terça-feira, 9 de dezembro de 2008

The Cheeseboard collective e pizza







O Cheeseboard é uma instituição na cidade de Berkeley, Califórnia. Já tinha lido sobre ele no livro sobre a Alice Waters e o Chez Panisse, pois ambos foram criados mais ou menos na mesma época (final dos anos 60 e início dos 70) e ficam frente a frente na avenida Shattuck. Fui lá só para visitar e olhar embasbacada o quadro-negro com centenas de opções de queijos, mas infelizmente não pude comprar nenhum pois no dia seguinte já tinhamos que pegar a estrada.

O Cheeseboard funciona como uma cooperativa na qual todos os funcionários são também chefes, no melhor espírito hiponga que, por sinal, ainda está bem vivo em Berkeley. Ao lado da loja de queijos há um anexo que faz pizza diariamente para o almoço. Pizza deliciosa, com ingredientes finos e por menos de 3 patacas a fatia, entende-se porque o local fica lotado de estudantes da UC Berkeley.

Eu e Luiz comemos quatro fatias enormes da pizza do dia (tomates roma, alho assado e queijo gruyère) sentados na mesa comunitária enquanto um pessoal animado improvisava uma jam session do lado. Na nossa frente sentou-se um pai com um menino que estava devorando a pizza aos pedaços, só para depois cuspir os tomates e as cebolas que encontrava no caminho. Cada um tem seu jeito de comer pizza, não é mesmo?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Das coisas interessantes que comemos no caminho


Ostras no churrasco em Bodega Bay. As ostras gigantes são assadas com a casca na churrasqueira até ficarem mais ou menos cozidas, dependendo do gosto do freguês. Depois coloca-se um molho picante por cima - confesso que não comi, mas disseram que estava muito bom.


Bibimbap no restaurante Korea House, em San Francisco. O bibimbap é um prato típico coreano à base de arroz, vegetais e carne. Este foi servido num prato de pedra fumegante com uma gema de ovo crua por cima (quem cozinha a gema é o calor do prato).


Ravioli de pato com molho de gorgonzola, tomate e nozes no restaurante Flavor, em Santa Rosa.


Sanduíche com sopa cremosa de alcachofra na lanchonete Panino, em Los Olivos. Anotem aí: ainda vou reproduzir esta sopa em minha cozinha.


Alcachofras grelhadas com manteiga de alho e parmesão em Dana Point, perto de Los Angeles. Como dava para perceber pelas fazendas de beira de estrada, a região sul da Califórnia produz muitas alcachofras.


Croquetes, tamales (pamonhas) e salgadinhos no restaurante cubano Felix Café, em Orange. Lá comemos também um porco assado até desmanchar na boca com feijão preto e mandioca frita, com gosto de comida caseira.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Melitta Inn em Santa Rosa

Pensei em chamar este post de "sorte de viajante" ou "atiramos no escuro e acertamos em cheio", ou qualquer outro título que fizesse alusão à ironia que é esta vida. Quando estávamos ainda em San Francisco planejando a subida para Napa e Sonoma, Luiz queria reservar um hotel com antecedência, organizado que é para assuntos de viagem. Já eu tinha essa idéia louca de que seria melhor passar de carro e ficar no primeiro Bed & Breakfast que parecesse bacana, romântico e aconchegante. Ninguém me disse que essas coisas só acontecem em filme, fazer o que?

Quando nos tocamos de que os alojamentos na rota do vinho californiano ficam absolutamente lotados durante os finais de semana, já era tarde. Começamos a ligar para todos os hotéis, Inns e Bed & Breakfast indicados no nosso guia, sem sucesso. Fomos para a internet e lá as opções eram igualmente escassas. Quando estávamos quase desistindo, ligamos para um lugarzinho simpático na cidade de Santa Rosa, perto de Sonoma, e fomos atendidos por um senhor de sotaque inglês. Felizmente, no Bed & Breakfast dele havia vagas para as datas que queríamos e dentro do nosso orçamento.

Ficamos satisfeitos e já estávamos fechando o negócio quando o senhor inglês falou: "a propósito, minha esposa é chef treinada e conhecida na região por seus cafés da manhã gourmet". Jackpot! Foi como acertar na mega-sena sem nem sequer ter jogado. Fomos recepcionados por Tim e Jackie em seu imaculado Melitta Inn, este sim saído diretamente de um cenário de filme. Bacana, romântico e aconchegante como eu havia imaginado.






