terça-feira, 26 de agosto de 2008

Arroz frito com frango


Acho que não cheguei a comentar isso nos posts sobre a viagem, mas quando estivemos na China um dos pratos salvadores da pátria foi o arroz frito. Qualquer restaurante, mesmo os que não se prezam, tem uma ou duas variações deste prato (alguns têm dezenas, os menus lá são verdadeiros livros), que geralmente é o mais barato e mais satisfatório. Sempre que estávamos indecisos ou sem estômago para provar algo desconhecido, ou quando o restaurante não tinha menu em inglês, apelávamos para o arroz frito (chao fan). E nunca nos arrependemos.

Não sei exatamente o porque, mas eu não comi arroz frito desde que voltamos de viagem - talvez por ser um prato muito simples ele termina sendo esquecido nos restaurantes asiáticos que frequentamos. Até que fomos num restaurante tailandês com a Fabrícia e vimos um prato de arroz frito numa das mesas vizinhas que estava de dar água na boca. Pedimos o que achávamos ser o mesmo prato, e que não era mas estava igualmente delicioso. Naquele momento eu decidi que iria tentar reproduzir a receita em casa, apesar das minhas terríveis experiências de tentar cozinhar pratos asiáticos em casa.

Terminei descobrindo algumas coisas: 1) arroz frito não é exatamente frito (deep fried), é apenas ligeiramente salteado na wok (pan fried) até ficar crocante e quentinho, ou seja, é saudável e extremamente fácil de fazer em casa; 2) arroz frito só deve ser feito com arroz frio e bem sequinho, de preferência aquele arroz de ontem que está na geladeira. Ou seja, é um prato perfeito para aproveitar sobras; 3) você não precisa ter uma wok para fazer arroz frito, basta uma frigideira bem grande e calor máximo no fogão; e 4) é extremamente importante preparar todos os ingredientes de antemão, porque uma vez que o arroz começa a fritar em fogo máximo, as coisas acontecem muito, mas muito rápido.


Na minha receita de arroz frito eu usei meia lata de milho verde em conserva, ervilhas congeladas, dois ovos, cebolinha e um peito de frango, além, é claro, do arroz de ontem. Eu preferi assar o frango separadamente e acrescentar só no final para esquentar, mas suponho que o melhor seja cozinhar o frango na mesma panela que o restante dos ingredientes.

Esquentei uma frigideira bem grande e coloquei duas colheres de sopa de óleo de canola (não é recomendável usar azeite de oliva por causa do sabor forte e da alta temperatura). Quando estava saindo fumaça coloquei o arroz (direto da geladeira) e ajudei a quebrar os pedaços grudados com chopsticks. Enquanto isso, bati dois ovos numa vasilha com duas colheres de chá de óleo de gergelim (sesame oil) para dar um gosto mais oriental à coisa. Quando o arroz estava bem quente coloquei os ovos, que começaram a cozinhar imediatamente. Depois coloquei o milho e a ervilha, e por fim o frango cozido cortado em cubinhos. Temperei com sal, pimenta, molho shoyo e cebolinha e servi bem quente. Ficou muito bom!

Eu tinha lido em outros blogs que o certo era fritar os ovos antes do arroz, retirar da panela e só juntar no final, mas minha intuição achou melhor jogar os ovos crus por cima do arroz, pois assim eles se misturam mais uniformemente ao arroz e você fica só com aquele gostinho de ovo no background, ao invés de comer arroz misturado com ovo frito. Fiquei satisfeita com o resultado quase profissional do meu prato - quase porque sempre acho que falta algum tempero, algum ingrediente, aquele je ne sais quoi que faz com que os pratos asiáticos feitos em casa nunca fiquem com o mesmo sabor do restaurante.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Bolo de azeite de oliva


Vi essa receita na televisão e fiquei salivando, curiosa, até que resolvi testar em casa. Devo avisar de antemão que achei o resultado um pouco decepcionante, considerando os aromas inebriantes que saltaram do azeite, a cor viva e a textura de nuvem da massa, que me fizeram ficar pensando comigo mesma "uau, esse bolo vai ser bom demais" durante todo o processo de preparo. Infelizmente não pude dizer isso em voz alta ao provar o primeiro pedaço. O bolo ficou bonito e extremamente fofinho, mas o sabor foi um pouco difícil de definir - algo entre o doce e o salgado, entre o leve e o gorduroso, enfim, uma coisa não-ruim, mas simplesmente indefinida.

