segunda-feira, 14 de abril de 2008

Picanha de sol

Tudo começou com um post no Chucrute com Salsicha que remetia a um outro post sobre carne-de-sol clandestina que lançou uma paradoxal reação em cadeia em nossas mentes e estômagos: ao mesmo tempo em que lembramos, com certo nojo e preocupação, de todas as vezes em que comemos carne de sol de origem duvidosa (nota: no Nordeste come-se muita carne de sol), fomos tomados por uma saudade e uma fome irresistíveis (no Nordeste come-se muita carne de sol).

Felizmente a notícia ruim vinha acompanhada de uma boa: é extremamente fácil fazer carne de sol em casa, uma vez que o processo é artesanal em sua origem. A receita era de picanha de sol e vinha do programa de Ana Maria Braga, acompanhada por um vídeo explicando o passo a passo. Ou seja, fácil demais para não darmos ao menos uma tentativa. Luiz, que não cozinha no dia-a-dia mas adora um desafio de proporções épicas (foi ele quem conseguiu a façanha de cozinhar uma feijoada para doze pessoas num quarto e sala em pleno inverno canadense), encarregou-se do projeto que só se concretizou mesmo no último sábado.

O passo a passo do vídeo é altamente detalhado e não deixa dúvidas (se estiver sem paciência para Ana Maria Braga, tem a receita em versão escrita no site do programa). Trata-se, basicamente, de um processo de desidratação da picanha no sal grosso (por 24h), e posterior re-hidratação no leite (mais 24h), de maneira que ela fica levemente curada por fora e ainda crua por dentro. Eu só não fiquei muito convencida com as técnicas de reaproveitamento do sal e do leite, achei pouco higiênico e optei por jogar tudo fora mesmo. Também usamos uma peça menor de carne que, por sua vez, precisou de menos sal e menos leite. No mais, fizemos tudo como no vídeo.


Esperamos o sábado para fazer a carne na esperança de usar a churrasqueira, mas o tempo mais uma vez não colaborou e terminamos optando por assá-la no forno mesmo. O resultado foi extremamente satisfatório: a carne ficou macia e o gosto bastante similar às nossas referências de carne de sol, diferente, portanto, de uma picanha assada tradicional. Luiz estava no embalo e fez até feijão de corda e farofa para completar o prato. Já eu contribui com um brócolis ao alho e óleo e uma cebola roxa assada no forno embalada em papel alumínio. Segundo ele, só faltou mesmo a manteiga de garrafa...

7 comentários:

Fred Rodrigues disse...

Preciso aprender muito ainda viu! To aqui no Brasil e não rendo tanto assim! Parabens por tudo que vcs fazem ai de tão longe... Um dia chego nesse nivel!

Eliana Scaramal disse...

Que maravilha seu prato!! Eu também faço carne de sol em casa e acho uma delícia!

Carla disse...

Ok, esclarecimento necessario: como e com que nome voce encontra picanha ai? Nos EUA nao existe um corte similar, que eu saiba.

Ludmila Carvalho disse...

Oi Carla, eu compro picanha aqui nos mercadinhos portugueses, eles vendem carnes e muitos outros produtos brasileiros (até guaraná Antartica). Acho que em inglês não existe mesmo não - viva os portugueses!

Carla disse...

Ai, que decepcao. eu pensei que voce ia me dizer que compra num site supimpa que entrega pra toda a america do norte...hahaha! eu conheco os mercadinhos portugueses, vou sempre quando estou em toronto, mas atravessar a fronteira com um pedaco de picanha no carro nao e la uma boa ideia nos dias de hoje, ne?
Obrigada, de qualquer forma.

Raquel disse...

Deu água na boca, Lud!
Pra mim, carne-do-sol é comfort food total!

Smas disse...

Oi, Parabéns pelo blog que eu sempre leio (via bloglines)
Em mais ou menos resposta à Carla, a picanha em inglês é cover of rump, nós aqui em Macau recebemos da mesma remessa para exportação e tem o nome em ingês (pode ser que ajude...)
Bjs