quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O melhor, o pior e o mais ou menos da Food Network (Canadá)


A Food Network é um assunto meio tabu entre os blogs de culinária anglófonos, porque (quase) todo mundo assiste, só que (quase) todo mundo mete o pau. É aquele tipo da coisa que todo mundo ama odiar, sabe?

Os mais entendedores criticam o lado didático da emissora, que insiste nas mesmas técnicas e receitas básicas o tempo todo; realmente, deve ser muito bê-a-bá para quem é profissional (ou quase). Outros gostam mesmo é de fuxicar sobre a aparência ou a vida íntima dos chefs-celebridade, o que me parece levar sempre uma pontinha de inveja – quanto mais pessoal e baixaria for a critica, mais inveja. É verdade que os celebrity-chefs jamais terão o mesmo tipo de respeito que os chefs “de verdade” no mundinho gastronômico, mas eu considero que são duas profissões diferentes, e chefs que aparecem na televisão têm que ter um pouco de star-power (se os chefs do FN tem esse carisma todo, aí já é outra questão...).

Alguns poucos, na maioria os que se consideram amadores, confessam que assistem mesmo e gostam de algumas coisas, e não de outras. Eu me encaixo nessa última categoria. Já disse aqui antes que aprendi muita coisa vendo este canal. Sim, tem muita besteira, mas também tem muitas dicas importantes e receitas interessantíssimas. Aliás, para qualquer pessoa que gosta de comida, um canal com programas de culinária 24h no ar a princípio já é legal. Eu prefiro assistir o FN, mesmo que seja um programa meia-boca, do que ver outra besteira qualquer na TV. Mas esta é apenas a minha opinião.

Aqui no Canadá a programação é ligeiramente diferente, pois existem alguns programas locais que não passam nos EUA (e vice-versa). Resolvi comentar o que mais e o que menos gosto do canal, mesmo sabendo que isso pode não interessar a muita gente. Se bem que a maioria dos chefs-celebridades que circulam pela minha tevê são os mesmos que, provavelmente, circulam pela sua também. Então vamos lá.

O pior

Paula’s Home Cooking
Taí um dos poucos programas do FN que faço questão de passar longe. Nem estou falando da voz irritante com aquele sotaque sulista norte-americano, nem das risadas histéricas, nem do cabelo assustador da apresentadora. Estou falando mesmo é das receitas desta senhora que deveria representar a “típica” dona-de-casa americana. Nunca vi uma comida tão gordurosa, tão pouco saudável e tão pouco apetitosa – tudo o que ela faz leva ingredientes bizarros como shortening, queijo processado e que tais. Na minha opinião, este programa promove um desserviço à sociedade e devia ser proibido.

Rachel Ray’s 30-minute meals
Outro programa cujas receitas simplesmente não me apetecem. Em trinta minutos qualquer pessoa é capaz de fazer comida muito melhor do que a dela, que quase sempre consiste em picar um monte de cebolas, abrir uma lata de tomates e jogar um monte de carne numa panela. Não vou nem entrar no mérito da chatice da RR, que virou uma celebridade na televisão americana, apesar de ninguém gostar dela. É muito chato ter que ouvir aquele carisma forçado, a invenção gratuita de palavras (acho que o tal do E.V.O.O. – extra virgin olive oil entrou até para os dicionários!), e a falta total de técnica. Tudo bem que ela não é chef treinada, mas pelo tempo que ela cozinha já devia ter aprendido a manusear melhor uma faca.

O melhor

Jamie at Home
Eu tenho um problema com o Jamie Oliver. Acho ele meio antipático, um tanto megalomaníaco, e super-exposto na mídia. Mas uma coisa eu não posso negar: ele AMA comida, e está fazendo esforços legítimos para passar um pouco desse amor para o resto do mundo. Dos mil e um programas nos quais ele aparece atualmente, o Jamie at Home é de longe o melhor. Do seu quintal ele dá dicas sobre como plantar ervas e vegetais, faz receitas maravilhosas que parecem facílimas, e às vezes até comanda um churrascão improvisado. Tudo bem que algumas receitas parecem improvisadas demais (mão suja de terra nos ingredientes!?!), mas isso dá para abstrair numa boa.

Barefoot Contessa
Eu já gostava do programa e das receitas clássicas de Ina Garten, mas depois que eu soube que ela comandava o departamento de energia nuclear da Casa Branca, e largou tudo para abrir uma loja de produtos de comer, me apaixonei. Ela é carismática sem ser chata, as receitas são clássicos que todo mundo deveria ter no repertório, e aquela casa dela nos Hamptons é muito chique. Meu marido gosta de brincar dizendo que ele é meu Jeffrey, o maridão gente boa que aparece no final, sempre sorridente, para saborear as guloseimas da Contessa, e eu não me incomodo de tê-los como casal ideal para daqui a alguns anos.

