quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Encontrei conforto na sopa

Dizem que a necessidade é a mãe da invenção, ou coisa do tipo. Não acho que seja somente a necessidade, mas uma série de coisas que acontecem ao mesmo tempo e que mudam a vida de uma pessoa. Por exemplo, eu sempre fiz cara feia pra sopas. Sei lá, associava à comida de bebê e de hospital, e quanto mais coisa boiando num líquido tivesse, menos apetitoso me parecia.

Bem, este é o meu terceiro inverno em Montreal, e o que está me abalando mais. No primeiro tudo era novidade; no segundo, passamos boa parte dos piores meses no Brasil; e agora... bem, agora não tem escapatória. Tenho passado mal desde que voltamos da China, com uma gripe que vai e volta toda vez que ponho o nariz pra fora de casa. E como infelizmente preciso sair, tenho alternado dias bons e ruins com maior freqüência do que gostaria.

Quando neva 40 centímetros de neve lá fora, e as janelas da sua casa ficam brancas que não dá nem pra ver se é dia ou noite (não que faça muita diferença, pois tem escurecido às 16h mesmo), tudo o que seu organismo pede é uma comida quente e reconfortante. Não dá mais pra encarar somente as saladinhas: tem que ser, como diria uma tia minha, algo "quente e mole". E como não dá pra viver de macarrão todos os dias... tive que mudar.

Pois então, foi a necessidade, junta ao fato de hoje em dia minha relação com comida ser muito menos complicada do que outrora, que fez com que eu me rendesse às sopas. Aos poucos, não tive como resistir ao conforto fumegante me chamando daquele prato fundo. Nem aos benefícios da ingestão de vegetais saudáveis e fresquinhos que eu preciso pra manter o sistema imunológico funcionando.

O problema é que eu continuo não sendo muito fã das coisitas boiando. Prefiro os cremes macios e uniformes. Só que eu não tenho liquidificador, então, resignada e com aquela determinação digna de heroína de Zhang Yimou, lá fui eu enfrentar o frio de -13 graus e um trânsito dos infernos atrás de uma engenhoca que vi na tv. Voltei com o mixer de imersão nas mãos e uma receitinha bem fácil e rápida na cabeça.

Mais um gadget

Sopa de abóbora butternut com curry

- Uma abóbora butternut cortada em cubos
- Dois dentes de alho cortadinhos
- uma cebola média cortadinha
- Uma colher de sopa bem cheia de curry em pó
- seis xícaras de caldo de galinha ou de legumes
- uma colher de sopa de mel
- sal e pimenta a gosto

Começe fritando a cebola e o alho num fio de azeite até ficarem translúcidas, mas não douradas. Junte a abóbora, o curry em pó e o caldo e deixe ferver por uns vinte minutos, ou até a abóbora estar bem macia. Transforme tudo em purê com seu novíssimo mixer de imersão (ou no liquidificador), adicione o mel, acerte o sal e a pimenta e sirva com uma colherada de sour cream ou iogurte natural.

Essa foi a história da minha primeira sopinha. Que ficou deliciosa e me confortou como eu imaginei que ela faria.

8 comentários:

Katita disse...

Lud, fiquei muito emocionada com o mimo que você me mandou.
Mas fiquei mais emocionada ainda com o pulo que você deu na cozinha.
Parabéns, querida!
Você é daquelas que faz tudo o que se propõe a fazer com esmero.
Vamos linkar você no RL, pode ser?
Ah! O mimo deu post.
Beijim procê e pro Luiz de aniversário atrasado.
=)
K.

Eliana Scaramal disse...

Que linda sopa!!

Raquel disse...

Oi Lud,
Conheci seu blog por causa da Katita.
Simpatizei com a sua sopa e quero fazê-la!
Dúvida: o que vem a ser exatamente "abóbora butternut"?
Bjs!

Ludmila Carvalho disse...

Oi Raquel, abóbora butternut é aquela que tem a parte de cima mais alongada e a de baixo mais "gordinha", onde ficam as sementes. Não sei como se chama essa abóbora no Brasil, talvez não tenha um nome específico, mas aqui é conhecida como butternut squash. Esse é um dos problemas de ter aprendido a cozinhar aqui, é que às vezes não sei o nome das coisas em português... shame on me, hehehehehe

raquel disse...

Nunca reparei no design da abóbora...risos...vc lembra a cor das casca? Seria verde?
Bjs.

Raquel disse...

Lud,
Meu marido tá aqui me explicando qual é...é tipo o que chamamos de abobrinha, né?
Bjs!

Ludmila Carvalho disse...

Desculpe, esqueci de dizer a cor: é laranja clarinho. Mas não é abobrinha. Talvez essa imagem ajude a gente a se entender, hehehe
http://en.wikipedia.org/wiki/Butternut_squash
Beijos

fezoca disse...

Lud, se essa foi a sua primeira sopa, voce inaugurou com chave de ouro! ficou supimpa! :-)

Eu to fazendo sopa praticamente um dia sim, um dia nao. Na hora do almoco, qdo eu pedalo a bike no frio, meu corpo implora: sopa, sopa!!

beijao,