Bolo de azeite de oliva
(Receita ligeiramente adaptada do programa French Food at Home, do Food Network Canada)

- 3/4 de xícara de azeite de oliva extra virgem
- Raspas e suco de um limão
- Raspas de uma laranja (*não usei)
- 1 xícara de farinha de trigo branca
- 5 ovos
- 3/4 de xícara de açúcar
- 1/2 colher de chá de sal

Primeira coisa: é imporante usar um azeite de oliva extra-virgem, pela qualidade, mas que não tenha aroma e sabor muito forte, senão o bolo vai ficar definitivamente estranho. Prefira um azeite mais suave e fruity, como dizem por aqui.

Faça todo aquele ritual de aquecer o forno em temperatura média (350°F/180°C) e amanteigar (ou, neste caso, azeitar) uma forma para bolos. Eu sempre forro o fundo das formas com papel manteiga, mesmo as anti-aderentes.


Divida os ovos e bata as gemas com o açúcar na batedeira até obter uma mistura grossa e pálida. Coloque o suco e as raspas de limão e despeje o azeite de oliva. O laguinho amarelo-vivo que se forma na vasilha tem um aroma simplesmente delicioso. Adicione a farinha e misture tudo com uma espátula até incorporar.

Em outra vasilha, bata as claras em neve com a pitada de sal e gentilmente incorpore à massa. Asse por 45 minutos, ou até o palito sair limpo. Se quiser decorar, depois que o bolo estiver frio pincele um pouco mais de azeite por cima e polvilhe com açúcar de confeiteiro.

O bolo ficou macio como uma nuvem, embora revelasse um pouco de oleosidade ao ser apertado com as mãos. A cor, no entanto, é sensacional - é como cortar uma fatia do sol e ser atingido por um raio amarelo-vivo saindo de seu centro. Infelizmente, a julgar pelas mixed reviews dos críticos - e pelo fato de que o bolo ainda está ali na bancada após alguns dias -, essa receita dificilmente terá uma reprise na cozinha aqui de casa.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sopa creme de cenoura


Vieram cenouras tão lindas na cesta orgânica, laranjas por fora e quase amarelas por dentro, que eu mantive a sopa o mais simples possível: cortei e dourei uma cebola pequena e dois dentes de alho no azeite, juntei as cenouras cortadas em fatias e cinco xícaras de água. Temperei com sal, pimenta, um pouco de harissa e dois raminhos de tomilho limão. Deixei cozinhar por trinta minutos e depois bati tudo até virar um creme tão grosso e apetitoso que você seria capaz de jurar que tinha creme de leite ali, mas não tinha. Eram só as cenouras deliciosas. Comemos com pão italiano tostado na churrasqueira.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Aceita um chazinho?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pithivier de acelga e ricota


Pithiviers são tortinhas francesas feitas de massa folhada nas quais o próprio recheio dá forma à torta, sem a ajuda da fôrma (esse acento já dançou?). As mais conhecidas são doces, feitas de pasta de amêndoas e chocolate, mas há também as salgadas feitas de carne. Essa aí não é nem uma nem outra: leva apenas acelga (swiss chard) refogada, ricota e parmesão.

Esse recheio de acelga é delicioso e extremamente versátil. Você pode usá-lo em tortas ou como recheio para lasanhas, canelones ou qualquer outra massa do tipo. Pode fazer em grande quantidade, congelar e descongelar aos pouquinhos. Era o que eu ia fazer, mas o maço de acelga que chegou na cesta orgânica foi menor do que o previsto e terminei fazendo só uma porção individual.


Pithivier de acelga e ricota
(Receita ligeiramente adaptada do site Recettes du Québec)

Para uma pithivier média (do tamanho de um prato de sobremesa)
- Um pedaço de massa folhada (*compro pronta)
- Um maço pequeno de acelga/swiss chard
- Meia cebola média
- Um dente de alho
- Três colheres de sopa bem cheias de ricota
- Duas colheres de sopa de parmesão
- Sal e pimenta

Lave bem a acelga e separe os talos das folhas cortando ao redor dos talos. Coloque os talos numa panela com água fervente por dois minutos, depois acrescente as folhas e deixe mais dois ou três minutos. Escorra e coloque tudo numa vasilha com água gelada ou passe sob a água gelada da pia. Deixe escorrer.

Enquanto isso, corte a cebola e o alho em pedacinhos pequeninos e leve à panela com um fio de azeite. Enquanto a cebola e o alho suam bastante, mas antes de tomarem cor, pique os talos da acelga e as folhas em pedacinhos também pequeninos. Leve tudo à panela com a cebola e o alho e tempere com sal e pimenta à gosto.

Desligue o fogo e deixe a mistura esfriar. Depois misture os queijos e prove; coloque mais sal e pimenta se for preciso. Está pronto o seu recheio mil e uma utilidades! Para fazer o pithivier, divida a massa folhada em dois pedaços e abra dois círculos, um maior e um ligeiramente menor.

