segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ter ou não ter

A foto do copinho marroquino no post abaixo me pôs ontem a pensar em como eu e Luiz mudamos desde a nossa chegada em Montreal. Nossa passagem por aqui é temporária, uma vez que minha bolsa de estudos vem do Brasil e nos obriga a retornar ao final dos quatro anos. O fato é que, para vir para cá, tivemos que deixar nossas vidas no Brasil em suspenso, incluídas aí nossas coisas. Mal havíamos terminado de montar nossa casa e já tivemos que empacotar tudo, de modo que alguns presentes de casamento nem saíram das caixas. Mas tudo bem, já que sabíamos que voltaríamos.

Por conta disso, quando chegamos aqui não queríamos comprar nem fazer nada que nos prendesse demais à nossa nova morada canadense - pensando em não desperdiçar dinheiro e em evitar mais uma despedida dolorosa depois. Mas, por outro lado, precisávamos de coisas, já que nosso belo conjunto de louça de nada nos servia se aqui não podíamos usá-lo. Fizemos então um acordo de que compraríamos apenas o que fosse essencial para a casa, tentaríamos evitar comprar o que já tínhamos no Brasil e procuraríamos investir apenas no que pudéssemos levar de volta.

Sinal disso é que alguns de nossos pratos de servir são mesmo da loja de um dólar, e a maioria dos eletrodomésticos portáteis são de marcas desconhecidas. Mas aos poucos chegamos à conclusão de que não dá para viver de essencial e temporário por muito tempo - afinal, já passamos mais tempo de nossa vida de casados aqui do que lá. Quatro anos é muito tempo, e a gente PRECISA mesmo de coisas supérfluas. Eu PRECISO dos copinhos marroquinos, preciso de algumas coisas bonitinhas ao meu redor para me sentir confortável.

Atualmente o acordo ainda está mantido, mas afroxou-se bastante. Nossos pratos de servir de um dólar convivem com outros de dez, quinze, vinte. Já posso olhar os copinhos marroquinos na loja e decidir comprá-los sem me sentir culpada e sem ter que pensar mil vezes na tríplice pergunta (eu preciso mesmo disso? tem no Brasil? vou poder levar?). Aliás, vira e mexe olhamos para o gato e nos perguntamos se não foi ali mesmo que mandamos o diabo do acordo às cucuias...

3 comentários:

fezoca disse...

Lud, meus anos no Canada tambem foram assim--provisorios. Mas eu ate que comprei bastante coisas e levei tudo o que pude comigo de volta para o Brasil. O que eu nao contava eh que a volta nao iria se estruturar. No fim deixei muita coisa no Brasil, quando vim pra cah logo em seguida. Chato, mas eu nao desanimei! Minha opiniao eh que mesmo o provisorio tem que ser legal. Na hora de carregar, da-se um jeito. E o gato eh o mais importante sinal de que eh melhor ter, neh? :-)

beijao,

Raquel disse...

Lud,
Como te entendendo. Tb entrei numa situação provisória assim que casei. Só que infelizmente não é em Montreal.
"Mas aos poucos chegamos à conclusão de que não dá para viver de essencial e temporário por muito tempo - afinal, já passamos mais tempo de nossa vida de casados aqui do que lá." - ai, ai...como me identifiquei com essa parte!
Percebi que já estou seguindo o conselho da Fer aí em cima...tem que ser legal!
Beijos.

Ludmila Carvalho disse...

Oi Raquel, aos poucos também me dei conta disso que a Fer falou - por mais provisório, tem que ser legal, senão a coisa vira auto-sabotagem. E quanto às coisas, acho que devemos tê-las se queremos; se depois não der para levar ou der muita dor de cabeça, tant pis, pelo menos elas nos serviram bem até então... E assim vamos aprendendo.
Beijos, Lud