segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Cheesecake e um pedido de aniversário

Quando perguntei a Luiz se ele tinha algum pedido especial para a noite do seu aniversário, ele respondeu que queria cheesecake. Achei perfeito, pois estava querendo testar uma receita de New York cheesecake há tempos.


É uma receita simples, mas cuja massa densa requisita uma batedeira ou processador robusto. A minha, baratinha e portátil, fraquejou diante dos blocos de cream chesse e eu pensei que ela fosse pifar. Tive que fazer parte do trabalho no braço, até poder tentar com a batedeira novamente. E novamente ela deu sinais de cansaço, mas no final conseguiu incorporar todos os ingredientes. Mambembe do jeito que foi, até que o resultado saiu perfeito. Os convidados gostaram tanto que já pediram repeteco para a festa de Natal.

Ingredientes

Massa:

- 2 xícaras de farelo de biscoito (usei graham crackers)
- 5 colheres de sopa de açúcar
- 6 colheres de sopa de manteiga derretida
- 1/4 de colher de chá de canela em pó

Recheio:

- 3 pacotes (750g) de cheam cheese culinário
- 1 xícara de açúcar
- 1/2 colher de sopa de raspas de limão
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 5 ovos, gemas e claras separadas
- 1/4 de xícara de creme de leite fresco ou sour cream
- 2 colheres de açúcar (separadas do outro açúcar)

Comece pelo preparo da massa, que é o mesmo usado para a torta de limão - e que a Faby explica aqui num passo-a-passo ilustrado. Achei a adição de canela nessa receita fantástica, bem sutil mas faz uma diferença enorme, até na cor que combina bem com o rico recheio de queijo cremoso.

Para o recheio, você deve deixar antes todos os ingredientes em temperatura ambiente. Depois, com a ajuda da sua fiel batedeira, bata o cream cheese com o açúcar até ficar bem cremoso. Adicione a baunilha e as raspas de limão, bata mais até misturar tudo. Adicione o creme de leite e as gemas, batendo novamente. Reserve.

Em outra vasilha bem limpa, bata as claras em neve com as duas colheres de açúcar até ficarem firmes e lustrosas. Depois incorpore as claras à mistura de cream cheese, com delicadeza. Coloque na forma com a massa e leve para assar por uma hora e 15 minutos, ou até ficar dourado e levemente firme. Deixe esfriar por mais umas duas horas, desenforme se quiser e leve à geladeira.

Descobri que a torta cresce bastante no forno, mas murcha e fica bem densa depois de resfriada na geladeira - portanto, faça sempre com muita antecedência para dar tempo dela descansar bem na geladeira. Eu servi com um coulis de morango, que nada mais são que morangos inteiros batidos com um puquinho de açúcar e fervidos até virarem uma calda cor de rosa grossa (pode ser servida fria ou quente).

domingo, 2 de dezembro de 2007

Para ocasiões especiais

Menu da noite personalizado

Risoto de abóbora com açafrão


Sábado comemoramos o aniversário de Luiz, e decidi dar uma incrementada num prato que estava querendo fazer já há algum tempo. O prato era o risoto de abóbora com açafrão do livro "Barefoot Contessa Family Style", de Ina Garten, e a parte especial ficou por conta das seis abóboras cuti-cuti que usei para servir o risoto. Deu um certo trabalho para abrir os topos das abóboras, e tive que assá-las por uns trinta minutos para conseguir raspar a carne de dentro até formar um bowl, mas valeu a pena. O visual ficou incrível, fez bom uso das abóboras que abundam por aqui nesta época, e ajudou a aplacar o frio arrasador que tem feito nos últimos dias.

Ingredientes (serve seis pessoas):

- 2 1/2 xícaras de arroz arbóreo
- 6 xícaras de caldo de galinha
- 2 chalotas ou uma cebola cortadinha
- 2 colheres de sopa de manteiga
- 1/2 xícara de parmesão ralado
- 1/2 xícara de vinho branco seco
- azeite de oliva, sal e pimenta do reino
- uma pitada de fios de açafrão
- 6 fatias de pancetta ou bacon cortado em cubinhos
- 1 abóbora butternut, mais 6 abóboras pequenas para servir (opcional)

Um outro pequeno detalhe é que não dá para aproveitar a carne das abóboras pequenas na receita, pois para usá-las como bowl é preciso assar até a carne ficar "tirável" com uma colher (e a receita pede a abóbora cortada em cubinhos e com consistência mais al dente). Então eu reservei e congelei o purê das abóboras pequenas para usar em outra ocasião, e usei a carne de uma abóbora butternut (é, eu sei, mas o que a gente não faz por amor...).

A abóbora pode ser preparada com antecedência. Basta descascá-la, retirar as sementes, cortar em cubinhos de aproximadamente 1 centímetro e espalhá-los numa assadeira com um punhado de sal, pimenta e azeite de oliva. Asse no forno médio por uns 15 minutos, até ficar macia mas ainda al dente. Reserve.