São Jackie e Tim que cuidam de tudo no Inn, que fica numa propriedade histórica cuidadosamente restaurada. E os cafés da manhã? Simplesmente inacreditáveis. Fomos recebidos todas as manhãs com pães, scones e bolos recém-saídos do forno, sucos de frutas orgânicas feitos na hora, pratos doces e salgados como panquecas com molho de maçã e bacon, ovos benedict com aspargos e prosciutto, pêras cozidas cobertas com molho de caramelo, tortilha espanhola com legumes, pão de abobrinha e até croissants feitos em casa.

Eu, claro, além de saborear as delícias servidas por Jackie, carinhosamente apelidada por mim de Julia Child inglesa, me coloquei a fotografar cada obra de arte que saía da cozinha servida em sua belíssima louça britânica. Conversamos muito sobre comida e recebemos ótimas dicas de restaurantes, mas infelizmente não pude ir na cozinha nem copiar as receitas (Jackie é muito preocupada em manter as normas de higiene da cozinha, e eu tive que respeitar, embora estivesse com vontade de invadir o lugar e tirar um monte de fotos).






sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Nem só de vinho vivem as vinícolas




De belas oliveiras e delicioso azeite também!

Sonoma valley

Apenas as montanhas e uma estrada separam os vales de Napa e Sonoma na Califórnia, mas parece que são dois mundos opostos. Enquanto em Napa paga-se caro por degustações, vê-se muita gente circulando em limusines e tapetes vermelhos forram os austeros salões das vinícolas, em Sonoma o esquema é muito mais casual e descontraído. A maioria das vinícolas não cobra pelas degustações (ou cobra um preço simbólico), que acontecem em salões decorados ou até no próprio depósito da vinícola, em meio aos barris de carvalho. Nem preciso dizer que me apaixonei por Sonoma, não é mesmo?


Visitamos três vinícolas interessantes: uma delas está mudando para a vinicultura orgânica e sustentável, na qual plantam-se também flores, frutas e verduras e cria-se até gado para fertilizar a terra de maneira natural. A segunda pertencia a um australiano, e via-se que toda sua família trabalhava junta na pequena e simpática vinícola. Na terceira, comandada por um mega-produtor musical, tivemos a sorte de ver os trabalhadores colhendo azeitonas das oliveiras que levam até a propriedade.


Como não somos grandes entendedores de vinho, Luiz e eu empregamos nossas melhores técnicas jornalísticas e entrevistamos os especialistas das vinícolas tentando tirar o máximo de informação possível nas degustações, sem medo de fazer perguntas bobas. É impressionante como um pouquinho de prática guiada por quem realmente entende do assunto ajuda. Até o meu olfato terrível deu uma melhorada e eu consegui finalmente concordar com o sujeito que me listava os aromas de baunilha, temperos e frutas silvestres no vinho.


Mas acho que o melhor mesmo dessas visitas à vinícolas foi a experiência de ver de perto todo o processo de produção de uma bebida tão complexa e cujo resultado final depende de tantos fatores, entre eles tempo, clima, mercado. É preciso ter muita paixão para mergulhar de cabeça neste universo, e paixão é o que não falta aos produtores e trabalhadores das vinícolas nas quais estivemos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

The thing about wine

"Wine is a living liquid containing no preservatives. Its life cycle comprises youth, maturity, old age, and death. When not treated with reasonable respect it will sicken and die." - Julia Child




A vinícola do Coppola





Depois do Copia, que fica na cidade de Napa, nossa primeira parada na rota do vinho californiano foi na vinícola do Francis Ford Coppola em Napa Valley. Eu já tinha sido alertada para o fato de que tudo em Napa é maior, mais caro, mais turistão e mais metido a fino, mas mesmo assim quis conferir o esquema por mim mesma - e se eu tinha que pagar uma taxa (altíssima se comparada a outras vinícolas) por uma degustação, que fosse na vinícola da família Coppola de quem sou fã.

A degustação veio com um tour informativo sobre a belíssima propriedade adquirida pelo cineasta há mais de duas décadas. No segundo andar do chateau tem até uma sala com memorabilia de alguns de seus filmes e parte de uma coleção impressionante de lanternas mágicas (uma espécie de precursora do projetor de cinema). Entretanto, recentemente o diretor vem tentando separar seu nome da propriedade, já que muita gente ia lá só por causa dele e ninguém ligava para o vinho, que na realidade é muito bom.

A vinícola mudou de nome e agora chama-se Rubicon State, e ele está construindo uma segunda vinícola - longe de sua casa, que ele não é besta - bem ao estilo disneylândia só para saciar a curiosidade dos fãs. Eu, que já apreciava o vinho dele e tinha curiosidade para conhecer a propriedade, fui lá com um terceiro objetivo secreto que era o de comprar uma garrafa do espumante batizado com o nome da filha dele, Sofia.