Everyday Italian
Quando eu vi a patricinha italiana Giada de Laurentiis na cozinha pela primeira vez, logo pensei que não devia ser lá muito interessante. Mas ela me conquistou aos poucos com receitas simples, saborosas, e um foco sempre especial para as sobremesas (acho que ela ama chocolate tanto quanto eu). Tem coisas no programa dela que eu não gosto, como o lado étnico meio fake (ela é tão italiana quanto os Sopranos), mas nenhuma receita dela jamais me deixou na mão.

Os mais ou menos

Nigella Feasts
Com Nigella aconteceu o contrário de Giada de Lantentiis: eu tentei, de toda maneira, gostar dela, mas não teve jeito. Admiro muitíssimo o modo como ela descreve os ingredientes, ressaltando a beleza e a sensualidade das cores, formas e aromas, mas detesto as receitas. Muito raramente tenho vontade de fazer algo que ela faz, e quando tentei confesso que me decepcionei com o resultado. Nigella é vista como defensora da comida verdadeira por não ser magérrima e comer de tudo, mas eu já a ouvi dizendo que sua filosofia é “se tem gosto bom, eu como”. E eu definitivamente não concordo com isso.

Chef at Home
Este é um dos programas canadenses que provavelmente não são exibidos nos EUA. O apresentador, Michael Smith, já foi chef profissional dos melhores e, hoje em dia, cozinha “de casa” para a família, mostrando como todo cozinheiro amador pode incrementar a janta do dia-a-dia com algumas técnicas básicas. Adoro a premissa do programa, e gosto ainda mais de reconhecer as marcas dos ingredientes na telinha, mas falta algo para este programa ser realmente bom. Michael Smith pode ser um excelente cozinheiro, mas suas habilidades em frente à câmera são limitadíssimas, o que me deixa um pouco constrangida.

Não-diretamente relacionado a receitas, tem dois programas que considero geniais no FN Canadá. Um deles é o Food Jammers, onde três rapazes inventam maneiras pouquíssimo convencionais de matar a larica -quer dizer, a fome. Além de ser extremamente engraçado, este programa é bem criativo e diferente dos programas sobre comida e ciência que já existem por aí (tipo o Good Eats, com Alton Brown, que lembra o Mundo de Beakman que eu via quando era criança). O segundo é Glutton for Punishment, onde Bob Blummer se joga de cabeça no mundo das competições insanas de comida. Enquanto ele brinca de domar abelhas e comer japapeños, a gente vai aprendendo sobre as loucuras que existem nesse mundo culinário.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Panna cotta de chocolate


Estava "futucando" o blog da querida Agdá atrás de uma receita de massa de pizza, quando me deparei com esta panna cotta de chocolate com calda de amaretto. Com chocolate no nome, aquilo já foi logo me chamando a atenção. Também queria fazer uma panna cotta há tempos, pois anda na moda na TV e eu já estava ficando curiosa.

Segui rigorosamente a receita da Agdá; só não fiz a calda porque não tinha licor amaretto, então substituí por farelos de biscoitinhos amaretti. Até desenformei bonitinho e fiquei altamente satisfeita com a textura, que lembra a de um pudim. Realmente é um doce bem leve e refrescante, e o gosto do chocolate é bem sutil. Achei até um pouco sutil demais para mim, pois quando como algo de chocolate espero sentir aquele gosto bem chocolatal, sabem?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A outra virou sopa

Com a outra metade da couve-flor eu fiz uma sopa fácil e cremosíssima para o dia seguinte: corte os floretes de couve-flor em pedaços pequenos e reserve. Doure uma cebola média e dois dentes de alho num fio de azeite, junte a couve-flor, um litro de caldo de legumes e cozinhe tudo até a couve-flor ficar macia, uns 15 a 20 minutos. Bata no liquidificador até ficar cremoso e volte para a panela. Coloque meia xícara de parmesão ralado na hora, sal e pimenta a gosto.

Risotto de couve-flor com pangrattato


Pois bem, com metade daquela belezoca de couve-flor eu fiz este risotto maravilhoso. A receita original é do Jamie Oliver, mas ela já andou rodando o mundo pelos blogs de comer - mais uma prova de que as receitas mais rodadas são mesmo as melhores.

A receita pode ser facilmente encontrada aqui, ou aqui, ou no livro do Jamie Oliver (Jamie's Italy), de maneira que não vou repetir passo a passo. Mas vou reforçar as coisas mais geniais que achei sobre esse prato:Primeiro, o pangrattato promove um contraste de textura e um "kick" de sal e pimenta indispensáveis (experimente colocar mais à medida que for comendo o risotto).

Segundo, a couve-flor deixa o risotto, que já é um prato cremoso, mais cremoso ainda (e isso só pode ser bom). A técnica de deixar a couve-flor cozinhando no caldo e depois amassá-la com o garfo até incorporar no arroz é fantástica. Faz-se uso do que a verdura tem de melhor (sua consistência aveludada), sem mascarar demais o gosto. Depois de comer este prato ninguém terá a coragem de dizer que couve-flor não tem gosto de nada.

Servi com um Pinot Noir cujo rótulo fofíssimo me cativou na loja. Não é uma gracinha?