O restante da receita é similar à de qualquer outro risoto. Deixe uma panela com o caldo de galinha fervendo e coloque o açafrão para dissolver no caldo. Em outra panela maior, coloque a manteiga para derreter com um fio de azeite de oliva. Frite as chalotas com a pancetta até ficar dourada, depois acrescente o arroz e frite mais um pouco. Coloque o vinho branco e mexa até o líquido quase evaporar. Acrescente um pouco do caldo de galinha com açafrão por vez, mexendo sempre até quase evaporar. Fique provando para ver quando o arroz estiver totalmente cozido. Quando estiver, retire do fogo, veja se precisa de sal ou pimenta, acrescente o queijo ralado e os cubinhos da abóbora cozida e sirva em seguida.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O-oh

86%DRUNKARD

Enfim, (quase) casa

Ok, este relato de viagem já está se alongando demais - afinal, a vida continua e o inverno por estas bandas parece que será rigoroso comme toujours, requisitando a invenção de pratos bem quentes e com sustância. Antes de voltar pra casa, porém, tivemos um gostinho de casa em pleno Oriente.

Para quem é brasileiro ou português, estar em Macau é uma experiência um tanto desconcertante. O que dizer de uma ilha situada a menos de uma hora de ferry de Hong Kong, mas onde a língua oficial ainda é a de Camões, senão estranho. Onde me senti andando pelas ruas do centro histórico de Salvador como há mais de dois anos não faço. Onde a população é claramente mais mestiça do que em qualquer outra cidade chinesa. Estranho.

E onde comemos pastéis de Belém, frango assado, bacalhau Zé do Pipo e outras especialidades decididamente portuguesas em restaurantes onde o menu é em português e chinês (mistura que, até então, achava que era exclusividade do meu caderninho de notas). Isso para não falar nos cassinos - sim, os mega-cassinos, pois Macau está se transformando rapidamente numa espécie de Las Vegas do Oriente, com direito a toda sua breguice.

Colonização tem dessas coisas curiosas. Macau esteve sob o domínio português até 1999, ou seja, seu retorno à China é muito recente, e é por isso que a influência lusitana é tão forte, apesar de ninguém lá falar realmente o português - a não ser os portugueses que imigraram. E agora, com essa invasão dos cassinos americanos imitando outras cidades famosas do mundo (o Venetian é toda uma Itália assombrosamente fake), a confusão identitária está completa.

Pastel de Belém bilingue

A feijoada é diferente, leva até abóbora

Frango no churrasco

Bacalhau com purê de batatas

Arroz de tomate

O menu do "Santos"

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Fui à praia em Hong Kong


Pouca gente sabe, mas Hong Kong é formada não só pela ilha grande que dá nome à região, mas por diversas ilhotas menores e menos habitadas. O aeroporto, por exemplo, fica numa ilha chamada Lantau. E tem uma outra ilha chamada Lamma que é tão pequena, mas tão pequena, que nela não circulam carros. Para atravessar a pé de uma ponta a outra, leva-se menos de três horas (com pausa para admirar a paisagem).

Esta mesma ilha é conhecida por suas praias belíssimas e pelos restaurantes de frutos do mar onde o cliente escolhe o bicho que vai comer. É simplesmente absurdo molhar os pés numa praia tranquila a menos de vinte minutos de toda a correria de megalópole que rola em Hong Kong. Dá uma perspectiva boa de que este lugar vai muito além da idéia de que Hong Kong é um ponto meramente comercial e desprovido de identidade própria.

Mas voltando ao assunto, um programa típico de domingo é a boa e velha "farofada" na praia com direito a se esbaldar nos restaurantes à beira-mar depois. Nós fomos nos empolgando com aquilo tudo, pedimos umas cervejas, comemos e terminamos esquecendo que, epa, isso aqui ainda é Hong Kong! No fim das contas pagamos HK$ 180,00 (algo em torno de 20 dólares) pela unidade do hairy crab. Mas ainda assim eu digo que valeu cada centavo.

Herbário em Lamma island

Restaurante de frutos do mar

Esse aí tentou escapar

O siri de HK$ 180,00

Beringela no vapor com alho e manteiga

Em Hong Kong é outra história

Bem, Hong Kong era o destino principal (e final) dessa minha viagem à China, já que o cineasta que eu estudo é de lá e eu queria mesmo era sentir o clima deste lugar que há muito me intriga. As diferenças entre a China continental e a ex-colônia britânica são visíveis, mas também há muitas semelhanças e eu tive aquele sentimento de estar num lugar que mistura mesmo, naturalmente (e até harmoniosamente, quem diria), ocidente e oriente.

Uma das principais expressões dessa mistura está na cozinha. Em nenhum outro lugar da Ásia (tirando Tóquio, talvez) encontra-se tanta influência da culinária mundial misturada à comida local. E haja variedade: tem muito restaurante indiano e paquistanês (a população imigrante é grande), tailandês, italiano, japonês, mexicano, churrascaira brasileira e o escambau. E os restaurantes, embora muito mais caros do que na China, são dignos de colocar Hong Kong em qualquer atlas gourmet.

Em meio à tanta oferta, até que nós tentamos comer algum prato típico da região, mas depois de quase um mês o estômago estava mesmo era implorando por sabores mais, digamos, mediterrâneos. Os preços altíssimos também nos forçaram a fazer menos refeições em restaurantes e ceder ocasionalmente, mas cheios de culpa, às redes multinacionais de hambúrgueres gordurosos e aos noodles instantâneos.

Abaixo seguem registros fotográficos de alguns momentos gastronômicos de Hong Kong.

Restaurante indiano vegetariano em Kowloon

Lojinha orgânica no Soho, Hong Kong island

Frango com molho de tomate e mel no restaurante nepalês

Restaurante especializado em salmão em Kowloon

Legítima pizza italiana