em restaurantes, bem temperada e com saborosíssimos tomatinhos-cereja.


Depois comi um enrolado de massa phyllo de carne de carneiro desfiada com cebola caramelizada, acompanhado por um delicioso molho tzatziki.


Serviço: Dona Lenha (www.donalenha.com.br)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cafezinho



Mais uma relíquia garimpada entre as coisas guardadas na casa da minha mãe - delicadas xícaras de cafezinho japonesas que pertenceram aos meus avós maternos. Difícil precisar a idade, mas certamente tem mais de oitenta anos. Perfeitas para as ocasiões mais especiais.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Marakuthai e um encontro

Cumprindo aquela promessa que fiz de visitar pelo menos um (ou quantos couber no bolso) restaurante da minha lista de obrigatórios a cada visita à Meca, ops, São Paulo, desta vez optamos por um restaurante do qual já havia ouvido coisas maravilhosas do Edu Luz, autor do famoso bog Da Cachaça pro Vinho. Como se não bastasse, o próprio Edu (com sua esposa e fotógrafa oficial do DCPV, a Dé) fez a gentileza de nos encontrar lá para uma tarde de muita conversa e comida boa.


Na realidade, minha história com o Marakuthai começou até antes disso. No ano passado, estava eu num ônibus lotado em direção à USP, indo para um congresso de cinema, quando vi o prédio - uma casinha branca com as beiradas das portas e janelas pintadas de azul royal - e o nome do restaurante me chamou a atenção. Adoro trocadilhos engraçados e inteligentes. Tempos depois, vim a saber que o Marakuthai era um restaurante conhecido e premiado, capitaneado por uma chef de apenas 21 anos, a Renata Vanzetto.

Alguns meses depois, finalmente entrei naquela casinha branca só para constatar que o interior era exatamente como eu havia imaginado: cheio de personalidade, com elementos étnicos aqui e ali (mas nada com cara de loja de decoração), toques femininos, jovens e bem-humorados. Adorei os vestidos, sapatos e bolsas de bechó que enfeitam escada e banheiro, e descobri até um pôster igualzinho ao que eu trouxe de Hong Kong.


Sobre a comida os elogios só fazem aumentar.


De entrada, comemos bolinhos de cordeiro - deliciosos, mas inesquecíveis eram os molhos de curry e pesto thai com hortelã que acompanhavam.


E shooters de salmão (selado por fora e cru por dentro) com molho de abacate e chips de batata doce. Além de lindo estava delicioso, aliás salmão com abacate é uma daquelas combinações imperdíveis, não é?


De pratos, provamos a costelinha de porco com purê de milho verde e compota de pimenta biquinho - carne maravilhosa, mas o molho de pimenta roubou a cena mais uma vez.


Comi também um prato mais típico thai, o curry verde de frango, só para matar a saudade. Foi sair de lá direto para o Santa Luzia comprar curry verde!

De sobremesa, brigadeiro de panela (literalmente) e pequi gateau.



O brigadeiro estava ótimo, comparável ao da minha mãe que, todo mundo sabe, faz o melhor brigadeiro do universo, mas sensacional mesmo estava o pequi gateau: mesma consistência do bolinho quente que já cansou a beleza de todo o mundo, mas com o inesperado azedinho do pequi, além de outros aromas hipnotizantes que não consegui identificar (cardamomo, talvez).

O Edu e a Dé foram companhias perfeitas para este almoço que se estendeu quase que até o jantar - e olha que falamos pouco sobre comida. Aliás, todas as pessoas que conheci através dos blogs de comida se tornaram grandes amigos e influências na minha vida. Estou cada vez mais convencida de que a comida é a única linguagem cultural capaz de unir as pessoas mais diferentes em torno de uma paixão comum. Enfim, este almoço me deixou muito feliz. Um brinde!