A vida íntima da couve-flor


A couve-flor é um vegetal tão meigo, não é mesmo? Já começa pelo formato de bouquets, que nesta foto ficou parecendo mais um bonsai. E a cor, ah esse branquinho imaculado também é qualquer coisa. Aqueles que não gostam que me perdoem, mas a couve-flor é uma maravilha. Sabe por que? Porque além de ter todas aquelas vitaminas das quais precisamos, poucos vegetais neste mundo são tão naturalmente cremosos e combinam tããão bem com queijo. Ah, e quase nenhum tem flor no nome.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Minha mãe é uma sereia

Eu sempre gostei muito desse filme (Mermaids, 1990) com Cher, Winona Ryder e Christina Ricci (quando esta era apenas uma pirralha). Cher interpreta uma mulher meio maluquete dos anos 60, mãe solteira de uma adolescente obcecada com coisas de Igreja e uma menininha que adora nadar. Gosto de como o conflito entre mãe e filha é tratado de maneira leve e criativa; da trilha sonora e dos figurinos retrôs. Outro dia eu reparei em mais uma coisa interessante: a única coisa que a Cher cozinha para suas filhas são hors-d'oeuvre, ou finger food para comer em festa. Do café da manhã até o peru do thanksgiving, tudo o que ela faz é servido em bandejas de festa, enfiado em palitos de dente decorados ou cortado em forma de estrela com o cortador de biscoito. E ela faz refeições inteiras dessas coisas! Isso diz muito sobre a personagem, mas é um detalhe que eu mesma nunca havia notado (e gostei de notar agora).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Chocolate chip cookies



Chega um dia na vida de toda pessoa amante de docinhos e bolinhos que uma oportunidade única se apresenta: você encontra uma receita de chocolate chip cookies especialmente atraente e fácil de fazer. Tem todos os ingrendientes em casa. E logo hoje, que você tem um tempinho sobrando. Você olha aquela foto na internet, que está de dar água na boca. E pensa: mas será que eu consigo? Será que meu biscoitinho caseiro vai sair tão gostoso quanto aos do mercado, tão fotogênico quanto os da internet?

Bem, quem quer se aventurar seriamente no mundo dos baked goods tem que superar essa insegurança mais cedo ou mais tarde e meter as caras, sabendo que seus primeiros biscoitos podem não sair belos como os da foto, ou apetitosos como os do mercado. Mas um dia você chega lá. Persista, porque nada (repito: nada) supera aquela sensação de tirar biscoitos perfeitos e quentinhos do forno, e a certeza de que você não depende mais das versões industrializadas e seus ingredientes misteriosos.

Existem milhares de receitas de chocolate chip cookies disponíveis por aí, e todo mundo parece ter uma favorita. Eu não tenho uma favorita, nem gabarito para comparar diferentes receitas, porque esta foi a primeira que eu testei. Encontrei-a no site da Smitten Kitchen, e escolhi porque ela me pareceu suficientemente simples para uma marinheira de primeira viagem.


Você vai precisar de:

- 1/2 xícara de açúcar branco refinado
- 1/2 xícara de açúcar mascavo
- 115g de manteiga, fria, cortada em pedacinhos
- 1 ovo grande
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio (baking soda)
- 1 e 1/4 de xícara de farinha
- 1/4 de colher de chá de sal (uma pitada)
- 200g de chocolate chips meio-amargo
*A receita original pedia ainda 130g de nozes trituradas, que eu omiti

Pré-aqueça o forno para 150C (300F) e coloque os racks nas partes superiores do forno. Forre duas travessas com papel manteiga e reserve (bem, como meu forno é muito do vagabundo e só tem um rack, tive que fazer a receita e assar em duas etapas; a boa notícia é que a segunda leva parece não ter sofrido nada com a espera - pelo contrário, saiu ainda melhor porque aí eu já tinha as manhas).

Numa batedeira, misture os açúcares e a manteiga até virarem um creme pálido. Coloque o ovo, baunilha e bicarbonato e mexa mais (bem, como minha batedeira é muito da vagabunda e não tem a pá apropriada, bati tudo na mão mesmo, com uma espátula de silicone, o que também não colocou nenhum empecilho no resultado final - meu deus, estou conseguindo fazer esses biscoitos against the odds).

Misture a farinha e o sal e, por fim, incorpore os chocolate chips (e as nozes, se for usar). Faça bolinhas pequenas com a massa e coloque sobre as bandejas cobertas com papel manteiga, e asse por uns 18 minutos, ou até o biscoito começar a ficar dourado. Ele vai parecer um pouco mole ainda, mas é que ele endurece bastante ao esfriar. Eu fiz a minha primeira leva grande demais, e saí com biscoitos gigantes, mas se você fizer pequeninos, deve terminar com uns 35 biscoitos.

Tire os biscoitos (que podem não ter saído perfeitos, mas até que não fizeram feio para uma primeira tentativa) da travessa com a ajuda de uma espátula e coloque-os para esfriar, de preferência numa gradezinha de metal. Depois guarde-os num recipiente bem fechado. Ou coma quente mesmo, sentido o doce sabor do sucesso e da auto-suficiência.