Se quiser cortar círculos perfeitos use um prato de sobremesa como medida para o círculo menor. Coloque o círculo menor sobre uma folha de papel manteiga sobre uma assadeira e pincele as beiradas com um ovo batido. Vá arrumando o recheio no centro do círculo, compactando bem e fazendo uma montanha, isto é, mais alta no centro do que nas beiradas.

Depois é só pegar o círculo de massa maior e ir colocando sobre o recheio, com cuidado para "vedar" bem e não deixar nenhum bolsão de ar - aperte delicadamente com os dedos (pense naqueles livros que você encadernou com papel contact nos tempos de escola...). Depois, se quiser, é só decorar a beiradinha da torta pressionando levemente com a lateral de uma faca.

Faça três incisões no topo da torta para o ar escapar e pincele tudo com mais ovo batido. Leve ao forno pré-aquecido (180C/350f) por 30-35 minutos, ou até que a massa esteja bem inflada e douradinha. Sirva como lanche ou almoço acompanhado por uma saladinha verde e prepare-se para soltar muitos "hums" e "ahs", porque isto é muito gostoso.

Zest & zester


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tacos de frango ao chilpotle


Relendo o post anterior me dei conta de que não fui 100% justa com os tacos de frango. Tudo bem que eles não deram certo no piquenique, mas isso é mais culpa minha do que deles - prova disso é que já fiz estes tacos em casa antes e eles ficaram deliciosos. Dito isso, acho que vale postar aqui a receita.

Antes de chegarmos lá, porém, cabe um disclaimer sobre os tacos. Tecnicamente tacos são ingredientes variados enrolados por uma tortilha de milho, que pode ser dura (hard taco) ou mole (soft taco). Como a dura necessariamente implica em fritura, aqui em casa só comemos tacos moles (não que eu não goste, mas é que eu tenho essa regra contra fazer fritura em casa). Compramos tortilhas de milho artesanais numa lojinha de ingredientes latinos, porque aquelas industrializadas do supermercado me assustam (essa mania de ler a lista de ingredientes de tudo dá nisso).

O taco é um prato mexicano feito para ser comido com as mãos, com o complemento de salsa, guacamole e sour cream. Já o recheio pode ser de praticamente qualquer coisa. Como acontece com algumas culinárias étnicas cujo sabor eu jamais consigo reproduzir na minha cozinha (como a chinesa, por exemplo), eu termino não ligando muito para autenticidade. É como se a dificuldade de produzir algo legítimo me desse a ousadia para criar minhas próprias versões das coisas, então entendam a receita a seguir como minha visão pessoal do taco de frango.

Ah, mas se tem alguma coisa legitimamente mexicana nessa história toda são as pimentas chilpotle, pelas quais ando perdidamente apaixonada. Tudo começou quando fomos ao meu restaurante mexicano favorito e serviram de entrada uns chips de tortilha com um molho vermelho. O molho era deliciosamente picante, com um quê de defumado e de mel. Cogitei roubar um pouco do molho (nessas horas eu queria andar com um tupperware na bolsa...), perguntei o que era e me disseram a palavra mágica: chilpotle.

Não precisa nem dizer que fui ao mercado atrás da pimenta, que depois descobri se tratar do jalapeño (esse sim picante de matar) defumado e conservado numa espécie de molho barbecue à base de tomates, especiarias e mel. Por mais que eu tenha ficado empolgada com a descoberta dessa pimenta, demorou um tempo até eu consegui dar uma finalidade para ela outra que a de ficar decorando a despensa.


Frango grelhado ao chilpotle

- Dois peitos de frango inteiros ou cortados em filés
- Duas a três pimentas chilpotle (com o molho da lata)
- Uma colher de sopa de páprica
- Uma colher de sopa de cominho
- Meia colher de chá de sal
- Uma colher de sopa de mel
- Três dentes de alho

Bata todos os ingredientes (menos o frango, por favor!) num processador ou no pilão até virar uma pasta; cubra os peitos de frango com este marinado e deixe num pote fechado ou saco ziploc na geladeira por até 24 horas. Depois é só grelhar o frango na churrasqueira ou no grill. Para fazer tacos basta desfiar o frango depois de pronto.

Os demais ingredientes para montar o taco vão conforme a sua preferência: no meu só não pode faltar sour cream e guacamole. De resto, eu coloco alface picadinha, milho verde de lata, queijo cheddar ralado, cebolas caramelizadas dependendo do que tem na geladeira. Come-se em temperatura ambiente, mas é bom dar uma tostadinha nas tortilhas numa frigideira antiaderente bem quente (não é preciso óleo).